Neon Azul – Eric Novello

Não tinha uma expectativa clara quanto a esse livro, mas posso dizer que fui surpreendido, muitas vezes, durante a leitura. Neon Azul é o nome de um bar em torno do qual ocorrem várias histórias relacionadas. De início, a coisa toda pareceu um pouco confusa, não estava claro que seriam diversas narrativas com pontos de vistas diferentes. O Neon Azul é apresentado por um mendigo, que adotou o local para ser um ponto de obter esmolas. Achei legal uma história contada do ponto de vista de um mendigo, não é algo comum de se ver e fiquei imaginando até onde iria a narrativa. Com a primeira mudança de ponto de vista, ficou claro que não iria muito longe, afinal, ele não era mesmo o protagonista do livro, mas sim o próprio estabelecimento, o Neon Azul.

Então, no segundo capítulo, apertamos o botão de reset e começamos tudo de novo, só que não. O romance não é apenas uma colagem de contos, ou mesmo uma antologia em torno do mesmo tema, mas uma espécie de mosaico no qual cada capítulo vai explicando um pouco mais da história. Uma boa parte dos personagens, que aparecem em cada narrativa, vão revelando aspectos interessantes dos demais. E próximo ao final, o leitor vai ganhando uma visão de quebra-cabeças que vai se montando e dando um sentido ampliado ao conjunto.

A variação de personagens e temas tratados na narrativa é bastante interessante mostrando que o autor tem habilidade para expor e construir, num curto espaço, uma nova personagem e também situação de conflito que enfrenta.

Sabia que a obra vinha com a classificação de fantasia urbana, mas demorou um pouco até que o aspecto fantástico se revelasse. O aspecto fantástico inclusive é sutil e aparece com mais força em duas das narrativas.

É um livro recheado de personagens vívidos e algumas situações bizarras. Há presença de uma atmosfera noir, em torno do bar/boate/piano bar, mas é notável a surpresa que traz cada um dos personagens que entra em cena a cada mudança de capítulos. É como ler vários livros dentro de um, e ainda sim, tendo-se a impressão de unidade devido aos sutis cruzamentos entre as tramas das personagens.

Enfim, foi o primeiro livro que li do autor, me surpreendeu muito em relação à qualidade da prosa, forma peculiar de descrever situações e psique de seus personagens, além de acrescentar uma atmosfera misteriosa (sem um mistério propriamente dito) sobre qual será o próximo personagem e que novidade ele irá trazer.

Não que isso seja uma coisa ruim, mas ao final da leitura, ficou para mim uma sensação de querer saber mais sobre um dos personagens, o misterioso dono da boate conhecido apenas como O Homem. Então, se você busca uma história onde os arcos se fecham e tudo fica bem explicado, pode não ser o livro para você. Fora isto, gostei bastante e recomendo.

Site do autor:

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Promessa de Fogo (Abismo livro 1) – Thiago D’evecque

Um livro de um autor independente que li como parte da campanha #LeiaNovosBR. Ele também tem um outro romance chamado Limbo, que possuiu uma
premissa bastante interessante.

Promessa de Fogo conta a história de Alícia, uma jovem guerreira que vive com  o pai numa vila de interior chamada Timóteo. As coisas mudam para ela quando assassinos realizam ataques insistentes a sua vila, causando sofrimento e destruição. A partir disso ela inicia uma jornada de vingança e de auto descoberta, que infelizmente, não vemos ser concluída neste primeiro livro. Falar mais sobre a trama certamente entregaria alguns spoilers, para ficarmos livres deles, falemos de outros temas.

É um livro relativamente curto, o autor possui uma prosa fluida e de fácil entendimento. Porém, tende em alguns momentos para uma prosa floreada (purple prose), excesso de figuras de linguagem estranhas e um pouquinho de infodumps.

Apresenta uma ambientação interessante, com presença de dinossauros, demônios e magia, mas isso por si só não sustenta a trama que apresenta alguns problemas de desenvolvimento. Um deles é que nenhum arco importante é fechado nesse primeiro livro, deixando tudo muito em aberto e configurando um final pouco satisfatório. Um ponto negativo da ambientação é que, em alguns momentos, elementos são colocados na trama, como num tipo de colagem que faz referências a outras obras de ficção, como o Exterminador do Futuro e Robocop, mas sem que esses elementos
se integrem bem ao restante da ambientação. Por outro lado, alguns trechos são muito bem descritos, com por exemplo o momento em que as montarias (uma espécie de dinossauro) são apresentadas.

A coisa que gostei muito no livro foi a capa. Na verdade, algo que acabou me motivando a adquiri-lo.

A despeito desses probleminhas de trama e ambientação, o principal problema do livro e principal razão pela qual não gostei muito dele foi o fato de eu não conseguir empatizar com as protagonistas. (Gostei das montarias, por outro lado) Entenda que isso pode ser um aspecto ligado a um gosto pessoal, então, se não for um leitor tão chato quanto eu, pode ser que você goste do livro (já vi vários comentários positivos em outras resenhas). Então deixo a minha sugestão de dar uma chance ao autor e conhecer sua obra, que pode não ter me fisgado, mas certamente tem seus méritos.

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O Castelo das Águias – Ana Lúcia Merege

Título: O Castelo das Águias
Série: Athelgard
Autor: Ana Lúcia Merege
Editora: Draco
Número de Páginas: 192

Mais um livro de fantasia no meu projeto de leitura de autores nacionais. É narrado por Anna de Bryke, uma jovem que aceita ser Mestra de Sagas, algo como uma professora de história, em uma escola de magia que tem como sede um lugar fantástico: O Castelo das Águias.

Conhecemos, aos poucos, a vida num pedacinho de Athelgard do ponto de vista inocente e um pouco inseguro da meio-elfa, Anna. Ela foi criada numa tribo de elfos e possui um padrão cultural bem diferente do existente nas cidades da Terras Férteis. Explorar esse choque cultural é um modo interessante de conhecer a ambientação e construir a personagem.

É um livro de fantasia com ritmo tranquilo e possui um clima leve, se comparado a muitas obras de fantasia medieval onde predominam heróis masculinos, guerras ou missões recheadas de conflito e violência. Essa leveza é justamente o ponto forte desta obra, pois apresenta uma visão mais próxima de atividades cotidianas que muitas vezes são deixadas de fora no caso de outras obras do gênero. Não costumo gostar muito de narração em primeira pessoa, mas a autora o faz com habilidade, dando uma voz autêntica à protagonista.

Retrata a jornada de adaptação e integração da protagonista num novo ambiente, em meio a uma disputa política sobre o “monopólio” da criação de águias guerreiras. É bastante curioso o fato da protagonista não possuir dons mágicos, ou outras capacidades especiais. Sendo assim, enfrenta muitos desafios usando de seu conhecimento histórico e também de alguma intuição, compaixão e sagacidade. Justamente por não ser uma personagem fisicamente poderosa, um aspecto interessante da obra e ver como ela trabalha em conjunto com outros personagens na solução dos problemas.

Sobre o cenário, vemos um tipo de magia bastante curiosa, que leva um pouco de tempo para se revelar. O conhecimento mágico do Mestre das Águias, e de seus discípulos, permite transformar temporariamente as águias em versões mais ferozes e belicosas, e ainda, comandá-las durante conflitos.  Estas águias vem sendo usadas pelas cidades aliadas das Terras Férteis como uma forma de reforçar suas guarnições.

É um livro curto, e que possui uma certa quantidade de personagens e informações sobre o mundo, que acabam ficando um pouco superficiais. Por outro lado, abre-se a oportunidade para conhecer mais sobre esse mundo nas sequências, visto que o belo mapa do mundo foi pouco explorado até então.

O livro continua em: A Ilha dos Ossos e A Fonte Âmbar. Espero ter a chance de lê-los, em breve.

Enfim, é um livro de fantasia com ritmo próprio, com um mergulho profundo na personalidade de sua protagonista, que possui romance, escrito de modo competente e que nos introduz ao mundo mágico de Athelgard.

Já está no mercado há um bom tempo, mas se ainda não o conhece, é uma boa pedida.

Conheça o site da autora:

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O Teatro da Ira (Chamas do Império) – Diego Guerra

Chamas do Império: o Teatro da Ira. São Paulo: Editora Draco, 360 páginas, capa Diggs (o próprio autor) e Camaleão.

“A coragem é o único caminho; o medo o único pecado”

Primeira coisa, uma das coisas me motivou a adquirir esse livro foi a arte de capa. Um trabalho belíssimo do ilustrador Camaleão. Ele saiu de minha fila de leitura, relativamente rápido, pois há muito tempo queria entrar numa série de leituras de livros de fantasia e ficção científica de novos autores brasileiros.

O Teatro da Ira é uma fantasia que segue a linha brutal, lembrando um pouco o tom da trilogia da Primeira Lei de Joe Abercrombie, com uma temática e linguagem adulta. Não se fixa num único protagonista, mas está centrado em torno do mercenário Jhomm Krulgar, um sujeito forte e bruto que vive à sombra de acontecimentos terríveis em sua juventude. Devo dizer que gostei bastante do personagem, o fato de ter sido criado com cães e sua natureza selvagem, lembrando um pouco personagens como Conan.

E até queria que ele estivesse mais presente… A inclusão de um elenco complementar de personagens, dos quais a trama dependia para avançar, chegou a me afastar um pouco da obra, em alguns momentos. A primeira metade do livro é constituída pela apresentação desses personagens, em alguns casos, aparentemente desconexos da trama, mas aos poucos as peças vão se juntando. Do meio até o final, a narrativa ganha um ritmo mais forte, fazendo o leitor querer virar as páginas.

O mundo criado por Diego possui magia, mas ela se manifesta de uma maneira não tradicional. Temos a personagem Thalla, filha de um rico comerciante e capaz de entrar nos sonhos das pessoas, influenciando suas motivações, uma coisa análoga ao que vimos no filme Inception. O outro tipo de magia mostrado é uma espécie de ilusionismo praticada por um mambembe errante chamado Ethron. Dão o nome a esta especialidade de teatro coen, presente na trama, e que acredito ter motivado a escolha do título do livro.

Falando sobre a composição do mundo, sabemos que há um império, mas que este enfrenta dificuldades para manter-se unificado. Há uma guerra ativa em sua fronteira norte, e ameaça de rebeliões nas províncias sulistas. Isto também é de importância para a trama, pois todos os personagens acabam convergindo para a cidade de Illioth, uma importante capital no sul de onde vem uma ameaça de rebelião.

Outro aspecto da construção de mundo, vem da existência de uma raça não-humana, os dhäeni (ou eldani, como eram chamados nas eras passadas). Em relação a estes, o livro discute o tema da escravidão e do que ocorre com um povo que foi escravo por muito tempo após sua abolição. O preconceito que permanece e a própria visão subserviente que possa ter se instalado naquela cultura. Os dhäeni, além de ex-escravos, são mágicos por natureza, realizando magia através de canções. Eles possuem o interessante conceito de unidade com o todo através do canto da Grande Canção. A pessoa que salva a vida de Krulgar, quando jovem, é um dhäeni chamado Khirk. É uma figura interessante, pois cometeu um tipo de crime contra sua cultura e perdeu a sua voz, tornando-se assim, um fahin, um dhäen que não consegue cantar em consonância com a Grande Canção. Há outros personagens dhäen que mostram a relação desumanizada, ainda cultivada pelos humanos em relação aos seres desta raça. O livro tem boas sequências de ação, em especial, algumas batalhas que ocorrem no meio do livro.

Mas deixa algumas pontas soltas, que talvez venham a ser explicadas nas sequências. O autor possui um prosa fluida, no geral, trabalhando bem sequências de ação e diálogo, mas achei que peca um pouco nas sequências descritivas, em especial em aproveitar-se disso para informar o leitor sobre a história e outros aspectos do mundo. Tais informações poderiam ser mais condensadas, ao meu ver, o que deixaria o ritmo de leitura mais fluido e ágil.

Quanto à finalização, acredito ser a melhor parte do livro. O escritor entrega um final convincente, com uma boa reviravolta, deixando o caminho aberto para outras obras. O que gostei, em especial, foi do capítulo do epílogo, no qual constrói uma perspectiva histórica da narrativa e é irônico notar como os historiadores criam uma versão não que não adere aos fatos narrados na estória (usando a forma antiga aqui para diferenciar de história). Já vinha suspeitando, durante a leitura de influências de Bernard Cornwell neste livro e o epílogo ajuda a pensar assim. Será mesmo? Seria uma boa questão para uma possível entrevista com o autor.

O balanço geral é que é um livro de fantasia épica bem construído, com alguns personagens interessantes, uma trama bacana, construção de mundo que evita um pouco os pontos comuns do gênero e que é uma obra notável considerando o cenário do gênero no Brasil. Fica minha recomendação.

Site do autor:
https://chamasdoimperio.wordpress.com/
Twitter:
https://twitter.com/ChamasdoImperio

Ilustração (completa) por Camaleão:
http://camaleao.artstation.com/projects/zNkGZ

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Meio Mundo – Joe Abercrombie

No segundo livro da série Mar Despedaçado, Jon Abercrombie renova o elenco de personagens, trazendo dois novo protagonistas, os jovens Thorn Bathu e Brand. O livro tem uma estrutura bem parecida com o primeiro. Yarvi ainda tem um importante papel na trama, mas o foco desse segundo livro se alterna entre a dupla de jovens guerreiros.

Thorn é uma aspirante a guerreira muito durona, que treinou duro e tem como ambição de vingar a morte de seu pai, mas antes disso, se vê acusada injustamente de um assassinato.

Sua vida acaba caindo nas mãos do perspicaz Príncipe Yarvi (já mais maduro do que vimos em Meio Rei), e partem numa jornada em busca de aliados contra o Rei Supremo. Junto com eles segue Brand, um jovem guerreiro que odeia matar. (mais…)

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Eu Sou Grimalkin – Joseph Delaney

Essa é uma novidade na série, pois há uma inversão total de ponto de vista sendo a história contada na visão de Grimalkin, a temível bruxa assassina do clã Malkin. É uma personagem conhecida na série, que apareceu, primeiro como antagonista de Tom Ward e do Caça-Feitiço, mas acabou se tornando uma aliada, pois possuem um terrível inimigo em comum: O Maligno.

A principal virtude dessa história passa pela mudança de protagonista que dá novos ares à série. O autor consegue, com sucesso, estabelecer uma anti-heroína, assassina e que ainda assim, uma vez entrando em seu ponto de vista, consegue cativar a simpatia do leitor.

Os primeiros livros da série são excelentes, mas no decorrer dos demais, sentimos que algo ia se perdendo, talvez, a capacidade de introduzir elementos novos, mas neste novo livro tudo se renova e a série volta a vibrar.

A protagonista é muito bem construída, pois são introduzidos elementos do seu passado, passamos a conhecer melhor seu código de ética, um pouco mais de seus poderes mágicos e há também uma nova personagem, sua aprendiz Thorne. Tudo isso em meio a uma missão dificílima que é enfrentar um grupo de inimigos que querem de volta a cabeça do Maligno, mas que também são fortes o suficiente para torná-la fragilizada. Isto faz com que ela, a despeito de sua força e orgulho, precise buscar aliados para evitar que o Maligno retorne.

Não se trata de um conto à parte da série, mas uma continuação direta dos eventos do livro anterior. E em sua conclusão, deixa o leitor esperando pelos próximos volumes da série.

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Meio Rei – Joe Ambercrombie

Meio Rei

Essa é a segunda série de romances que estou lendo do premiado e competente Joe Ambercrombie. A primeira foi a (ótima) trilogia da Primeira Lei. A trilogia, Mar Despedaçado, está sendo lançada aqui no Brasil, também pela editora Arqueiro.

O primeiro livro da série, Meio Rei, 288 páginas, já mostra que o tom da série é um pouco mais leve alinhado ao público adolescente/jovem adulto, mas ainda com um toque de brutalidade e sarcasmo característico das outras obras do autor.

Há um certo desafio em escrever sobre um livro evitando gerar spoilers. Tentaremos…

 

Meio Rei conta a história de um jovem príncipe que nasceu com uma das mãos inúteis e deformada. Seu destino não era o trono e foi treinado para assumir um posto de conselheiro religioso/político, mas uma reviravolta o coloca como sucessor direto do trono, sendo que muitos em seu reino, onde os reis por tradição precisam mostrar a força de guerreiro, não vêem com bons olhos a ascensão de um rei fraco e aleijado. (mais…)

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Crônicas do Espadachim de Carvão – Tamtul e Magano e a Ameaça de Rumbaba

Essa HQ, spinoff da série de romances, Espadachim de Carvão, de Affonso Solano, narra uma breve aventura da dupla de irmãos Tamtul e Magano. É uma história fechada com 32 página, publicada pela Leya, roteirizada por  L.G. Quélhas desenhada por Zécarlos e L.G. Quélhas.

É uma narração típica do gênero espada e feitiçaria, protagonizada por uma dupla, como nos escritos de Fritz Leiber. Tamtul e Magano são personagens literários em Kurgala, o mundo do Espadachim de Carvão, mas que como vimos em As Pontes de Puzur, não são tão fictícios quanto se imaginava. Tamtul é um espadachim mulherengo e um romântico, enquanto Magano um hábil arqueiro e que confia em suas habilidades. Nesta aventura, penetrarão na Floresta Vermelha, onde enfrentarão um ser ancestral, Rumbaba, no imponente palácio de Guazulum.

Para quem já leu os romances da série, é uma maneira interessante de ver alguns personagens e cenários materializados. É uma HQ bem desenhada e executada, com cenas mais focadas em ação e personagens, do que na construção do cenário. A paleta de cores escolhida dá um tom sombrio o sanguíneo à narrativa fazendo do produto final uma HQ bem legal de se ler e com um bom traço a se apreciar.

Como anunciado em O Espadachim de Carvão, ficamos na torcida e esperando pelo surgimento de mais aventuras dessa dupla. Os títulos são bem sugestivos: Tamtul e Magano contra a ampulheta da Rainha Estátua, Tamtul e Magano contra o terror do abismo vermelho, Tamtul e Magano em busca da torre invertida,  Tamtul e Magano e o elmo do imperador sorridente,  Tamtul e Magano e o elmo do imperador sorridente, Tamtul e Magano contra o gigante de vidro, Tamtul e Magano contra o olho de Pht’Angü, Tamtul e Magano contra o terror do abismo vermelho, Tamtul e Magano e o tesouro da ilha submersa, etc.

É uma HQ de arco curto, mas bem resolvido e que deve agradar aos fãs da série O Espadachim de Carvão.

A HQ está à venda na Amazon e outras lojas.

Na Amazon, também está à venda Olhos Negros, meu romance vencedor do prêmio Wattys 2015.

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O Espadachim de Carvão e as pontes de Puzur – Affonso Solano

CapaÉ o segundo livro da série de fantasia “Espadachim de Carvão”. Neste segundo livro, a narrativa toma duas direções. Continuamos, no presente, a seguir Adapak, que viaja na companhia de Sirara buscando sentido para sua existência. Enquanto isso, no passado, o leitor é introduzido a um novo personagem, Puzur, um ladrão ushariani (humanoides de pele semi-transparente e três braços e três pernas) ainda reconhecido no presente na forma de lendas e narrativas. A ênfase narrativa no livro está no passado, sendo que os capítulos com Adapak cumprem papel acessório à narrativa de Puzur. Ou seja, o arco dramático de Adapak é pequeno, enquanto o de Puzur é mais longo e complexo. É bom o leitor estar avisado sobre isso, pois poderia, em alguns casos ser uma fonte de desapontamento.

Uma das características interessantes dessa série é sua complexa e criativa ambientação. Kurgala é um mundo bem diferente do que costumamos ver em outras obras de fantasia. Nele, seres que são reverenciados como deuses, Os Quatro, exercem grande influência na forma de pensar e religiões dos povos. O escritor expande essa ambientação, mostrando fatos ocorridos no passado, oferece mais informações sobre as relíquias Dinguirï, introduz o conceito de feiticeiros e apresentando novas raças, Vale notar que são muitas e complexas as raças e suas relações, e que isso pode ser um obstáculo de compreensão para o leitor. Felizmente há um número suficientes de personagens humanos para melhor ancorar nossa experiência de leitura.

A jornada de Puzur e sua companheira humana involuntária, Laudiara é interessante. Há uma boa química entre eles. São ambos personagens novos e que são um mistério um para o outro. Um dos pontos fortes do livro é a maneira gradual que o leitor vai conhecendo o passado, motivações e caráter desta dupla. Eles também têm que aprender a conviver e meio a situações tensas e talvez, e por fim, desenvolver inimizade ou amizade conforme o avanço da trama.

É um livro de aventuras um pouco denso, recheado de confrontos, trapaças, ambientes fantásticos, criaturas estranhas e algumas temas. Um dos temas interessantes que aparecem na trama é o da colonização/extinção de uma raça por meio de outra. Algo que ocorre no livro de modo literal (uma raça é colonizada por parasitas), mas que é um tema que dialoga com a colonização cultural e mesmo o extermínio de culturas através de choques entre civilizações. O outro tema é o extremismo religioso. A presença desses temas traz um enriquecimento à obra fazendo-a transcender o aspecto restrito de uma narrativa de aventuras.

Vale destacar também as pequenas ilustrações que precedem cada capítulo assim como as citações (instigantes), internas ao próprio universo criado pelo autor. Para quem ficou curioso para um desenvolvimento maior do personagem Adapak, vai ter que aguardar a continuação da série. O livro termina dando indicações fortes de que veremos Adapak novamente como protagonista no próximo livro da série.

Enfim, acho que vale conhecer o livro, pois é aventura diferente, com mitologia própria, ação, mistério e narrativa contemporânea dentro do gênero de fantasia que esbarra no romance planetário.

Saiba mais em: http://www.espadachimdecarvao.com.br/

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Selva Brasil – Roberto de Sousa Causo

Selva Brasil

Imagine o que aconteceria se a história do Brasil fosse um pouco diferente do que é. Se o presidente Jânio Quadros tivesse comandado, com apoio a Argentina, uma invasão das Guianas. Quais poderiam ser as consequências?

É um pouco disso que o autor Roberto de Sousa Causo explora no livro Selva Brasil. Nele, vemos uma versão alternativa do próprio autor, atuando como soldado na guerrilha em meio à selva amazônica. O relato do personagem chega ao nosso mundo através de uma gravação, uma premissa semelhante à da série de livros de Michael Moorcock protagonizada por Oswald Bastable, na qual um personagem envia um relato de suas experiências vividas numa outra dimensão e um escritor que as publica.

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