Entrevista com Diego Guerra – autor de O Teatro da Ira e O Gigante da Guerra.

Diego Guerra é formado em Produção Editorial pela Anhembi Morumbi e em roteiro pela Academia Internacional de Cinema. Trabalha como designer e é fã de literatura fantástica e romances históricos. Passou os últimos quinze anos escondendo suas obras nas gavetas, mas resolveu que já estava pronto para contar suas aventuras. Autor da série online Chamas do Império, que foi selecionado pelo catálogo da Editora Draco.

Fale um pouquinho sobre você, para seus leitores o conhecerem um pouco mais. Se puder, conte algo além do que já divulga na sua biografia.

Uau, vamos ver. Eu sou formado em produção editorial. Em um momento da minha vida alguém me convenceu de que eu nunca seria um escritor, então eu resolvi que trabalharia com o livro dos outros para me satisfazer, assim, meio sem querer, acabei bandeando para o lado da arte e me tornei designer, mas o objetivo principal sempre foi escrever, o resto eu fiz para pagar as contas.

No fim acho que não me desviei muito do meu caminho. Tenho uns amigos que queriam ser cantores, pintores, mil coisas e acabaram em um emprego completamente diferente. Acho que no fim eu acabei meio por teimosia na mesma área. A verdade é que não me vejo fazendo nada diferente e já pensei muito nisso.

Quando percebeu que queria escrever um romance, e ainda, por que o gênero de fantasia?

Percebi que queria escrever histórias assim que aprendi a ler. Deixava meus pais loucos, juntava todos os trocados para comprar livros. Minha família era muito pobre na época e a maioria dos livros que eu lia tinham sido herança dos meus tios e não eram para a minha idade. Ao mesmo tempo, eu colecionava artigos científicos e teorias bizarras… e gostava de inventar histórias para todas as coisas. Na verdade não escolhi a fantasia, eu fui descobrir o que eu estava fazendo muito mais tarde e até tentei escrever outras coisas por um tempo. Me disseram que eu tinha que escrever “coisas sérias” e eu tentei escrever crônicas, tentei romances existencialistas, mas não sou eu. Na fantasia eu me sinto mais à vontade.

Quais são suas principais referências na literatura?

Olha, como leitor eu me dediquei a tudo um pouco. Sou grande fã de realismo mágico, sobretudo Borges, Saramago e J.J. Veiga, mas nunca esqueci aquele sentimento de assombro que tinha com os romances de aventura como os livros do Stevenson ou Júlio Verne. Acho que tudo me tocou um pouco e fui mudando conforme lia. Ouvi um “click”, mesmo, quando li Bernard Cornwell, Yoshikawa e Dickens, foi quando eu comecei a encontrar o que eu queria escrever. Sei que eles parecem não conversar entre si, mas acho que como autor foram as obras que mais me influenciaram. Em algum momento também conheci Tolkien – não tem como ser escritor de fantasia sem ter ao menos conhecido Tolkien – mas acho que o que eu faço fica muito distante dele. Talvez me identifique mais com Michael Moorcock.

Legal, o Moorcock foi um dos que me fisgou para o gênero. Ainda tenho o projeto de ler todos os livros dele, acho que já estou na metade.

Moorcock é incrível, na minha opinião é um cara tão importante quanto Tolkien para o gênero. Tolkien era um acadêmico, sua obra é uma perfeição a parte, mas o Moorcock teve grande contribuição na disseminação e atualização da fantasia… Antes todos queriam ser Tolkien. Depois do Moorcock, as pessoas começaram a procurar histórias diferentes. No meu panteão, ambos dividem o trono.

Bacana, eles realmente merecem! O que você tem lido?

No momento tenho lido muitos livros teóricos, estou terminando a leitura do “Gigante Enterrado” do Ishiguro, “O Poder da Espada” do Abercrombie e “Como Funciona a Ficção” do James Wood.

Nossa, a trilogia da Primeira Lei, de Abercrombie “estourou a minha cabeça”!

Eu comecei a ler o Abercrombie porquê muita gente compara o meu livro com este, mas ainda estou bem no começo. Gostei do ritmo e tive uma boa impressão dos personagens… Mas ainda é cedo para dar um veredito.

Sobre a belíssima ilustração da capa de O Teatro da Ira (resenha) feita pelo ilustrador Camaleão. Como foi o processo de criação? Você participou? Ou foi algo que ocorreu através da editora?

Puxa, isso foi uma novela à parte… Sou designer, como vc sabe, é gosto muito de trabalhar com capas… Então eu fiz o projeto gráfico e contratei um ilustrador excelente para desenvolver a ilustração da batalha da ponte… Infelizmente o cara pisou na bola, e desapareceu. Levou 6 meses para eu recuperar o sinal que eu tinha pago. Nesse meio tempo, eu tentei resolver a capa de outra forma, inclusive fiz uma ilustração eu mesmo:

http://diggs.com.br/2016/02/05/teatro-da-ira-design-de-capa/

Só que, como vocês podem ver, meu traço era muito juvenil para a história… Quando eu apresentei pra Draco eles sugeriram outro ilustrador. Não tinha ideia de quem seria e nessa altura do campeonato apenas confiei no editor. Uns meses depois recebi esse presentão que foi uma capa do Camaleão. Até hoje não entendo como isso foi possível. O trabalho dele é incrível.

Li uma postagem sua falando sobre dificuldades para escrever a continuação de Teatro da Ira. Isso continua? Fale um pouquinho sobre isso.

Olha, eu nunca pensei que existiria essa dificuldade… Eu planejei os romances do Chamas do Império de forma semi-independente, montando arcos e deixando algumas pontas soltas para as possíveis continuações. Tem sempre um desejo de fazer melhor, sem menosprezar o primeiro e dando espaço para o próximo. E acho que tenho sido muito exigente comigo mesmo, para não decepcionar os leitores. Corrigir as coisas de acordo com o feedback que recebi do Teatro, também é uma preocupação.

Uma vez li um artigo do Asimov relatando a dificuldade de escrever sexto (ou quinto) livro da série Fundação. Para ler o segundo, leu o primeiro 2 vezes, o terceiro, o primeiro e segundo, mais vezes ainda, e assim progressivamente… até que ele disse que estava quase enlouquecendo.

Pois é. Eu sinto um pouco disso. Até porquê eu faço MUITOS tratamentos. Então, tem até isso, a história que eu tenho na minha cabeça às vezes é diferente da história que chegou aos leitores. Daí preciso sempre consultar para saber se aquilo aconteceu oficialmente ou foi só um tratamento que ficou para trás.

Mas está progredindo, certo?

Muito mais lentamente do que eu gostaria, mas sim, temos algum progresso e tem sido divertido ver a evolução da história.

Muitos de meus livros tem fortes relações com jogos de RPG (de mesa). De onde veio sua inspiração para Chamas do Império? Sua ideia é escrever uma série? Tem mais ou menos noção do tamanho?

A origem do Chamas do Império é uma história que eu escrevi em um universo inspirado em RPG de mesa… No decorrer daquela história dois personagens conversavam sobre um antigo Império que abraçava todos os reinos daquela região e foi por conta dessa linha de diálogo que eu comecei a imaginar como seria um Império tão vasto. Foi assim que nasceu as Chamas do Império.

Para escrever acabei me baseando bastante no Império Romano, nessa hora a obra de Edward Gibbon foi importantíssima, mas como queria escrever uma história de guerra, também fui atrás de livros da Segunda Guerra para me inspirar em algo mais moderno… No fim, a gente acaba sempre escrevendo sobre nós mesmos e sobre a nossa época, não é? Então eu acabei acrescentando questões que me interessam, como a escravidão, o preconceito e a luta de classes.

Aquela história inicial serviu apenas para me fazer questionar sobre a origem das coisas e me fez construir um universo muito mais rico, mas a verdade é que ela já não faz sentido algum para mim hoje.

Eu tenho ideia para muitos livros envolvendo os personagens do Chamas do Império, mas a verdade é que tenho outros projetos que quero escrever também, então resolvi fechar um arco importante da história antes de dar uma pausa e trabalhar nestes outros projetos um pouco. Estou falando em 3 ou 4 livros, com a mesma estrutura de arcos intercalados. Depois disso… veremos.

Achei que seu epílogo em forma de nota histórica agigantou seu romance. É uma inspiração vinda de Bernard Cornwell?

Minha primeira ideia era escrever um livro com notas de rodapé. Eu ia acrescentar as anotações sobre a paisagem, as pessoas, sempre do ponto de vista de um autor fictício do mundo. Quando comecei a fazer isso, porém, achei que estava ficando muito cansativo.

Acho que uma das minhas questões favoritas é “onde está a verdade?” Se você reparar, o Teatro da Ira é cheio de meias-verdades. Cada um tem a sua versão da história. As Notas Históricas foi um jeito de mostrar isso de forma clara, mas sim, Bernard Cornwell me mostrou como fazer isso. Enquanto as notas históricas dele tentam desvendar onde foi que ele “mentiu”, as minhas servem para mostrar que todos estão mentindo.

Pretende participar do NaNoWriMo 2017? Escreveria o primeiro esboço de um romance novamente em apenas um mês?

Olha, eu participei do NaNoWriMo 2015 e escrevi o Gigante da Guerra. Foi uma experiência devastadora, de várias formas… Não sei se faria novamente, mas se o fizesse, dificilmente o faria com Chamas do Império. Os romances são longos demais para isso.

Falando sobre outros livros, você comentou numa outra entrevista que é um pouco pessimista quanto ao ser humano e que isso aparece um pouco em suas obras. Você se vê escrevendo um romance que transmita uma mensagem otimista?

Sabe aquelas notícias sobre “Nasa anuncia que o mundo vai acabar nesta quinta feira?” Isso pra mim é otimismo. Falando sério. Eu adoraria. Gostaria mesmo de conseguir escrever algo que transmitisse algo bom para as pessoas, mas sempre que tento algo assim me parece falso. É um ponto fora da minha zona de conforto. Quem sabe um dia?

Seu romance, O Gigante da Guerra, tem alguma relação o universo de Chamas do Império?

Ah! O gigante da Guerra!  Sim e não. Ele se passa no mesmo universo, mas acontece anos antes e numa região diferente do Império… Então temos as mesmas raças, a mesma sociedade, mas vemos a história toda por um outro prisma. Você não precisa conhecer um para entender o outro.

O Gigante da Guerra se passa uns vinte anos antes, no fim da Guerra das Almas… Com o Império em seu pior momento. Conta a história de dois jovens que não tem nada de aventureiros ou heroicos, tentando sobreviver tomando decisões muito difíceis. Acho que é uma fantasia mais perto do realismo mágico.

 

Li um artigo seu sobre Viver de Escrever. É um pouco raro encontrar autores brasileiros, em especial da literatura de gênero, que vivem de escrever. Isso é uma aspiração sua? Como vê esse caminho?

Acho que viver de escrever é ter mais tempo para escrever e isso é algo que todo autor deve desejar. Seria ótimo não ter que espremer a produção literária entre um boleto pago e outro, mas sei que isso é raro, praticamente impossível, então toco a vida. Não vou deixar de escrever, isso não vai acontecer, mas gostaria de ter tempo para que as coisas andassem mais rápido.

É um ciclo. Existe uma forma de sair deste ciclo, mas é complicado. Uma vez tive o prazer de conversar com o Ulisses Tavares, um autor da velha guarda que me explicou como ele vive como autor. O segredo era (pausa dramática): ele tinha na época 140 livros publicados.

UAU, 140!

Destes 140 livros, alguns vendiam bem, outros vendiam mal… mas eram 140 livros. Sempre tinha alguma coisa para receber. É a mesma lógica de uma editora, a tal da Cauda Longa. Ganhar um pouco de cada livro. Bom, para mim faltam só 139 agora.

[risos] Ótima perspectiva! Isso sim é otimismo. Bem, novamente, agradeço demais. Foi um ótimo bate papo!

Eu que agradeço. Acho ótimo falar com outro colega escritor. É sempre divertido.


Então pessoal, espero que tenham gostado. Abaixo separei alguns links úteis:

 

 

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Joe Abercrombie – Mini Biografia, Obras e Entrevistas

Esse é um dos autores de fantasia mais excepcionais que conheci ultimamente. Eu já resenhei aqui, alguns de seus livros. Quando encontro alguém bom assim, fico com muita vontade de compartilhar e divulgar, então resolvi fazer uma pesquisa baseada em várias fontes e entrevistas para falar um pouco mais sobre ele. Então, vamos lá!

Um pouco de sua biografia

Abercrombie nasceu em Lancaster, no condado de Lancashire, noroeste da Inglaterra, mesma região natal de Joseph Delaney (postagem anterior). Nos seus anos de estudante, jogava muito videogame e RPGs de mesa, rolando dados e desenhando mapas de lugares que não existem. Sempre sonhou em conseguir redefinir o gênero de fantasia e assim, começou a escrever uma trilogia épica contando as desventuras do bárbaro Logen Nove Dedos. Mas sua primeira tentativa foi mal sucedida.

Ele mudou-se para Londres para tentar ganhar a vida. Anos depois, em 2002, sentou-se novamente para reescrever as desventuras de Nove Dedos. Desta vez, o resultado foi muito mais interessante.

Completou o primeiro volume O Poder da Espada (The Blade Itself) em 2004. Livro que foi rejeitado por muitas agências literárias da Inglaterra, até que em 2005, foi aceito pela Gillian Redfearn of Gollancz. Um ano depois, foi publicado como primeiro volume da Trilogia da Primeira Lei. Agora, já publicada em mais de treze países.

Em 2008, Joe foi finalista do prêmio John W. Campbell como melhor escritor estreante. No mesmo ano, contribuiu para a série da BBC Worlds of Fantasy ao lado de autores como  Michael Moorcock, Terry Pratchett and China Miéville.

De 2009 a 2011 publicou mais três livros do mundo da Primeira Lei, Best Served Cold, The Heroes e Red Country, todos ainda inéditos no Brasil.

Foi em 2014 que começou a publicar sua nova série, a Trilogia do Mar Despedaçado. Os primeiros dois livros, Meio Rei e Meio Mundo, já foram publicados no Brasil e Meia Guerra, ainda é um lançamento muito aguardado…

Em 2015, venceu o Prêmio Locus na categoria melhor romance Young Adult com Meio Rei.

No Brasil, seis de seus livros foram publicados pela editora Arqueiro.

Obras

Algumas capas nacionais e internacionais da maior parte das obras do autor.

Joe por Joe

Para essa seção, selecionei trechos de diversas entrevistas e bate-papos dos quais o autor participou ao longo dos anos.

Escrita

Você sente que se desenvolveu como autor durante a escrita de seus 5 primeiros livros? Em que mudou/se desenvolveu? Acha que ainda tem o que aprender? (mais…)

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Entrevista com Joseph Delaney, autor da série As Aventuras do Caça-Feitiço

Uma das séries que li e mais gostei ultimamente é a das Aventuras do Caça-Feitiço. Então, veio também o interesse de saber um pouco mais sobre o autor. Encontrei essa aqui no site oficial, que saiu no The Book Collector em 2010.

Qual foi o primeiro livro que gerou um grande impacto em você e colocou-o no caminho para se tornar um autor?

Foi “O Senhor dos Anéis” e me trouxe um gosto verdadeiro pelo gênero de fantasia. Por muitos anos eu fiquei tentando e falhando em ser o próximo Tolkien! Fui rejeitado por editoras por mais de 96 vezes.

Poderia nos contar um pouco sobre sua história. O que você fazia antes de se tornar um autor em tempo integral?

Eu trabalhava como professor, minhas disciplinas eram Inglês, Cinema e Estudos Midiáticos. Antes disso, quando tinha uns vinte anos, trabalhei como engenheiro, quando havia terminado meu papel como aprendiz, assim como Tom Ward na série do Caça-Feitiço.

Como, quando e porque decidiu tornar-se um autor?

Eu leio muito e sempre que lia um livro de que gostava mesmo eu pensava “Eu queria ter escrito isso!”

Seu primeiro livro publicado era de Ficção Científica. Levou muito tempo até conseguir vê-lo materializado?

Meu primeiro livro foi publicado por uma editora pequena e independente. Foi muito legal ser editado, mas as vendas foram relativamente pequenas. Mas foi legal ver meu trabalho disponível em livrarias.

Quando veio a ideia para a série do Caça-Feitiço? (mais…)

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Swords and Deviltry – Fritz Leiber

Swords and DeviltryRecentemente falamos do autor estadunidense Fritz Leiber, agora vejamos o título “Swords and Deviltry”, mencionado na lista de 100 livros de fantasia de leitura mandatória (100 Must Read Fantasy Novels) de Stephen E. Andrews e Nick Rennison.

Este título é uma coleção de contos com os memoráveis personagens Fafhrd e Gray Mouser. Os contos reunidos foram publicados entre 1957 e 1970.

Vamos aos contos.

Induction (1957)

Na verdade não é um conto, mas uma pequena introdução ao mundo de Nehwon, uma breve visão de sua geografia, sua mais famosa cidade, Lankhmar, e seus dois célebres personagens, Fafhrd e Gray Mouser. (mais…)

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Fritz Leiber

Fritz LeiberFritz Leiber (Jr.) (1910-1992) foi um importante escritor estadunidense dos gêneros de fantasia, horror e ficção científica. Filho do ator Fritz Leiber, ele também atuou em filmes e escreveu alguns roteiros para o cinema.

Fafhrd e Gray Mouser

É muito conhecido por sua série de fantasia heroica protagonizada pela dupla Fafhrd e Gray Mouser. Os contos iniciais foram eventualmente reunidos sob nome da série “Swords” (Espadas). Assim foram publicadas as coleções “Swords and Deviltry” (1970), “Swords Against Death” (1970), “Swords in the Mist” (1968), “Swords Against Wizardry” (1968), “Swords and Ice Magic” (1975), “Farewell to Lankhmar” ou “The Knight and Knave of Swords” (1988) e “Swords Against the Shadowland” (2012). Houve também algumas adaptações para quadrinhos como a série que saiu pela Dark Horse Comics. (mais…)

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Entrevista com Terry Brooks – Atualizada

Atualizado – veja uma palestra do autor no final do artigo.

Aproveitando que estou lendo o romance The First King of Shannara de Terry Brooks e que ele é um dos autores listados no livro 100 Must Read Fantasy Novels, resolvi traduzir essa entrevista que ele cedeu ao site Goodreads em agosto de 2010. Prefere ler o original em inglês? Vai lá!

Terry BrooksO escritor norte-americano Terry Brooks tem escrito títulos de fantasia épica por mais de 30 anos. O livro, The Sword of Shannara tornou-se um best-seller em 1977 e foi o prímeiro título publicado pela Del Rey Books, que atualmente publica muitos títulos de ficção científica e fantasia. Desde então, Brooks escreveu mais de vinte romances no universo de Shannara universe, cheios de elementos familiares como elfos, magica e buscas heróica num planeta Terra futurístico séculos após uma devastação nuclear e química. Bearers of the Black Staff, seu mais novo livro, introduz uma nova geração dos Shannara. Brooks revealou ao Goodreads sua vasta estratégia para escrever milhares de anos de história.

Goodreads: Bearers of the Black Staff inicia 500 anos após seu último trabalho, The Gypsy Morph. O que os leitores podem esperar desta nova aventura?

Terry Brooks: É parte da pré-história do mundo de Shannara. Ocorre como uma saga de gerações separada das demais. Porque ocorre 500 anos no futuro, temos todo um novo grupo de personagens, e é desta maneira que eu gosto de trabalhar. Em The Gypsy Morph, os sobreviventes do mundo antigo estavam isolados em um vale protegido. Agora essas proteções que funcionaram por 500 anos estão se perdendo, então, eles têm que voltar para o mundo que foi destruído e descobrir o como estão as coisas lá fora. Para mim, a pergunta era: Se destruíssemos nosso mundo, não restando literalmente nada, e fossemos reduzidos ao modo de vida de caçadores-coletores, como é voltaríamos ao ponto em que a civilização fosse capaz de voltar a funcionar? Eu desejava saber como responderíamos a uma situação assim e como faríamos para retormar o estágio anterior. (mais…)

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Michael Moorcock

Michael MoorcockAproveitando que estou em plena leitura de mais uma série de Michael Moorcock (Oswald Bastable – The Nomad in the Time Streams), que, não por acaso, é meu autor favorito, damos sequência aos artigos da série, “Must Read Fantasy Novels” – Romances de Fantasia que você deve ler, inspirado nos livro (100 Must Read Fantasy Novels de Stephen Andrewsand e Nick Rennison e outras fontes), vamos falar um pouco sobre Michael Moorcock e alguns de seus livros.

Nascido em 1939 atuou como editor, além de autor, e é considerado pela Enciclopédia da Fantasia como o autor britânico de Fantasia mais importante dos anos 1960s e 1970s e mais notável autor britânico do gênero Sword and Sorcery (Espada e Magia), gênero no qual se inspirou, mas também transformou. Um parêntese que cabe sobre o gênero Sword and Sorcery é que começou a ser utilizado após uma ocasião em 1961, o próprio Moorcock requisitou um termo para descrever o subgênero de fantasia em que heróis “musculosos” entravam em conflito com uma variedade de vilões, principalmente feiticeiros, bruxos, espíritos malígnos e outras forças sobrenaturais. Fritz Leiber (da série Lankhmar) sugeriu “Sword and Sorcery” e o termo pegou. Voltando ao Moorcock, ele também é um expoente dos gêneros: Science Fantasy, Urban Fantasy, Gaslight Romance e Steampunk.

Ele foi muito importante para a manutenção da tradição em torno do fantástico dentro da literatura geral expandindo as barreiras da fiçcão através de seu trabalho como “romancista social”, escritor de FC, editor de revistas e inovador em Espada e Magia. Autor profissional desde os quinze anos de idade, tem construído uma carreira sem barreiras com conquistas também na música, poesia e quadrinhos.

Já foi dito boa parte de seus escritos poderiam ser entendidos como uma única e massiva obra que se passa no conjunto de realidades alternativas que o autor chamou de Multiverso (ah, sim, é em homenagem a Moorcock que crei o Selo Multiversos). Entre suas célebres séries temos o conceito do Eternal Champion (Campeão Eterno).

Vale uma visita no www.multiverse.org para obter uma melhor visão deste com bibliografia atualizadas e debates relacionados à complexidade e múltiplas obras relacionadas entre si.

Como disse seu personagem, Erekosë, no prólogo de The Dragon in the Sword: “Eu sou John Daker, a vítima dos sonhos do mundo todo. Eu sou Erekosë, Campeão da Humanidade, que matou a raça humana. Eu sou… Elric Womanslayer, Hawkmoon, Corum e muito outros – homem, mulher ou andrógeno. Eu já fui eles todos.”

Não há uma ordem lógica para conhecer o Multiverso de Moorcock, mas os autores de 100 Must Read Fantasy Books escolheram o personagem/romance, Elric of Melnibone como o melhor lugar para começar (eu não discordo).

Condenado e exausto, Elric é complexo e um personagem convincente, um ícone proscrito do gênero Espada e Magia. É um anti-Aragorn, um não-Conan.

E Moorcock é viciante. Quanto mais você lê e relê leus livros, mais conexões surgem… Ele é fabuloso e reconhecido assim por muitos, não é atoa que é meu autor favorito.

Romances recomendados (2!) da lista dos 100:
Elric of Melnibone (1972)

O império de Melnibone vem se desgastando por eras. Sob sua sombra decadente, os “Jovem Reinos” da humanidade estão lutando para dominar o mundo. Os “Melniboneans” são crueis, frios, adeptos de feitiçaria, tradicionalistas austeros que já governaram com punhos de ferro. Elric, o imperador anêmico e albino, tem saúde frágil e é mantido vivo através de feitiços e ervas, deseja poder evitar as responsabilidades de seu trono e gastar seu tempo ponderando sobre as implicações de novos conceitos como “moralidade”. A corte de Melnibone frequentemente duvida de sua capacidade e deseja um monarca mais duro e convencional para ocupar o Trono de Rubi. Tal figura está a espreita, trata-se de Yyrkoon, o primo malévolo de Elric. Oportunamente Yyrkoon age iniciando uma cadeia de eventos que impulsiona Elric ao cumprimento de seu destino. Auxiliado por seu patrono, o demônio Arioch, (o Cavaleiro das Espadas), Elric confronta Yyrkoon no Plano Místico onde duas espadas negras pulsantes ficam suspensas com runas brilhando em suas lâminas. Estas lâminas conscientes bebem almas e Elric apodera-se de uma delas chamada Stormbringer. Com ela ele irá trair seu povo, condenar seus queridos e abraçar sua estranha busca para encontrar o significado da existência. O livro dá partida à serie com que é bastante recomendável aos que gostam de lutas épicas (e sangrentas) cheias de simbolismo e questões existenciais.

The City in the Autumn Stars (1986)

Durante o “Terror” de Robespiere que seguiu-se à Revolução Francesa, Manfred Von Bek, cuja família é tida como serva de Satã na busca do Cálice Sagrado (ver nossa resenha de The War Hound and the World’s Pain) e buscadores para a cura dos males do mundo, mal escapa de Paris.
Depois de várias aventuras, Von Bek finds chega versão fantástica de Mirenberg (localizada em Mintelmarch) onde se encontrará com o filósofo Fox que admira Diderot e a incomparável lady Libussa. Enquanto isso, o vilão Klosterheim e seus servos possuem planos para trazer problemas a Von Bek, que por sua vez, se envolve com Libussa num experimento alquímico que espelha os eventos chave dos romances de Jerry Cornelius.

Embora o livro possa ser lido como uma história a parte é também parte da sequencia de romances da dinastia Von Bek que mais tarde também cruza com as últimas aventuras de Elric na trilogia “Dreamthief”.

Por si só, este romance é elegante e cheio de referências cruzadas para aqueles que conhecem bem o Multiverso.

Eu acrescentaria, sem medo algum a estas sugestões de Stephen Andrewsand e Nick Rennison os seguintes títulos:

A série de Dorian Hawkmoon (The History of the Runestaff)
The Jewel in the Skull
The Mad God’s Amulet (aka Sorcerer’s Amulet)
The Sword of the Dawn
The Runestaff (aka The Secret of the Runestaff)

A primeira série do Príncipe Corum (The Swords Trilogy/The Swords of Corum/Corum: The Coming of Chaos)
The Knight of the Swords
The Queen of the Swords
The King of the Swords

Toda série de Elric
Elric of Melniboné
The Sailor on the Seas of Fate
The Weird of the White Wolf
The Sleeping Sorceress
The Bane of the Black Sword
Stormbringer
Fortress of the Pearl
Revenge of the Rose

E a trilogia Elric/Von Bek
The Dreamthief’s Daughter (2001) ISBN 0-446-61120-4
The Skrayling Tree (2003) ISBN 0-446-53104-9
The White Wolf’s Son (2005) ISBN 0-446-61745-8
Bem, a bibliografia de Moorcock e vasta e viciante. Conheça mais em: http://www.multiverse.org/wiki/index.php?title=Concise_Bibliography Vale conferir também a lista de leitura recomendada no Multiverse.org: http://www.multiverse.org/fora/showthread.php?t=3562

Infelizmente há uma grande barreira entre este grande autor e o público brasileiro… Apenas uma pequena fração de suas obras foram traduzidas. “<Desejo Mode> Um dia quando crescer e se puder, eu vou editar muitos títulos dele aqui…</Desejo Mode>”

Até lá, temos que nos contentar com umas poucas traduções feitas por nossos colegas de Portugal, ou para quem tem a sorte de ler bem em Inglês, ler os livros no idioma original.

[Atualizado] Este artigo do site MeioOrc fala sobre a chegada de editora Saída de Emergência ao Brasil. Torcemos para ter títulos do Moorcock em português brasileiro logo mais!

[Atualizado]  Saiu pela Arte & Letra em parceria com a Argonautas, Crônicas de Espada e Magia, uma antologia de contos de autores brasileiros, estrangeiros e dentre estes, um conto de Michael Moorcock.

Leia também:

A entrevista que traduzimos da SFF-World;

Resenhas:

Mais artigos desta série:

 

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Poul Anderson

Poul Anderson
Poul Anderson

Este é o primeiro artigo da série “Must Read” que pretendo escrever pelos próximos anos. Tive a idéia depois de obter o livro 100 Must Read Fantasy Novels de Stephen E. Andrewsand e Nick Rennison. Mas já arrumei algumas outras fontes também e que me servirão de guia de leitura para conhecer melhor o gênero, como The 100 best books de James Cawthorn e Michael Moorcock.

Poul Anderson (1926 – 2001) foi um escritor norte-americano da Era Dourada da ficção científica, mas também escreveu livros de fantasia como a série King of Ys e o livro The Broken Sword. Ele deve ter escrito uma boa centena de livros e recebeu diversos prêmios, como o Hugo (sete vezes!).

O livro recomendado (e que já estou lendo, lá pelos 70%) é The Broken Sword (1954). O autor foi um conhecedor da mitologia nórdica e descendia de dinamarqueses. A história é sobre o conflito de dois povos míticos, Elfos e Trolls, inumanos antigos e brutais em sua natureza. Mais detalhes na resenha, que sai em breve (estou curtindo pacas).

O livro foi reconhecido como influenciador da série Elric de Michael Moorcock e é considerado um marco na história do gênero Espada e Magia (Sword & Sorcery).

Leituras relacionadas:

Poul Anderson:
– Three Hearts and Three Lions
– Hrolf Kraki’s Saga;
– The Merman’s Children
Anônimo
– Beowulf
Michael Moorcock
– The Knight of the Swords (já li, excelente!)

Outros autores desta série de artigos:

Michael Moorcock

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Entrevista(s) com Alan Dean Foster

Alan Dean Foster

Outro dia peguei uma adaptação de Alien o Oitavo Passageiro de Alan Dean Foster para dar uma olhada. Pesquisando mais sobre o autor descobri um fato curioso, que ele foi chamado por George Lucas para escrever, antes do filme sair, o livro Guerra nas Estrelas. E que também escreveu uma “continuação” chamada Splinter of the Mind’s Eye. Quando perguntaram a ele se foi difícil ver Lucas ganhando todo o crédito por Star Wars ele disse: “De modo algum. A ideia da estória era de George. Eu meramente a expandi. Não ter meu nome na capa do livro não me incomodou. (…)”

Foster já escreveu mais de 100 livros entre estes, muitas adaptações de filmes para livros como Alien e as continuações, Tranformers, Krull, Outland, Clash of Titans, etc. Além muitos livros de FC o autor também escreveu a série de fantasia, Spellsinger.

A seguir, trechos que gostei destas duas entrevistas com o autor que saíram na SFFworld.

Como você se interessou por ficção científica?

A: Meu pai lia um pouco de FC e sempre tinha algum livro pela casa. Meu tio era um grande fã de FC. Ele se tornou um produtor de TV (Batman, 77 Sunset Strip) mas nunca teve a chance de produzir obras de FC que amava. Ele se chamava Howie Horwitz.

O quanto de ciência e o quanto de ficção você acha que deveria haver em FC?

Deveria haver sempre um pouco de ciência, mas não necessariamente algo muito aprofundado. Se você considerar a psicologia como ciência, então Dostoevsky se enquadraria. Depende do quanto quiser flexibilizar a definição. Não sendo eu um cientistas, quando uso ciência mais a fundo em um livro (MIDWORLD, SENTENCED TO PRISM, etc.) eu sempre tento pesquisar minuciosamente.

Qual o aspecto mais desafiador ao escrever uma estória?

Criar personagens interessantes e verossímeis. Este e o centro de uma estória de sucesso. O resto é floreio. Talvez algum tipo de floreio muito interessante, mas apenas floreio. Vejamos a falha crítica do filme MISSION TO MARS. Todos pontos problemáticos estão nos personagens e no enredo, não nos aspectos de ficção científica.

Você escreveu “Splinter of the Mind’s Eye” e o primeiro original de “Star Wars”. Como o trabalho chegou a você?

Meu agente recebeu uma ligação do advogado de Lucas naqueles dias: Tom Pollock (agora um dos homens mais poderosos em Hollywood). Alguém havia lido meu livro ICERIGGER e sabia que eu já havia feito adaptações de filme para romance e pensou que eu poderia fazer a adaptação do novo filme de Lucas. Eu conhecia seu trabalho através de THX 1138 e American Graffitti. Aceitei a oferta de me encontrar com Lucas e o fiz na Industrial Light and Magic, naqueles dias, um pequeno armazém em Van Nuys, California (convenientemente perto da casa da minha família). Nos demos bem e peguei o trabalho para fazer dois livros. E foi assim que aconteceu.

O que a Internet significou para você como autor?

Muitos bons feedback de meus leitores e a chance de disponibilizar informações suplementares as quais os editores não gostam (vejam meu website) http://www.alandeanfoster.com

Você é uma autor proeminente de mais de 105 livros. O que isso significa para você?

É como tentar encontrar a mesma maneira de dizer essencialmente a mesma coisa, como “O céu é azul” oitenta e três vezes e não soar estúpido.

O que o atrai à FC?

Quando criança sempre quis ser um viajante. Fui influenciado pelo Tio Patinhas. Muitas vezes me perguntam sobre minhas quem me influenciou, eu respondo: Herman Melville e… Barks. Carl Barks escrevia e desenhava o Pato Donald e criou o Tio Patinhas. O Patinhas tinha penas e uma bengala, mas é basicamente um velho. Até onde me lembro é o único herói sênior de uma HQ e mesmo assim, acumulou centenas de aventuras ao redor do mundo. Barks não viajava, mas como fazem muitos escritores ele lia a National Geographic. Conhecia muito sobre o mundo e ciências e eu pensava “Gostaria de fazer isto também”. Não tenho a fortuna do Tio Patinhas, mas eu viajo bastante. Em relação à FC, estou preso a este planeta. Este é o único que irei ver, mas em minha imaginação, posso inventar lugares que gostaria de ver, culturas que gostaria de tomar contato e pessoas com as quais gostaria de me encontrar. Nenhuma delas existe de fato, mas ao inventá-las eu consigo ir a todos estes lugares. Isto funciona maravilhosamente. Sou uma espécie de viajante interestelar.

 Quando criança o que gostaria de ser?

Eu queria ser Francis Burton. Um homem que falava 45 línguas fluentemente, que escreveu um livro sobre esgrima, foi co-descobridor da nascente do Rio Nilo, o primeiro tradutor de As Mil e Uma Noites e o Kama Sutra, sujeito que viajou por todos os continentes, exceto Antártida e foi o primeiro não-muçulmano em Meca. Ele vestiu-se como um muçulmano, construiu um sotaque para cobrir as imperfeições de sua fala, fez circuncisão para ajudar no disfarce e foi até lá sabendo que seria morto se fosse descoberto. Coisas que eu nunca pude fazer pois estamos no século errado agora e não há mais locais não explorados em mapas e também por que eu não disponho de recursos para tal. Os pequenos espaços não explorados terão desaparecido em cem anos. Estamos na era em que o Google Earth pode indicar sua casa há milhas de distância.

Deixe-me perguntar sobre a adaptação que fez de Transformers, o filme. Adorei o filme e o livro. Quais são seus pensamentos sobre isto?

O sucesso do filme foi uma grande surpresa para muitas pessoas. (…) Foi o “maior” filme do ano. Muitos esperavam que o filme falhasse pois não gostavam de Michael Bay – eu não entendo por que as pessoas o odeiam. Nunca o conheci. Ele fez alguns filmes de altos orçamentos, alguns bem, outros não, mas isso pode ser dito sobre quase qualquer diretor. Por que ele inspira tanta polêmica?

Fiquei impressionado com a fidelidade do livro ao filme.

Obrigado, eu tento ficar fiel.

Alguns outros autores ficariam tentados em apropriar-se da obra. O que o impede de fazer isto?

Você não pode fazer isto nestes contratos. É como se você fosse contratado para pintar a casa de alguém e você pensa que deveria ser bege, mas eles querem verde e rosa. Não me incomodo com isso. Os produtores e roteiristas estão tão absorvidos com o filme que não tem tempo para se preocupar com o que o Burger King irá fazer com os produtos promocionais… O livro também fica livre de inspeções. Eu consigo consertar problemas que encontro. Quanto melhor o roteiro, menos me dá trabalho. Quanto pior… Você sabe, em algo como “The Black Hole,” tive muito trabalho para racionalizar os erros cometidos no filme! Normalmente, não é tão ruim assim. Mas quando me deixam em paz (como o de costume) eu resolvo as coisas. Não adaptei Alien 4: Alien Resurrection por que não me deixaram em paz. Fiz os dois primeiros e quanto ao terceiro, achei o script muito sombrio para um “Alien”. Pensei que matar a garotinha que fora a motivação de viver de Riple, demais. Então eu consertei um bocado de coisas. Depois recebi uma carta de Walter Hill, o produtor, dizendo “Fez um trabalho muito bom com o filme com Nick Nolte e Eddie Murphy…”

48 Horas?

É. Mas na FC é diferente. Em Alien 3 construí estórias e motivações para todos aqueles presidiários. Walter Hill, entretanto disse, “tire tudo fora e escreva dentro do script original e o livro será muito melhor.” Ao invés de escrever uma carta explicando que tinha escrito os dois primeiros e que James Cameron estava satisfeito com eles, retirei toda minha criação original e fiz conforme o script. E por isso que não fiz Alien 4. Não queria passar por aquilo tudo novamente. Normalmente não me incomodam e isso é ótimo. Escrevi Star Wars: Episódio IV, e numa reunião no escritório George disse, “Amei o que você fez com o livro, ótimo trabalho”. E foi isto! Ele pediu para tirar uma ou duas coisas do “Splinter of the Mind’s Eye” uma por que seria muita caro de filmar. A ideia do “Splinter” é que se Star Wars não fosse um grande sucesso de bilheteira e houvesse algum resíduo financeiro para mais um filme, ele queria algo que pudesse ser filmado com baixo orçamento. Por isso o cenário é um planeta cheio de névoa. O livro abria originalmente com uma grande batalha espacial, mas seria muito caro de filmar, então tive que tirar. Era algo pequeno, mas aquelas duas mudanças foram tudo que me pediu. “Bom trabalho. Obrigado.” Normalmente me deixam em paz. Mas de volta à sua pergunta, vejo as adaptações como uma colaboração com o roteirista, não como algo que é meu para mudar e transformar..

Bem, as entrevistas tem mais questões, mas não posso me estender muito mais. Espero que tenham gostado das curiosidades.

Entrevistas originais:

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Michael Moorcock

Entrevista com Michael Moorcock

Michael Moorcock é um autor britânico que acompanhamos e admiramos. Infelizmente muito pouco da sua obra foi traduzida para o português. Outro dia esbarramos com uma entrevista que o autor concedeu à SFFWorld. (original aqui)

SFFWorld: Este ano a editora Tor está relançando seus populares romances do herói Hawkmoon. O que você acha da “série Hawkmoon”, um de seus primeiros trabalhos e sobre o escritor Michael Moorcock de quarenta anos atrás?

Michael Moorcock: Penso que foi um trabalho honesto realizado em alta velocidade e que claramente resistiu ao teste do tempo. Ainda gosto da atmosfera e imagens que evocavam quase uma atmosfera steam punk. O que chamaria de ‘fantasia científica’ – uma ambientação sobrenatural (a little supernatural stuff) que se passa num futuro razoavelmente distante da Terra. Sempre fui um escritor ambicioso e aprendi alguma boas técnicas escrevendo esses romances. Mantenho-me afeiçoado por eles! São entretenimento e eu espero honestamente proporcionar entretenimento para os que pagam por meus livros.

SFFWorld: Em seu recente ensaio no website da Tor, você fala sobre o processo da escrita dos livros da “série Hawkmoon”, discutindo o quão rápido os produziu, e – incrivelmente – que nem mesmo os revisou, ou mesmo, leu o produto acabado, desde então. Poderia nos contar sobre como seus hábitos de escrita mudaram desde então e o impacto disto em seu trabalho?

Michael Moorcock: Não mudaram muito. Eu ainda escrevo rapidamente para minha idade. Um pouco mais de tempo do que os três dias que tomei para escrever muitos de meus romances de fantasia. Elric tendia a consumir três semanas, cada livro, mas “Cornelius quartet” levou basicamente 11 anos e os livros de Pyat 25 anos. P romance do Dr Who que acabei de terminar levou mais de seis semanas e ainda farei uma segunda versão do manuscrito. Claro, isto não conta com pensar no assunto ao longo do tempo, o que pode durar de meses a anos. Os livros de Hawkmoon começaram como uma introdução iniciada anos antes quando estava escrevendo para “Science Fantasy”. O novo editor não gostava de fantasia então as construí como um seriado de FC, “The Ice Schooner” que foi escrito como todos meus romances naquela época, também escrevi como seriado, um episódio de cada vez, geralmente pouco antes do prazo final. E escrevi as histórias de Cornelius desta maneira. Adoro escrever series semana a semana ou mês a mês. Neste sentido sou mais parecido com um escritor da época de Dickens.

Então, em sua maior parte, meus hábitos de leitura permaneceram os mesmos – apropriados à natureza do livro. “Mother London” levou seis meses e “Gloriana” seis semanas.

SFFWorld: Você teve muito de seus livros adaptados como graphic novels, e a recente reedição da “série Hawkmoon” possui ilustrações de página inteira por Vance Kovacs. Gosta de suas interpretações visuais? Como se sente, de modo geral, quanto às interpretações visuais de seu trabalho?

Michael Moorcock: Geralmente as amo. Fui abençoado por alguns artistas desde o início. As interpretações de Jim Cawthorn sempre serão as que amarei mais por que trabalhamos juntos desde os tempos antigos, mas gosto de Vance. As capas são provavelmente as melhores capas de Hawkmoon que já tive.

SFFWorld: Muitos de seus personagens e mundos foram usados por outros escritores, trabalhos para os quais cedeu permissão e fan-fiction. Poderia nos falar sobre como vê outros escrevendo em universos criados por você?

Michael Moorcock: Eu cresci num mundo no qual a autoria era algo vago. Víamos histórias de Tarzan na Tarzan Adventures não escritas por Burroughs, mas pelos artistas ou roteiristas, como nos filmes. Trabalhei numa série de thrillers, “Sexton Blake”, suas aventuras eram abertamente escritas por diversos escritores (meu primeiro romance foi um “Sexton Blake” sobre o pseudônimo Desmond Reid) e estou contente com a maioria de meus personagens e de ver o que outras pessoas realizam com eles. Dito isto, os experimentos não são tão abertos como eram, pois isto me levou a deixar a D&D, digamos, tomar minha ‘propriedade intelectual’ em troca de nada e deixou-me com alguns contratos de direitos terríveis, mesmo até agora.

Mas eu preciso deixar autores em que confio tomar suas chances e então tive ótimos escritores trabalhando em algum de meus personagens. Eu sou protetor quanto a meus personagens, mas não possessivo!

SFFWorld: Soube que escreverá um romance do Doctor Who. Com se sente ao acrescentar mais um capítulo a uma série tão longa e popular, sendo que você mesmo escreveu series que inspiraram outros a escrever em seus universos?

Michael Moorcock: É muito divertido. Um desafio. Cruzar Dr Who com o multiverso. Dei a mim mesmo o desafio de escrever como se P.G. Wodehouse e Arthur C. Clarke estivessem colaborando. É engraçado (me disseram) e é uma Space Opera barroca cinematográfica também. Muitos padrões literários que eu originei e popularizei entraram para a cultura comum e de certa maneira sinto-me oficialmente transmitindo alguns conceitos ao gênero. Mas admiro-o enormemente e há bons escritores trabalhando nele nestes dias. Estou desesperado por também conseguir fazê-lo tão bem.

SFFWorld: No New York Times você recentemente discutiu sobre suas músicas favoritas para escutar ao escrever. Como ou o que escuta depende do que você esteja escrevendo. O que tem escutado nestes dias?

Michael Moorcock: Muito das mesmas coisas. Muito de Janis Ian, John Prine e Willie Nelson no momento, mas também compositores como Mozart e Beethoven e outros construtores de obras sublimes. É o que quase sempre escuto – músicas de diferentes tipos, mas bem construídas.

SFFWorld: Você tem uma comunidade de fãs bem ativa na www.multiverse.org com a qual você interage de forma regular. O que pensa sobre o relacionamento do autor com fãs na Era da Internet?

Michael Moorcock: Eu cresci na era dos fanzines e então havia tão poucos fãs de FC que todos se conheciam. Sempre respondia às cartas de fãs e fazia muitas leituras e sessões de autógrafo e gostava da interação com os leitores. A internet tornou isto mais fácil de fazer. Tenho um grande website, gerenciado por grandes pessoas e eu gosto de “encontrar” os leitores lá. Mas outros escritores são mais reservados por natureza eu não acho que estejam errados quando preservam seu tempo e energia. Sou uma estranha mistura de recluso e performer

SFFWorld: Com o desenvolvimento de mídias digitais, a internet e leitores de e-books, o que pensa sobre o futuro do romance impresso?

Michael Moorcock: Penso que irá durar tanto quanto haja pessoas que prefiram o cheiro e a sensação de tato dos livros em papel e enquanto estiverem disponíveis na rede.

SFFWorld: Se você fosse um jovem desconhecido iniciando uma carreira de escritor hoje, como faria?

Michael Moorcock: A menos que haja algo novo e interessante que eu possa trazer para um romance, este não vale a pena ser escrito. Mas tenho dúvidas se escreveria FC/fantasia. Provavelmente buscaria alguma novidade em qualquer coisa em que estivesse trabalhando.

SFFWorld: Você é também um músico, sua mais famosa conexão sendo com a banda Hawkwind. Seus dias de música estão encerrados ou estaria aberto para novas colaborações?

Michael Moorcock: Estou trabalhando em alguns “álbuns conceito”, um deles com a “Spirits Burning” em São Francisco.

SFFWorld: Ainda há sempre rumores sobre um filme de Elric, última menção em 2007. O quão próximo estamos de ver Melniboné na telona?

Michael Moorcock: Não estamos próximo, eu suspeito. A recessão fez com que a maioria dos estúdios cautelosos quanto a histórias de fantasia não testadas, puro e simples.

SFFWorld: O que pode nos contra sobre a série (em produção) The Sanctuary of the White Friars?

Michael Moorcock: É genuinamente autobiográfica ao mesmo tempo sendo um verdadeiro romance de fantasia. Passa-se num ‘santuário’ real – que é parte da cidade que tradicionalmente permitiu-se autonomia, como um gueto do crime. O santuário (The Sanctuary of the White Friars) foi real e existiu ao sul da Rua Fleet, ao lado do rio, aproximadamente entre “The Temple” e a “Blackfriars Bridge”. Os frades brancos (White Friars/Ordem do Carmo) foram carmelitas para os quais se concedeu terra no século XIV e que foram notórios até a primeira parte do século XIX. A região era chama de Alsacia (depois disputada entre França e Alemanha) e que não estava sob jurisdição de nenhum dos dois países. È mencionada em alguns romances históricos como “Fortunes of Nigel” de Walter Scott. Eu descubro uma entrada para esta estranha religião nos anos 1950 quando trabalhei pela primeira vez na Rua Fleet.

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