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Desmortos – Mary C. Müller

Capa DesmortosDesmortos é o primeiro romance de autoria independente que li na plataforma Wattpad. (Mencionei aqui a leitura de Warbreaker, lembram?) Mas o livro está também disponível no Widbook e, em breve, em versão impressa. Chega de enrolação, vamos lá!

Desmortos é uma ficção voltada para o público adolescente que gira em torno de Lorena, uma garota que morre atropelada e se vê ainda “viva” acordando no necrotério como uma zumbi. Um novo mundo do sobrenatural surge para ela e a primeira figura que ela conhece é Lucas, um jovem e enigmático fantasma que por algum motivo se mostra interessado em ajudá-la. É essencialmente uma estória de romance com umas pitadas de aventura que pode agradar bastante o público adolescente, e talvez, especialmente meninas.

Até aqui tranquilo, vamos ver como ir adiante sem spoilers, correto? Outro ponto a mencionar é que certamente não me enquadro no público alvo (já tenho quase 40, kkkk), mas vou procurar filtrar isso tudo adiante. 😉

A estória contém alguns bons elementos para manter o leitor virando as páginas. Pensei nesta hierarquia:

Primeiro, uma atmosfera de mistério e desconhecido. Não que nunca tenhamos lido ou visto estórias parecidas com essa em que uma personagem penetra aos poucos numa nova realidade do mundo sobrenatural, ou pós-vida, mas em Desmortos, as coisas nem sempre se revelam aquilo que se espera. Algumas coisas vão de encontro à expectativa, mas outras não, o que te faz ficar pensando: como é que é? Por exemplo, Lorena, Lucas e outras figuras almejam alcançar o Mais-Além, o que é OK e faz sentido para fantasmas, mas é estranho considerando-se o caso de zumbis (e outros bichos). Assim como outras perguntas e respostas que vão sendo propostas: Zumbis comem? Não apodrecem? Como a sociedade nunca os notou vagando por aí? Zumbis também tem direito a guias espirituais? Então, um elemento interessante passa a ser ver a proposta da autora para responder a esta e outras questões.

Segundo, o desenvolvimento dos personagens e o envolvimento emocional entre eles é progressivamente cativante. Então você passa e se importar ao que vai acontecer com eles. Não só os protagonistas, mas o elenco que vai surgindo no desenvolvimento da trama.

Em terceiro lugar, vou juntar o resto. O objetivo da protagonista não é muito claro no início, mas a trama que vai tomando força do meio do livro para frente e isso ajuda a prosseguir. O texto da autora é limpo, bom na parte de diálogos, descrições, dos lugares, roupas, gostos musicas, etc, assim como no desenvolvimento psíquico das personagens. E voltando a falar de diálogos, há uma pitada de humor aqui e ali. Me lembro de ter dado umas duas ou três risadas (o que é muito! Eu quase nunca do humor que encontro em livros). A música é um elemento trabalhado em Desmortos de um modo que vale destacar. É um exemplo de meta-linguagem usada pela autora considerando um livro que está sendo escrito na era da internet, no qual você pode linkar vídeos, playlists de músicas, ilustrações, etc, como linguagem complementar para o texto, assim como fazer inserções no texto para conversar com seus leitores. O que ela faz com muita simpatia.

Em relação a temas que aparecem, o leitor vai encontrar algumas reflexões sobre desapego, aproveitar a vida (e a morte) em quanto é tempo (mesmo suas banalidades como jogar videogame e comer junk food), suicídio, amizade, sexualidade e é claro: amor.

Acho que a parte boa é isso! Agora algumas coisas que deixaram a desejar. Em termos de ambientação e construção de mundo, muitas questões legais são levantadas, como disse, mas foram exploradas e respondidas só de maneira superficial. Entendo que o foco da história não era a ambientação, mas sim a trama em torno do relacionamento de Lorena e Lucas. No entanto, para que se importa com esses detalhes, o livro deixa aquela sensação de lacunas à preencher e pouca coesão. Como a autora vai dar continuidade ao universo de Desmortos, talvez ainda possa minimizar isto com uma melhor definição da ambientação e sua coesão. Outro ponto é a trama em si. A parte essencial da trama é boa, mas se considerarmos o conjunto dos capítulos do livro, em alguns momentos a direção da estória se perde um pouco. Existe a falta de continuidade da participação de antagonistas, que até surgem na parte inicial da trama, mas depois, passam a ter quase nenhuma importância. Mas não quero ser chato levantando mais umas dez picuinhas, pois gostei do livro.

Ah sim, antes de finalizar, vale mencionar os personagens Felipe e Sonny dos quais gostei bastante, mas não vou falar sobre eles para evitar spoilers.

Então, fica aqui minha recomendação para quem quiser se aventurar neste universo, com seus fantasmas, zumbis, vampiros, lobisomens e até um médium e sua banda de rock. Desmortos é uma boa leitura de passa tempo, de texto limpo, que aborda várias questões de interesse do público jovem e que consegue prender o leitor e possivelmente divertí-lo.

Para ler Desmortos

Sobre a autora
Não falei muito da autora, mas se quiser saber mais, achei essa entrevista aqui da revista Trasgo que é bem legal, na qual ela fala sobre Desmortos e outros assuntos. Por exemplo, descobri que somos ambos fãs de Diana Wynne Jones: http://trasgo.com.br/entrevista-mary-c-muller/

Página no Wattpad – http://www.wattpad.com/user/MariaClaudiaMller

Página no Skoob – http://www.skoob.com.br/autor/12072-mary-c-muller

O Andarilho – Bernard Cornwell

Capa: O AndarilhoO Andarilho é o segundo livro da saga de Thomas de Hookton e faz parte de uma série chamada Trilogia do Graal. O primeiro livro é “O Arqueiro” e terceiro “O Herege”. O livro confirma minha resenha do primeiro livro possuindo um forte personagem central e um trama que prende a atenção e satisfaz no final.

Thomas é um arqueiro inglês que testemunha e participa de algumas batalhas na guerra dos cem anos. É também o filho bastardo de um padre, que era por sua vez, um membro da nobreza francesa e guardião de relíquias sagradas.

Em O Andarilho, Thomas retorna à Inglaterra numa missão para Eduardo III a fim de determinar se a relíquia guardada por seu pai é o verdadeiro Cálice Sagrado. Ele viaja com sua mulher, Eleanor e o padre Hobbe. O arqueiro acaba se envolvendo na batalha histórica Cruz de Neville em 1346 entre ingleses e escoceses. Acaba conhecendo o nobre escocês, Robbie Douglas que passa a integrar a trama.

Contos

Depois de deixá-los por muito tempo encalhados, resolvi publicar no Wattpad alguns de meus contos. Adicionei aqui no blog uma página a lista.

Atualizado! Novo conto: Corruptos, do universo Terra das Nove Luas.

Atualizado2! Novo conto: Da terra viemos, para a terra retornaremos. Outro conto da Era Maldita.

Vai lá!

Retrospecto de 2014

Bem, este é o último dia do ano. Como já fiz algumas vezes, vou fazer aqui um resuminho. É também oportunidade para ver se rolou alguma coisa interessante que acabou passando batido. Bora lá?

LANÇAMENTOS DA MULTIVERSOS

Fiz o lançamento do, muito esperado por muitos, Oráculo Esquecido. Para mim foi um grande feito conseguir terminar e publicar essa história que comecei a escrever em 1996.

Wattpad. Descobri essa plataforma para ler livros e conhecer novos autores, mas também para divulgar meu trabalho e obter feedback. Já lancei 3 títulos:

Também soltei versões revisadas de Olhos Negros e Maré Vermelha (como eBook).

RESENHAS.

Tivemos 12. Claro que li livros de outros assuntos e alguns que não resenhei também.

ELANTRIS_1352039060PBrandon Sanderson – Foi uma felicidade ter lido 5 livros do autor este ano. Ele é muito bom, certamente está entre meus 5 autores favoritos atualmente.

 

 

 

Bernard Cornwell – Conheci esse escritor fabuloso e dois de seus livros de ficção histórica.

 

Fantasia. Foram livros que li dentro da ideia de ler o cânone de fantasia. Gostei muito do segundo livro da série de Earthsea, de Ursula K. Le Guin. Se tiver oportunidade, terminarei de ler a série em 2015. Li o primeiro e segundo livros da série de Xanth, mas só resenhei o primeiro. Dificilmente vou continuar lendo a série, mas valeu conhecer. E as aventuas de Farfd e Grey Mouser são imperdíveis. Fritz Lieber é um grande mestre da fantasia. Cheguei a ler mais coisas dele, mas não resenhei. Fiquei me devendo ler mais livros do Moorcock este ano….

Bizarrices. Foi legal conhecer Leonel Caldela num romance de  fantasia/horror que se passa no Brasil, mas ler Kurt Vonnegut é sempre um prazer e uma surpresa.

PRODUÇÃO

Alguns leitores me escrevem perguntando sobre próximos romances… Pretendo publicar dois, dos três que tenho “prontos” em 2015. Continuo escrevendo dois romances, um que ainda não tem título, mas que pós-apocalíptico e de fantasia num mundo que em que já houve alta tecnologia. Outro, por enquanto, se chama “Herdeiro de Kamanesh” e se passa cerca de vinte anos depois de “Oráculo Esquecido”. Ainda não decidi se será um livro único, ou uma série. Bem, na verdade tenho cerca de 6 romances em andamento, mas decidi focalizar nesses dois. Às vezes a inspiração para um deles se esvai… E acabo pegando um outro, ou até começando algo novo. Vamos ver onde a inspiração me leva em 2015.

Também estou trabalhando para publicar alguns contos que estavam parados… Coisas esquisitas. Tem uns três de Sci-Fi bem malucos, um de super-heróis e também, uns de fantasia da Terra das Nove Luas, que não podiam faltar, né?

Estive fazendo uma adaptação/expansão do Memorial de Quill para quadrinhos, mas parei com o projeto. Depois de tentar ilustrar eu mesmo, decidi contratar bons desenhistas, mas dei azar e a coisa toda não foi para a frente. Se souberem de um bom quadrinista que está em busca de histórias para soltar seu traço, me avisem, ok?

2014 foi bem produtivo, especialmente considerando o fato que estou com uma filha de 4 anos e que este ano nasceu meu segundo filho, que está agora com 5 meses. Fora isto, meu trabalho de 6 horas, transformou-se de 8+. Enfim, o tempo para escrever anda bem reduzido, mas ainda assim, tenho conseguido alguma coisa… Que venha 2015. Tudo de bom para vocês e obrigado por acompanharem meu trabalho.

O Código Élfico – Leonel Caldela

Código ÉlficoSanto Ossário, a cidade para onde todos voltam, uma pitoresca cidadezinha brasileira de interior, chega a ser um personagem na trama ousada delineada pelo autor em O Código Élfico. Digo ousada, por que não é todo dia que nos deparamos com a mesclagem de gêneros e temas que Leonel empreendeu para constituir este romance. Talvez a mais relevante seja a ideia de mesclar fantasia de origem estrangeira (no caso nórdica) num pano de fundo de brasilidade, algo que é possível encontrar na literatura de cordel, ou na série de Roberto Sousa Causo, a Saga de Tajarê. Mas o Código Élfico não se enquadraria no gênero borduna e feitiçaria, tampouco espada e magia. De algum modo, lembra uma das séries de Michael Moorcock, The Dreamthief’s Daughter, The Whitewolf’s Son e The Skraeling Tree. Nela, um dos personagem clássico de histórias de espada e magia, Elric visita a terra através de Ulric Von Bek, e por exemplo, há uma batalha entre uma revoada de dragões montados pelos lordes de Melninbonè contra esquadras de aviões da Luftwaffe durante a segunda guerra mundial. Em o Código Élfico, vemos elfos montados em grifos combatendo helicópteros Apache, Black Hawks e aviões bombardeiros.

A mesma vibe.

Aliás, definir o gênero do livro é um pouco desafiador, pois ele varia ao longo do livro. Em alguns momentos, predomina o horror, em outros, há uma pitada de sátira envolta no uso de meta linguagem de filmes e da própria ficção literária. Em outros, há um tom de narrativa oriental, zen-budismo e momentos “filosóficos”. Ali na esquina, estamos beirando o gênero de super-heróis, com socos que arremessam inimigos a vinte metros de distância e monges que provocam tufões arrasadores soprando automóveis e outras coisas. Há também uma pitada de fantasia e magia, aqui e ali, e mesclagem com alta tecnologia, engenharia genética e outros bichos. Sei lá, algo como salada fantástica horrorífica à brasileira. Ou talvez, simplesmente New Weird (mas confesso que entendo pouco deste gênero).

 Não foi um livro fácil de ler, pois durante quase todo desenrolar da trama algo ficava faltando para dar liga e transformar o livro num “virador de páginas” (aqueles que não conseguimos parar de virar as páginas). Não digo com isso que o livro seja ruim, na verdade, há muitos elementos nele que me agradaram. Vamos a eles.

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