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Dragonero #10 a #12

Está chegando agora? Veja também nossas resenhas das edições anteriores: Especial, 3, 5, 6 e 7, 8 e 9.

O universo de fantasia criado pelos italianos Luca Enoch e Stefano Vietti é muito vibrante, fugindo da fantasia medieval pura, ao adicionar um certo nível de avanço tecnológico: vemos elevadores, armas de fogo, dirigíveis e até planadores.

Sem se afastar demais das definições clássicas das raças vistas em mundos de fantasia, como orcs, elfos e anões, os autores dão uma tintura distinta aos membros dessas raças que fazem parte da trama.

Nas edições #10 a #12 continuamos a acompanhar as aventuras de Ian e seus amigos: o Orc, Gmor, e a pequena elfa, Sera. Sendo que as edições #10 e #11 compõe um mesmo arco de história.

Episódios #10 (As Fossas dos Farghs) e #11 (A Rainha dos Algentes)

Ian e Gmor se aventuram em Varliendar, a antiga terra dos dragões e enfrentam um imenso exército de Algentes. No norte do Valo, há grandes lagartos, os Sáurios, usados pelos homens como montarias. Essas montarias terão papel importante na aventura de Ian. Além de enfrentar imensos Vermes, temos o retorno de uma antiga personagem, antes aliada de Ian, e que aparece agora como aliada aos Algentes.

Além disso, na edição 11 temos, pela primeira vez, uma narrativa paralela contando um pouco sobre a monja que atua como aliada de Ian e Gmor no conflito contra os Algentes e sua Rainha. Este arco todo é ótimo, com grande intensidade de ação e carga emocional elevada. Porfim, deixa possibilidades em aberto para novas histórias.

A arte de Gianluigi Gregorini é fabulosa e dá um brilho todo especial a essas duas edições!

Dragonero #12 – Ameaça das Profundezas

Nesta aventura, vemos novamente reunidos Ian, Gmor e Sera. Uma coisa que gosto de ver nessa série, é como são retratados vários momentos mais descontraídos da vida dos personagens. Neste caso, antes da parte principal da trama entrar, vemos um pouco da convivência dos persongens da casa de Ian e como crianças da cidade próxima vão ali para “brincar” com eles.

Depois da “brincadeira”, um forte ruído vindo da cidade, chama a atenção dos aventureiros. Logo descobrem vários buracos fundos surgindo e descem para investigar. Neste contexto ficam conhecendo um novo personagem bem interessante, um mapeador.

Essa história adiciona toda uma nova camada política e econômica ao mundo de Dragonero, pois introduz os anões e o Sindicato dos Anões Mineiros.

Essa é uma aventura perigosa e divertida que também traz o tema dos Ubiquos, uma antiga raça lendária que deixou muitas ruínas por todo o mundo, inclusive as famosas pedras sonoras.

Juntando-se aos anões, Ian e seus amigos terão que enfrentar uma terrível “Ameaça das Profundezas”. E mais uma vez, o final, deixa em aberto novas possibilidades para histórias futuras.

Os desenhos desta edição são de Cristiano Cucina, não são tão bons quanto os das duas edições anteriores, mas ainda assim, é um artista de traço bastante competente capaz de trazer à vida mais um episódio da narrativa desta empolgante saga.

Sinceramente, a cada edição, Dragonero ganha em riqueza de seu cenário e da profundidade de seus personagens. Há muitas séries que perdem seu “brilho” com o tempo, mas não vem sendo o caso de Dragonero até este ponto! Recomendadíssimo!

Anna Saito – Journalist Fighter – Diego Sanches

Aqui temos mais uma publicação da Quadcomics!

Em Anna Saito, Jounalist Fighter, Diego Sanches (de Svalbard) nos introduz a um universo inspirado em jogos de luta. 

Os traços do artista, soltos e orgânicos criam uma narrativa visual impactante, especialmente nas cenas de luta.

Anna é filha do famoso lutador Jorge Saito que se dedicou muito a sua carreira deixando a filha de lado. Ela tem um grande ressentimento quanto à ausência paterna. Logo no início da história, vemos um lutador misterioso que enfrenta Jorge, no que seria sua última luta antes da aposentadoria. Durante a luta, Jorge desaparece.

Algum tempo depois, Anna viaja para os EUA a trabalho, para investigar uma pista para uma reportagem. Sua investigação vai levá-la mais perto de descobrir pistas sobre o desaparecimento de seu pai, mas também, a coloca frente-a-frente com poderosos inimigos e aí, não vai ter jeito, ela terá que lutar!

Curti muito essa HQ, os personagens, a ambientação, as cores… Perfeita e nostálgica. A edição é muito bem cuidada, desde sua capa, espetacular arte que aproveita o espaço interno das orelhas da revista e todos demais detalhes. Além disso, conta com a inclusão de uma galeria de artistas convidados, como os artistas da QUAD e Davi Calil… E para quem conhece a HQ Kung Fu Ganja, tem um belo dum easteregg nessa história.

Altamente recomendada! Agora é ter notícias de quando essa história vai continuar… (Já tem preview da parte 3 no Tapas.io)

A HQ está com um preço excelente:

https://www.quadcomics.com.br/product-page/anna-saito-journalist-fighter-digital

 

Svalbard (QUAD) – Diego Sanches

Svalbard é a continuação de um história de criada por Diego Sanches nas três primeiras edições da QUAD.

Não conhece a QUAD? Leia aqui sobre a QUAD#1, QUAD#2 e QUAD#3.

SINOPSE

Em um futuro distópico, algumas naves foram preparadas para serem enviadas ao espaço em missão de colonização para salvar a raça humana. Algumas pessoas foram destacadas para ficar e manter contato com as naves. Entre elas está Jeff, conhecido como um lixeiro que recolhe, troca ou vende o que encontra perdido por ai.

SVALBARD

Antes de começar a falar mais da HQ, vale lembrar que essa história depende da ler as edições anteriores da QUAD, que além da história de Jeff e Rasul, conta mais três histórias nesse mesmo universo compartilhado. E repito, é provavelmente a melhor publicação de quadrinhos de ficção científica brasileira que você vai encontrar por aí.

Jeff está atrás de uma pista, um sinal de rádio, que vem de um remoto território no norte gelado chamado Svalbard. Isso tudo partiu dos acontecimentos em Quad #3, quando ele se encontra com Martha. Agora ele tem a necessidade de descobrir qual foi o destino das Naves-Arca e também, de sua filha.

Rasul, o caçador de recompensas, que vimos na história “Um Jogo de Espelhos” de Eduardo Ferigato (QUAD #2) , e Martha, antiga parceira de Jeff, também vão atrás do mesmo sinal.

Aqui nesse ponto, já conhecemos um pouco melhor o Jeff, seu passado e o fato dele ser um dos “imortais” modificados geneticamente para ter longevidade.

A jornada até Svalbard acaba sendo a parte mais simples. O problema é o que encontram por lá. Os locais não são amistosos e não estão dispostos a colaborar para a investigação de Jeff. Não apenas isso, logo ele vai perceber que sua vida está em risco. (Alto risco!)

Nas histórias de QUAD e em Svalbard, vemos uma humanidade tentando sobreviver um mundo que teve seus recursos esgotados. É uma sociedade que teve que se acostumar a viver na escassez.

Nesse tipo de história vemos os personagens tendo que expressar que realmente são, pois vivem sempre situações extremas. A história agrada bastante e tem desfecho satisfatório, deixando aquele gosto de “quero as continuações”!

A ARTE E O LIVRO

O livro é muito bem-acabado! Tem 92 páginas, tamanho A4 em papel couche 115g/m2 e capa cartonada 350g/m2. Toda arte interna é em tons de cinza e o fato do livro ser no formato A4, ajuda o leitor a ver mais detalhes e proporciona uma divisão de layout com muitos quadros, sem se perderem os detalhes de quada enquadramento.

Os traços do Diego são soltos e orgânicos com as “pinceladas” visíveis… Os personagens são desenhados com algo de caricatural e o acabamento de linhas sombra e luz também é “sujo”, o que funciona muito bem-casado com a ambientação pós-apocaliptica. As cenas de ação são incríveis e mesmo com os traços caricaturais, dão grande sensação de realismo.

Sou fã de carteirinha do universo QUAD, e logo mais vem a resenha de QUAD #4. Fico na torcida para virem mais edições da QUAD ou histórias derivadas como a Svalbard. Totalmente recomendado!

Compre a HQ na Quadcomics:

https://www.quadcomics.com.br/product-page/quad-svalbard

Zamor – O Selvagem – Mozart Couto e Franco de Rosa

Zamor, o Selvagem é uma criação de Franco de Rosa que surgiu em 1971, mas foi lançado em 1980, na revista Sexo Selvagem, da Grafipar.

Foi influenciado pelas séries de aventura na selva como Targo, Tarum, Hur e Tarzan, além de personagens da pré-história o francês Rahan e Tor, de Joe Kubert, assim como Zhor, o atlanta de Francisco Assis e Walmir Amaral, publicado pela editora Taika.

A iniciativa da Editora Universo Fantástico de trazer de volta esse personagem é muito bem-vinda e dá condição às novas gerações de conhecer um personagem que já não era publicado há décadas!

A publicação traz três republicações com arte monocromática e uma história inédita e em cores, Os Filhos do Fogo.

Os Filhos do Fogo

A arte de Mozart Couto é de fato impressionante. Ele é muito competente na narrativa visual, construção dos personagens e cenários. Certamente é uma HQ que vai bem em qualquer coleção dos apreciadores da nona arte!

Zamor vive em nossa terra na era pré-história, porém no cenário, surgem elementos de fantasia e ficção científica, tais como dragões e civilizações tecnologicamente avançadas. Zamor é um filho dos atlantes que foi criado por uma tribo de humanos selvagens. Quando jovem, resgata um facão mágico/tecnológico de uma nave derrubada. Ele apelida a arma de Princesa. Ela tem poderes especiais que o livram de problemas em várias situações.

No mundo de Zamor, ainda há remanescentes das civilizações da Atlântida e Lemúria, grupamentos humanos e muitos animais selvagens, dinossauros e criaturas fantásticas.

Ele se mostra um herói desinteressado, ético e destemido, sempre disposto a ajudar.

Na publicação, além das HQs, há alguns contos curtos que complementam para o leitor a ideia do personagem e de seu mundo. Mostra-se um personagem com potencial para continuar sendo desenvolvido… Será que vemos novas publicações com Zamor? Esperamos que sim!

Parte da história Origens, com belíssimo acabamento em lápis.

The Dragon in the Sword – Michel Moorcock

Nem sempre extraí o mesmo prazer lendo diferentes livros de Michael Moorcock, mas sempre fiquei surpreso com os detalhes e com sua coragem de explorar os limites da criatividade. Mesmo não sendo um de seus melhores livros, é um dos meus autores favoritos.

The Dragon in the Sword trás de volta John Daker, o Campeão Eterno, aquele que encarnou Erekosë e outros tantos heróis como Eliric, Corum e Dorian Hawkmoon. John, é londrino, nascido em 1941, tendo quase a mesma idade do autor. Ele consegue, mais que outros, lembrar-se de suas aventuras passadas e futuras pelo Multiverso e sua participação no eterno embate entre o Caos e a Ordem.

Como é típico das muitas outras histórias, o destino do Campeão é trágico, pois ele nunca descansa, nunca morre ou ama de verdade.

Nesta aventura ele se vê no corpo de Flamadim, um príncipe de um dos seis reinos, um conjunto de dimensões que se interligam num ponto central. Os reinos e personagens tem nomes peculiares e que fazem parte da inventividade de Moorcock como autor. Por exemplo, Draachenheem, Rootsenheem e Maaschanheem.

Daker se vê como Flamadim, mas não faz ideia de quem seja. Mas logo surge seu companheiro nesta aventura, ninguém menos que um dos von Bek, o Conde Ulric. (The War Hound and the World’s Pain é sobre um de seus antepassados) Ele vem da mesma terra de Daker, porém é transportado do meio da segunda guerra mundial e está preocupado com derrotar Hitler e os nazistas. Aliás, os von Beks e sua luta contra os nazistas retornam na trilogia The Dreamthief’s Daughter, cuja protagonista é Oona von Bek, filha de Elric de Melninboné.

As histórias do Campeão Eterno se entrelaçam e fazem referências frequentes umas às outras. Os seis reinos estão ameaçados por um dos lordes do Caos, o Arquiduque Balarizaaf. Quando o Caos cresce demais, surge a força do Equilíbrio Cósmico, neste caso, Lorde Sepiriz, o Cavaleiro em Amarelo e Preto. É dele que vem as orientações para Daker e von Bek, mas também das próprias visões e sonhos de Daker. Ainda muito impressionado por sua última encarnação como Erekosë, Daker busca desesperadamente por seu grande amor, Ermizhad. E não demora a encontrar em um dos seis reinos, uma Eldren de nome Alisaard, uma contraparte de Ermizard que não o reconhece. Os Eldren são uma raça superior aos humanos, ali chamados de Mabden. No livro The Eternal Champion Erekosë luta ao lado dos Eldren para eliminar todos os Mabden.

O autor explora os conflitos internos de Daker devido à mescla de memórias de suas encarnações e também o horror das guerras e genocídios dos quais participou. É claro, há como tema recorrente um dos avatares da espada Stormbringer. Ao mesmo tempo, o livro é recheado com cenários exóticos, personagens e conceitos estranhos, como os dos reinos formados pelos “cascos”, imensos navios-cidade que navegam pelos seis reinos, as mulheres fantasmas canibais, o Cálice Sagrado, os Guerreiros das Fronteiras do Tempo, encontros com Hitler e Goebbels, com Príncipes Ursinos, guardiões de antiga sabedoria do Multiverso, etc. Algo que chamo de “caotiqueira moorcoquiana”.

Para quem busca ler os muitos livros que formam a mitologia do Multiverso é interessante ver novas relações se formando, como por exemplo, a sugestão de que os Meniboneanos são originados da reunião entre os Eldren machos e fêmeas que estiveram separados por muitas gerações.

Enfim, não foi um livro que gostei, em especial. O enredo é um pouco arrastado, seguindo uma fórmula de migalhas de pão, num dado momento, e sem antagonistas presentes ou muito bem trabalhados. Mas como peça do quebra-cabeças do Multiverso, cumpre bem seu papel.

Infelizmente, li a maioria dos livros de Moorcock antes do nascimento desse blog quando escrevia resenhas. Fico devendo um monte de links, mas se tiver interesse, pode ler tudo sobre o autor e suas obras nessa Wiki.

O livro saiu numa nova coleção de e-books que está com preços acessíveis.

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