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The Tombs of Atuan – Ursula K. Le Guin

The Tombs of Atuan

Este é o segundo livro da série Earthsea. É a estória da jovem Tenar, ou Arha, a reencarnação da sacerdotisa chefe culto aos “Não nomeados (Nameless Ones)”, uma religião quase esquecida. Sua tarefa de vida é ser a guardiã das Tumbas de Atuan. E para os que leram o primeiro livro da série é oportunidade de reencontrarmos o mago Ged, mais conhecido como Sparrowhawk, que figura como personagem secundário na trama. (Leia sobre A Wizard of Earthsea)

É um livro que começa com um passo lento, e que tende a se manter por quase toda a narrativa. Mas isto não significa que seja entediante. Se passa praticamente numa única locação, isolada e claustrofóbica. A autora estabelece uma atmosfera introspectiva e sombria. Um livro que mostra o estilo de vida reservado das sacerdotisas que guardam os velhos rituais, conhecimentos e as tumbas, em si.

Ahra é confiante para alguns assuntos, mas muito insegura para outros e suas dúvidas e incertezas são projetadas de algum modo aos leitores. No decorrer da narrativa, se mostra uma heroína forte que descobre maneiras de confrontar graves questões. Ela foi doutrinada numa religião dura e antiga e muitos de seus preceitos colocam-na em dúvida sobre as decisões que deve tomar e como deve agir. É um tipo de história na qual a protagonista evolui seu entendimento sobre as coisas e sobre sua própria vida.

Swords and Deviltry – Fritz Leiber

Swords and DeviltryRecentemente falamos do autor estadunidense Fritz Leiber, agora vejamos o título “Swords and Deviltry”, mencionado na lista de 100 livros de fantasia de leitura mandatória (100 Must Read Fantasy Novels) de Stephen E. Andrews e Nick Rennison.

Este título é uma coleção de contos com os memoráveis personagens Fafhrd e Gray Mouser. Os contos reunidos foram publicados entre 1957 e 1970.

Vamos aos contos.

Induction (1957)

Na verdade não é um conto, mas uma pequena introdução ao mundo de Nehwon, uma breve visão de sua geografia, sua mais famosa cidade, Lankhmar, e seus dois célebres personagens, Fafhrd e Gray Mouser.

Mistborn, the Final Empire – Brandon Sanderson

MistbornUau, que livro! Mistborn, the Final Emprire é o primeiro de três livros da série de fantasia de Brandon Sanderson conhecida como Mistborn. É o primeiro livro que li deste habilidoso autor. Virei fã instantâneo. Já estou quase na metade do segundo livro e gostando bastante… Sanderson já tem um título publicado aqui no Brasil: Elantris (e que já entrou para minha fila de leitura).

Mistborn é fantasia, mas diferente do que lemos por aí… A história se passa em Scadrial, um mundo no qual se ergueu um poderoso império governado pela mesma pessoa (Lord Ruler), um ser que alcançou a imortalidade e governa como se fosse um deus. Tudo parte desta premissa: Como seria um mundo dominado por um governo tirânico e milenar de imperador imortal, que fora anteriormente profetizado como o salvador do mundo? É isso que veremos nesta série, cheia de intrigas, magia e uma arte marcial peculiar.

Este mundo é assolado por constantes chuvas de fuligem e cinzas durante os dias, e, durante as noites, é invadido por uma misteriosa névoa que cobre toda sua superfície. Lendas apontam para criaturas horríveis que vivem nestas névoas (ou vem com elas) e poucos tem coragem de sair de suas casas durantes as noites. A economia é baseada na força de trabalho de uma casta de humanos escravizados chamados de Skaa. Os nobres governam com mão de ferro e os Skaa oprimidos são seres abatidos e apáticos. O imperador parece impossível de se derrotar e ninguém acredita que isto pode mudar.

Reino das Névoas – Camila Fernandes

Reino das Névoas

Reino das Névoas

Contos de Fadas para Adultos

O livro tem a proposta de levar ao leitor (adulto) narrativas semelhantes aos contos de fada.  São sete contos com sabor de contos de fadas (ou seja, presença de princesas, príncipes, rainhas más, bruxas, magia, seres fantásticos, maldições, objetos especiais, etc) que de um modo variado, ora pelo tema, por meio de agir/pensar dos personagens ou presença de violência ou sexo, tornam-se pouco recomendados para leitores muito jovens.

Em alguns dos contos, é possível perceber referências diretas a algum conto de fada conhecido, como Branca de Neve ou A Bela Adormecida, mas em outros, temos a sensação de mergulhar num novo conto de fadas. Os próprios contos de fadas tiveram um bocado de seu conteúdo original, mas violento ou bruto, removido ao longo do tempo até que chegamos às versões “Disney”. Com a moral inserida do bem contra o mal e finais felizes para sempre. Muitos destes contos originais foram castrados de sua rudeza original. Em Reino das Névoas, temos a sensação de resgate forma desnuda de alguns dos contos originais, como no caso da versão de chapeuzinho vermelho em que a avó e chapeuzinho são mortas pelos lobo (e pronto… sem final feliz).

O livro contém os seguintes contos: O Chifre Negro, O Lenhador e a Sombra, A Outra Margem do Rio, A Torre onde ela dorme, A Filha do Fidalgo, A Espera e Reino de Névoas (mais para noveleta). A autora também é ilustradora e cada um destes contos é acompanhado de um bela ilustração.

É um livro de leitura rápida e prazerosa. Todos os contos são narrados de modo estimulante, com personagens, cenários e situações bem resolvidas. É uma boa surpresa no cenário de literatura fantástica nacional.

Compre o livro.

Saiba mais no site do livro: http://reinodasnevoas.blogspot.com.br/

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The Broken Sword (A Espada Quebrada) – Poul Anderson

Broken SwordO que dizer sobre este livro? Em primeiro lugar: é muito bom! Foi escrito mais ou menos na mesma época em que o Senhor dos Anéis (pelo menos, foram ambos publicados no mesmo ano, 1954). Seu autor, Poul Anderson (1926 – 2001) foi um escritor norte-americano da Era Dourada da ficção científica, mas também escreveu alguns livros de fantasia. Este foi seu primeiro livro de fantasia após estabelecer-se como um escritor bem sucedido de ficção científica. Ele deve ter escrito uma boa centena de livros e recebeu diversos prêmios, como o Hugo (sete vezes!).

Tem uma narrativa bastante sombria e adulta e talvez a precursora de contos de fantasia neste subgênero. Muitos autores já citaram que este livro foi uma inspiração, ou mesmo referência, entre eles, Michael Moorcock. A história tem muitos elementos pesados e imagino que teriam sido mais pesados ainda na década de 1950, quando foi lançado. Ou seja, não é uma leitura recomendável para jovens leitores. No pano de fundo, há citação de algumas situações históricas, mitologia e cultura nórdica, céltica, escocesa e inglesa e lendas de fadas. No primeiro plano, personagens brutos e violentos que demonstram inveja, luxúria, vingança e amor.

O romance conta a história de Skafloc, um homem que é raptado quando bebê e antes de ser batizado. Imric, seu raptor é um conde entre os elfos que governa o território da inglaterra, cria o rapaz como seu filho adotivo. Um humano entre os elfos poderia representar uma vantagem no conflito travado entre elfos e trolls há muitas gerações. Porém, Imric não poderia apenas roubar uma criança humana, portanto ele o substitui por um changeling, um filho próprio seu com uma troll louca que o conde mantém na masmorra de seu castelo. A história se passa na Inglaterra, Irlanda e alguns países nórdicos e se passa ora no mundo dos homens e ora em Faerie, um local místico que somente seres míticos podem enxergar e uns poucos humanos dotados de “visão de bruxo”. Interessante é que aqueles que não a possuem enxergam no lugar de um castelo ou fortaleza, montanhas de formato curioso.

O verdadeiro pai de Skafloc, Orm, é um guerreiro nórdico que resolve se estabelecer na Inglaterra após suas conquistas e acaba se casando com uma moça que adotou a religião cristã. A conquistada por ele era o lar de um pequeno senhor Inglês cuja família inteira é morta por Orm exceto por sua esposa vende a alma ao diabo, se torna uma bruxa e jura vingança contra Orm e toda sua descendência. No contexto da história, o “Cristo Branco” e sua religião que se espelhava pela Europa era responsável pelo enfraquecimento e eliminação dos povos míticos de Faerie da face da terra.

Na cerimônia de nomeação de Skafloc, um mensageiro dos Aesir, Skirnir presenteia a criança com uma antiga espada de ferro quebrada em dois pedaços. Em realidade uma espada de natureza maligna quebrada pelo próprio deus Thor e que um dia o rapaz resolve unir para cumprir um destino cruel. Do outro lado, entre os humanos, o changeling Valgard cresce um rapaz brutal o que agrada seu pai mas desagrada sua mãe. Valgard acaba cometendo crimes terríveis (induzidos pela bruxa) e parte numa jornada para juntar-se aos trolls.

A descrição e modos de agir dos elfos e trolls que o autor cria é muito diferente das usuais. Ambos são bastante inteligentes, organizados em civilizações porém amorais e orgulhosos. Ambos escravizavam raças menores que utilizavam em seu favor e nos conflitos. Há grande contraste entre a moral pagã destes seres e a moral cristã dos humanos que aparecem na narrativa. E do meio de uma guerra de vida ou morte para as nações élficas e dos trolls, o autor ainda encaixa de forma bem sucedida uma história de amor, bastante trágica, mas uma história de amor.

Uma sensação curiosa (e que se repetiu várias vezes) que tive lendo este livro era de que o livro teria de acabar, ou iria acabar logo, mas eu sabia que não. Senti isso de um terço até dois terços da evolução do enredo. A todo momento a narrativa parecia ter chegado a um beco sem saída. Eu pensava: “não vai ter jeito de continuar… está tudo acabado!”, mas alguma surpresa levava a história adiante.

A edição que li foi a revisada pelo autor em 1971. Muitos críticos (e o próprio Moorcock) dizem que a revisão empobreceu a obra original, o autor sustenta que não. Independente disso, The Broken Sword possui todos elementos de uma boa história de fantasia unindo magia, heróis, vilões, armas mágicas, criaturas e monstros míticos. É também uma obra de contrastes com momentos muito tensos intercalados por passagens mais amenas e tradições pagãs amorais contrastadas com a moral cristã. Enfim, é um grande clássico da literatura de fantasia e eu confirmo a indicação de Stephen E. Andrewsand e Nick Rennison como um dos 100 romances de fantasia que você deve ler (100 Must Read Fantasy Novels).

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