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Rainha da Tempestade – Marion Zimmer Bradley

A RAINHA DA TEMPESTADEQuando eu era moleque, li o primeiro livro da série Darkover, chamado A Chegada em Darkover. Essa é uma série de livros, com mais de 15 títulos, muito famosa que mescla ficção científica com fantasia. Também é considerado como do subgênero Romance Planetário. A premissa da série advém da colonização acidental deste planeta, que orbita uma gigante vermelha e tem quatro luas, por humanos. Muitos anos após a colonização, o uso de tecnologia se torna mais restrito e a sociedade entra num período feudal, com existência de guerras e disputas de famílias nobre sobre diversos feudos.

A Rainha da Tempestade se passa mil anos depois da chegada dos humanos e sua trama gira em torno de duas figuras principais, Allart, um dos principais herdeiros da mais forte família Hastur e Dorilys, uma menina-moça, herdeira do domínio de Aldaran e que possui fortes poderes psíquicos aqui chamados de laran.

Allart possui o laran da presciência e é atormentado por ele. Outra coisa que o incomoda é o programa de reprodução coordenado pelas leronis a fim de perpetuar e ampliar a existência dos poderes psíquicos nas linhagens nobres. Ao lado de Allart surgem outras figuras femininas fortes como Cassandra e Renata, também portadoras de laran. Já Dorilys é uma jovem voluntariosa que luta contra a maldição de seus próprios poderes. Personagens femininos fortes são uma característica conhecida das obras da autora, como por exemplo a série As Brumas de Avalon.

Como temas dominantes vemos a questão do sexismo, sexualidade, mau uso da tecnologia, orgulho, amor e submissão. É uma obra que se aproxima mais de fantasia do que de ficção científica. A própria questão dos poderes psíquicos e da super-ciência tornam a parte científica mais parecida com magia efetivamente.

Os conflitos internos nos personagens, algumas reviravoltas no enredo e algumas questões interessantes da ambientação tornam a leitura do livro agradável prendendo a atenção do leitor. Não é exatamente um livro de aventuras, apesar de haver alguma ação, de maneira que ficamos focados no desenrolar da trama dentro da temática explorada. Ao tempo todo, ficamos na expectativa de um desenrolar trágico se se confirma em alguns casos e em outros não.

Voltar a ler essa série foi bom e despertou a curiosidade para ler os demais livros. Um aspecto que parece interessante na série é que o fato dos livros funcionarem como estórias independentes e serem agrupados por eras, como a Era do Caos, Os Cem Reinos, Reencontro, etc.

Enfim, Rainha da Tempestade é um livro já um pouco antigo(1978), escrito por uma autora consagrada e que apresenta uma mistura de fantasia com ficção científica, trama interessante, personagens fortes, locações que estimulam a imaginação e a discussão de alguns temas presentes nos conflitos de poder que vemos em nossa sociedade.
Vale a leitura, recomendo!

O Código Élfico – Leonel Caldela

Código ÉlficoSanto Ossário, a cidade para onde todos voltam, uma pitoresca cidadezinha brasileira de interior, chega a ser um personagem na trama ousada delineada pelo autor em O Código Élfico. Digo ousada, por que não é todo dia que nos deparamos com a mesclagem de gêneros e temas que Leonel empreendeu para constituir este romance. Talvez a mais relevante seja a ideia de mesclar fantasia de origem estrangeira (no caso nórdica) num pano de fundo de brasilidade, algo que é possível encontrar na literatura de cordel, ou na série de Roberto Sousa Causo, a Saga de Tajarê. Mas o Código Élfico não se enquadraria no gênero borduna e feitiçaria, tampouco espada e magia. De algum modo, lembra uma das séries de Michael Moorcock, The Dreamthief’s Daughter, The Whitewolf’s Son e The Skraeling Tree. Nela, um dos personagem clássico de histórias de espada e magia, Elric visita a terra através de Ulric Von Bek, e por exemplo, há uma batalha entre uma revoada de dragões montados pelos lordes de Melninbonè contra esquadras de aviões da Luftwaffe durante a segunda guerra mundial. Em o Código Élfico, vemos elfos montados em grifos combatendo helicópteros Apache, Black Hawks e aviões bombardeiros.

A mesma vibe.

Aliás, definir o gênero do livro é um pouco desafiador, pois ele varia ao longo do livro. Em alguns momentos, predomina o horror, em outros, há uma pitada de sátira envolta no uso de meta linguagem de filmes e da própria ficção literária. Em outros, há um tom de narrativa oriental, zen-budismo e momentos “filosóficos”. Ali na esquina, estamos beirando o gênero de super-heróis, com socos que arremessam inimigos a vinte metros de distância e monges que provocam tufões arrasadores soprando automóveis e outras coisas. Há também uma pitada de fantasia e magia, aqui e ali, e mesclagem com alta tecnologia, engenharia genética e outros bichos. Sei lá, algo como salada fantástica horrorífica à brasileira. Ou talvez, simplesmente New Weird (mas confesso que entendo pouco deste gênero).

 Não foi um livro fácil de ler, pois durante quase todo desenrolar da trama algo ficava faltando para dar liga e transformar o livro num “virador de páginas” (aqueles que não conseguimos parar de virar as páginas). Não digo com isso que o livro seja ruim, na verdade, há muitos elementos nele que me agradaram. Vamos a eles.

Elantris – Brandon Sanderson

Capa ElantrisComigo é assim, não sei com você. Quando pego um livro de fantasia para ler quero me envolver com os personagens e ser transportado para uma outra realidade. É por isso que tenho achado Brandon Sanderson um escritor maravilhoso.

Depois de ler alguns livros do Sanderson, percebemos algumas de suas virtudes: sólida construção de personagens, conflitos a serem resolvidos por estes personagens, criação de mundos de fantasia críveis, presença de tramas de cunho político, criação e uso de religiões como parte das tramas, sistemas de magia criativos e cujas regras ficam evidentes aos leitores, conferindo “realidade” à magia, capacidade de criar boas cenas de ação e em alguns casos, suspense.

The Tombs of Atuan – Ursula K. Le Guin

The Tombs of Atuan

Este é o segundo livro da série Earthsea. É a estória da jovem Tenar, ou Arha, a reencarnação da sacerdotisa chefe culto aos “Não nomeados (Nameless Ones)”, uma religião quase esquecida. Sua tarefa de vida é ser a guardiã das Tumbas de Atuan. E para os que leram o primeiro livro da série é oportunidade de reencontrarmos o mago Ged, mais conhecido como Sparrowhawk, que figura como personagem secundário na trama. (Leia sobre A Wizard of Earthsea)

É um livro que começa com um passo lento, e que tende a se manter por quase toda a narrativa. Mas isto não significa que seja entediante. Se passa praticamente numa única locação, isolada e claustrofóbica. A autora estabelece uma atmosfera introspectiva e sombria. Um livro que mostra o estilo de vida reservado das sacerdotisas que guardam os velhos rituais, conhecimentos e as tumbas, em si.

Ahra é confiante para alguns assuntos, mas muito insegura para outros e suas dúvidas e incertezas são projetadas de algum modo aos leitores. No decorrer da narrativa, se mostra uma heroína forte que descobre maneiras de confrontar graves questões. Ela foi doutrinada numa religião dura e antiga e muitos de seus preceitos colocam-na em dúvida sobre as decisões que deve tomar e como deve agir. É um tipo de história na qual a protagonista evolui seu entendimento sobre as coisas e sobre sua própria vida.

Swords and Deviltry – Fritz Leiber

Swords and DeviltryRecentemente falamos do autor estadunidense Fritz Leiber, agora vejamos o título “Swords and Deviltry”, mencionado na lista de 100 livros de fantasia de leitura mandatória (100 Must Read Fantasy Novels) de Stephen E. Andrews e Nick Rennison.

Este título é uma coleção de contos com os memoráveis personagens Fafhrd e Gray Mouser. Os contos reunidos foram publicados entre 1957 e 1970.

Vamos aos contos.

Induction (1957)

Na verdade não é um conto, mas uma pequena introdução ao mundo de Nehwon, uma breve visão de sua geografia, sua mais famosa cidade, Lankhmar, e seus dois célebres personagens, Fafhrd e Gray Mouser.

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