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O Espadachim de Carvão – Affonso Solano


Bem, eu cheguei a esse livro às cegas, sem nenhuma indicação e nenhuma informação a respeito. Sua descoberta foi uma ótima surpresa!

Se prepare para adentrar num novo mundo povoado por estranhas criaturas e deuses nada convencionais. O Espadachim de Carvão nos apresenta Adapak, um jovem semi-deus do mundo de Kurgala. Ele é um ser singular e um guerreiro de habilidade incomparável, mas também um sujeito inteligente e inocente.  Ele apendeu muito sobre o mundo em livros, mas viveu a maior parte de sua vida isolado da civilização.

Agora, teve que abandonar seu lar e está sendo perseguido por assassinos e não tem a menor ideia do porquê eles o perseguem. Tudo que eles dizem é uma palavra que para ele não tem sentido: Ikibu.

A primeira vista, parece tratar-se de uma estória de fantasia, mas ao longo da leitura, vão surgindo algumas dúvidas a este respeito e, mesmo havendo um forte sabor do gênero espada e feitiçaria (sword and sorcery) na obra, surgem sugestões de explicação fora do ramo sobrenatural para o mundo de Kurgala, seus deuses, povos e magia. Então, como o livro não entra em detalhes quanto a estas explicações, senti que ele mais se aproxima do gênero romance planetário, ou seja, um romance de ficção científica cuja parte científica fica em segundo plano. Algo como O Planeta dos Dragões, de Jack Vance.

É um livro recheado de muita ação, com cenas de batalhas bem descritas, com um toque cinematográfico. É também um thriller de mistério, no qual, ao mesmo tempo que Adapak é perseguido, precisa desvendar alguns mistérios… Como seus assassinos sempre o localizam? Quem quer sua cabeça? Etc.

Que sorte que há humanos em Kurgala, pois eles são a única âncora para que possamos nos localizar e imaginar esse mundo repleto de raças inteligentes e animais fantásticos. Nekelmurianos, gisbarianos, usharianianos, etc, são muitas raças exóticas (com nomes exóticos) que convivem neste mundo, e como somos apresentados a muitas raças, em alguns momentos, me senti um pouco perdido e com dificuldade para imaginar, nada que prejudique o global, é claro. O tipo do livro que deveria vir acompanhando de um atlas, ou bestiário.

Tem muitos personagens secundários interessantes, mas a aparição e permanência deles na narrativa é um pouco curta… Quando estamos começando a gostar deles, lá se vai Adapak para outro canto… Do ponto de vista de temas, é notável a crítica a respeito de drogas e prostituição, vistas do ponto de vista inocente do protagonista. Acho que o aspecto que mais gostei neste livro foi o uso de metalinguagem. Adapak passou boa parte de sua infância lendo livros dados por seu pai, o deus Dingirï, Enki’När. Entre estes, havia livros de aventura que só conhecemos os títulos e algumas alusões, as aventuras de Tamtul e Magano. Os títulos destes livros imaginários já valem o livro… Fiquei viajando imaginando essas estórias.

  • Tamtul e Magano contra a ampulheta da Rainha Estátua;
  • Tamtul e Magano contra o terror do abismo vermelho;
  • Tamtul e Magano em busca da torre invertida;
  • Tamtul e Magano e o elmo do imperador sorridente;
  • Tamtul e Magano contra o gigante de vidro;
  • Tamtul e Magano contra a ampulheta da Rainha Estátua;
  • Tamtul e Magano contra o olho de Pht’Angü;
  • Tamtul e Magano contra o terror do abismo vermelho;
  • Tamtul e Magano e o tesouro da ilha submersa;
  • Tamtul e Magano contra a ameaça de Rumbaba;
  • Tamtul e Magano e os muros da fortaleza de areia.

Não gente, fala que não é o máximo?

No frigir dos ovos, é um livro legal sim, principalmente pela originalidade. Mas é um pouco rápido demais e em alguns momentos senti falta de descrições melhores, tanto dos personagens como dos cenários. Um bom livro de estréia. Descobri agora que saiu uma continuação, então espero que autor apresente alguma evolução em seu texto para que seja uma obra mais “redondinha”.

Enfim, se você está em busca de uma aventura diferente, com mitologia própria, ação, mistério, narrativa contemporânea, seu livro é O Espadachim de Carvão, livro de estréia do escritor Affonso Solano.

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Veja mais no site do livro: http://espadachimdecarvao.com/

O Lorde Supremo – Trudi Canavan

Capa O Lorde SupremoBem, chegamos à conclusão desta saga! Em O Lorde Supremo vemos mais ação, suspense romance e alguma tensão. Gostei dos personagens em geral, mas tive um pouco de dificuldade com Cery. E isso deu uma tônica ao livro, alguns capítulos foram estimulantes enquanto outros um pouco lentos. Como sempre, vai chegando o final de uma série e fica um pouco difícil falar sem introduzir spoilers, mas vamos lá!

Sim, de acordo com o título do livro vamos ver muito mais sobre Akkarin, o Lorde Supremo neste livro. Os assassinatos em série continuam a acontecer em Imardin e em torno disto a trama se desenvolve.

A conclusão da trama não decepciona muito. A possível batalha em maior escala entre magos vem a acontecer e é um dos pontos interessantes, pois permite ver mais da visão da autora sobre o impacto na sociedade da existência de magia e magos.

Em alguns momentos a autora perde o senso de urgência e descreve possíveis desdobramentos das ações de vários personagens que não são essenciais para o enredo central. Muitos leitores desejam grande objetividade quando se trata de trama, mas por outro lado, é possível conhecer mais sobre esses personagens quando o autor faz tal opção.

A autora explora um relacionamento gay no livro, mas de algum modo o tratamento é desigual em relação aos relacionamentos heterosexuais presentes no livro. Acho que isso pode incomodar algumas pessoas, mas acho que entendo por que ela deixou os detalhes do relacionamento gay de fora.

Tá longe de ter sido uma série favorita, muitos aspectos deixaram a desejar, em especial a camada política da estória, mas gostei de alguns aspectos quanto ao funcionamento da magia e seu impacto na ambientação do livro.

Recomendo esta trilogia para quem gosta de fantasia, protagonista feminina, romance e ambientação com presença intensa de magia.

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Rainha da Tempestade – Marion Zimmer Bradley

A RAINHA DA TEMPESTADEQuando eu era moleque, li o primeiro livro da série Darkover, chamado A Chegada em Darkover. Essa é uma série de livros, com mais de 15 títulos, muito famosa que mescla ficção científica com fantasia. Também é considerado como do subgênero Romance Planetário. A premissa da série advém da colonização acidental deste planeta, que orbita uma gigante vermelha e tem quatro luas, por humanos. Muitos anos após a colonização, o uso de tecnologia se torna mais restrito e a sociedade entra num período feudal, com existência de guerras e disputas de famílias nobre sobre diversos feudos.

A Rainha da Tempestade se passa mil anos depois da chegada dos humanos e sua trama gira em torno de duas figuras principais, Allart, um dos principais herdeiros da mais forte família Hastur e Dorilys, uma menina-moça, herdeira do domínio de Aldaran e que possui fortes poderes psíquicos aqui chamados de laran.

Allart possui o laran da presciência e é atormentado por ele. Outra coisa que o incomoda é o programa de reprodução coordenado pelas leronis a fim de perpetuar e ampliar a existência dos poderes psíquicos nas linhagens nobres. Ao lado de Allart surgem outras figuras femininas fortes como Cassandra e Renata, também portadoras de laran. Já Dorilys é uma jovem voluntariosa que luta contra a maldição de seus próprios poderes. Personagens femininos fortes são uma característica conhecida das obras da autora, como por exemplo a série As Brumas de Avalon.

Como temas dominantes vemos a questão do sexismo, sexualidade, mau uso da tecnologia, orgulho, amor e submissão. É uma obra que se aproxima mais de fantasia do que de ficção científica. A própria questão dos poderes psíquicos e da super-ciência tornam a parte científica mais parecida com magia efetivamente.

Os conflitos internos nos personagens, algumas reviravoltas no enredo e algumas questões interessantes da ambientação tornam a leitura do livro agradável prendendo a atenção do leitor. Não é exatamente um livro de aventuras, apesar de haver alguma ação, de maneira que ficamos focados no desenrolar da trama dentro da temática explorada. Ao tempo todo, ficamos na expectativa de um desenrolar trágico se se confirma em alguns casos e em outros não.

Voltar a ler essa série foi bom e despertou a curiosidade para ler os demais livros. Um aspecto que parece interessante na série é que o fato dos livros funcionarem como estórias independentes e serem agrupados por eras, como a Era do Caos, Os Cem Reinos, Reencontro, etc.

Enfim, Rainha da Tempestade é um livro já um pouco antigo(1978), escrito por uma autora consagrada e que apresenta uma mistura de fantasia com ficção científica, trama interessante, personagens fortes, locações que estimulam a imaginação e a discussão de alguns temas presentes nos conflitos de poder que vemos em nossa sociedade.
Vale a leitura, recomendo!

O Código Élfico – Leonel Caldela

Código ÉlficoSanto Ossário, a cidade para onde todos voltam, uma pitoresca cidadezinha brasileira de interior, chega a ser um personagem na trama ousada delineada pelo autor em O Código Élfico. Digo ousada, por que não é todo dia que nos deparamos com a mesclagem de gêneros e temas que Leonel empreendeu para constituir este romance. Talvez a mais relevante seja a ideia de mesclar fantasia de origem estrangeira (no caso nórdica) num pano de fundo de brasilidade, algo que é possível encontrar na literatura de cordel, ou na série de Roberto Sousa Causo, a Saga de Tajarê. Mas o Código Élfico não se enquadraria no gênero borduna e feitiçaria, tampouco espada e magia. De algum modo, lembra uma das séries de Michael Moorcock, The Dreamthief’s Daughter, The Whitewolf’s Son e The Skraeling Tree. Nela, um dos personagem clássico de histórias de espada e magia, Elric visita a terra através de Ulric Von Bek, e por exemplo, há uma batalha entre uma revoada de dragões montados pelos lordes de Melninbonè contra esquadras de aviões da Luftwaffe durante a segunda guerra mundial. Em o Código Élfico, vemos elfos montados em grifos combatendo helicópteros Apache, Black Hawks e aviões bombardeiros.

A mesma vibe.

Aliás, definir o gênero do livro é um pouco desafiador, pois ele varia ao longo do livro. Em alguns momentos, predomina o horror, em outros, há uma pitada de sátira envolta no uso de meta linguagem de filmes e da própria ficção literária. Em outros, há um tom de narrativa oriental, zen-budismo e momentos “filosóficos”. Ali na esquina, estamos beirando o gênero de super-heróis, com socos que arremessam inimigos a vinte metros de distância e monges que provocam tufões arrasadores soprando automóveis e outras coisas. Há também uma pitada de fantasia e magia, aqui e ali, e mesclagem com alta tecnologia, engenharia genética e outros bichos. Sei lá, algo como salada fantástica horrorífica à brasileira. Ou talvez, simplesmente New Weird (mas confesso que entendo pouco deste gênero).

 Não foi um livro fácil de ler, pois durante quase todo desenrolar da trama algo ficava faltando para dar liga e transformar o livro num “virador de páginas” (aqueles que não conseguimos parar de virar as páginas). Não digo com isso que o livro seja ruim, na verdade, há muitos elementos nele que me agradaram. Vamos a eles.

Elantris – Brandon Sanderson

Capa ElantrisComigo é assim, não sei com você. Quando pego um livro de fantasia para ler quero me envolver com os personagens e ser transportado para uma outra realidade. É por isso que tenho achado Brandon Sanderson um escritor maravilhoso.

Depois de ler alguns livros do Sanderson, percebemos algumas de suas virtudes: sólida construção de personagens, conflitos a serem resolvidos por estes personagens, criação de mundos de fantasia críveis, presença de tramas de cunho político, criação e uso de religiões como parte das tramas, sistemas de magia criativos e cujas regras ficam evidentes aos leitores, conferindo “realidade” à magia, capacidade de criar boas cenas de ação e em alguns casos, suspense.

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