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A Maldição – As Aventuras do Caça-Feitiço, livro 2 – Joseph Delaney

É o segundo livro dessa série e veio para mostrar que aquilo que começa bem, pode sim, melhorar.

Nesta nova aventura o jovem Thomas Ward e seu mestre, o Caça-feitiço, vão enfrentar ameaças ainda maiores do que a velha Mãe Malkin. Tom começa trabalhando sozinho para tentar capturar o Ogro (Boggart no original) que mantém aprisionado o irmão de seu mestre, uma vez que ele está adoentado. Aqui vale uma ilustração do clima do livro, com pequeno, mas passável spoiler. O padre, irmão do Caça-Feitiço, está preso na igreja, com uma das pernas, já gangrenando, puxadas para dentro uma fenda feita pelo ogro que suga e se delicia lentamente o seu sangue.

Como no primeiro livro, o autor consegue trazer sentimentos macabro, medo e uma atmosfera sombria. Há um grande aprofundamento nos personagens já apresentados e começamos a conhecer um pouco do passado do  velho Gregory (Caça-feitiço).

A amiga de Tom, a bruxa Alice, também está de volta e seu envolvimento na trama e no confronto ao Flagelo, o principal antagonista sobrenatural do livro. Além de ameaças sobrenaturais, os personagens terão de confrontar a figura do terrível e cruel inquisidor da igreja que quer eliminar bruxas, caça-feitiços, sendo culpados ou não, a fim de obter poder para si e garantir o monopólio da igreja no assunto de enfrentamento ao sobrenatural. Mesmo sendo “apenas” humano, inquisidor é uma figura muito assutadora também.

Esse segundo livro é totalmente imersivo, daquele tipo que não queremos para de ler um minuto sequer. Acabei lendo em menos de 3 dias.

Muito da estória se desenrola em torno da cidade de Priestown (local com grande concentração de religiosos) onde um antigo espírito maligno foi aprisionado em antigas catacumbas. É um ótimo exemplo de criatura maligna… Algumas passagens nas quais a criatura tenta tom através de seus sonhos e também as referências aos padres que ele enlouqueceu e fez se suicidarem, mostram a natureza vilanesca e corruptora da criatura. Além disso, sua capacidade de esmagar as pessoas, achatando-as no chão, é uma coisa medonha também. Ao longo do livro, vão chegando informações sobre o passado desse mundo, suas criaturas, tradições e história. Sobre isto, temos a impressão de que nos próximos livros veremos essa ambientação se tornar ainda mais rica.

A relação de Tom com Alice continua muito interessante e há tensão crescente neste segundo volume. É também notável a capacidade do escritor de narrar e descrever de um modo muito atrativo, criando a atmosfera adequada e deixando cada paragrafo e passagem aprazível.

Apesar de voltado ao publico juvenil, pode mesmo constituir uma boa aventura para adultos também, com personagens memoráveis, tensão, trama interessante e boa dose mistura de terror visual/físico com horror psicológico.

Muito recomendado!

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Trono de Vidro – Sarah J. Maas

Sempre que eu passava na livraria, dava uma olhada naquela capa eu pensava: “Parece bom, uma hora eu compro para ler”. Então, consegui uma cópia do livro e… Primeiro, o livro tem uma premissa legal: “A maior assassina do reino, presa nas minas de sal tendo uma chance de ganhar sua liberdade de volta num tipo de torneio até a morte…” Dá para animar, né?

Então Calaena Sardothien  é retirada das minas de sal e levada para a capital para se instalar num castelo que sofreu uma reforma para se tornar um castelo de vidro. É cercada por dois charmosos pretendentes, o príncipe e o capitão da guarda. Bem, o romance e diálogos divertidos e uma pitada de mistério são os pontos fortes do livro. E boa parte da trama fica em torno disto. Mas a construção do mundo e sensação de verosimilhança que a autora dá à ambientação e a trama em si é fraca.

A narrativa não é de todo ruim, dá até para gostar mais ou menos dos personagens e até mesmo a parte do romance, mas a execução do livro fere demais algumas ideias básicas de sua premissa. No final das contas, Calaena Sardothien não convence como a mais notória assassina de Adarlan. Afinal, o que ela fez para merecer esse título? A ação no livro é boa, mas tardia. Só aparece próximo ao final. Para aqueles que buscam mundos de fantasia coerentes, talvez não fiquem muito felizes com este livro.
É um típico livro do tipo ame ou odeie. A despeito do que disse, nem amei, nem odiei. Mas não é nada memorável e não me deu vontade de continuar lendo a série. E vou ficar por aqui, sem muita animação para elogiar ou “descer a ripa”.

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O Espadachim de Carvão – Affonso Solano


Bem, eu cheguei a esse livro às cegas, sem nenhuma indicação e nenhuma informação a respeito. Sua descoberta foi uma ótima surpresa!

Se prepare para adentrar num novo mundo povoado por estranhas criaturas e deuses nada convencionais. O Espadachim de Carvão nos apresenta Adapak, um jovem semi-deus do mundo de Kurgala. Ele é um ser singular e um guerreiro de habilidade incomparável, mas também um sujeito inteligente e inocente.  Ele apendeu muito sobre o mundo em livros, mas viveu a maior parte de sua vida isolado da civilização.

Agora, teve que abandonar seu lar e está sendo perseguido por assassinos e não tem a menor ideia do porquê eles o perseguem. Tudo que eles dizem é uma palavra que para ele não tem sentido: Ikibu.

A primeira vista, parece tratar-se de uma estória de fantasia, mas ao longo da leitura, vão surgindo algumas dúvidas a este respeito e, mesmo havendo um forte sabor do gênero espada e feitiçaria (sword and sorcery) na obra, surgem sugestões de explicação fora do ramo sobrenatural para o mundo de Kurgala, seus deuses, povos e magia. Então, como o livro não entra em detalhes quanto a estas explicações, senti que ele mais se aproxima do gênero romance planetário, ou seja, um romance de ficção científica cuja parte científica fica em segundo plano. Algo como O Planeta dos Dragões, de Jack Vance.

É um livro recheado de muita ação, com cenas de batalhas bem descritas, com um toque cinematográfico. É também um thriller de mistério, no qual, ao mesmo tempo que Adapak é perseguido, precisa desvendar alguns mistérios… Como seus assassinos sempre o localizam? Quem quer sua cabeça? Etc.

Que sorte que há humanos em Kurgala, pois eles são a única âncora para que possamos nos localizar e imaginar esse mundo repleto de raças inteligentes e animais fantásticos. Nekelmurianos, gisbarianos, usharianianos, etc, são muitas raças exóticas (com nomes exóticos) que convivem neste mundo, e como somos apresentados a muitas raças, em alguns momentos, me senti um pouco perdido e com dificuldade para imaginar, nada que prejudique o global, é claro. O tipo do livro que deveria vir acompanhando de um atlas, ou bestiário.

Tem muitos personagens secundários interessantes, mas a aparição e permanência deles na narrativa é um pouco curta… Quando estamos começando a gostar deles, lá se vai Adapak para outro canto… Do ponto de vista de temas, é notável a crítica a respeito de drogas e prostituição, vistas do ponto de vista inocente do protagonista. Acho que o aspecto que mais gostei neste livro foi o uso de metalinguagem. Adapak passou boa parte de sua infância lendo livros dados por seu pai, o deus Dingirï, Enki’När. Entre estes, havia livros de aventura que só conhecemos os títulos e algumas alusões, as aventuras de Tamtul e Magano. Os títulos destes livros imaginários já valem o livro… Fiquei viajando imaginando essas estórias.

  • Tamtul e Magano contra a ampulheta da Rainha Estátua;
  • Tamtul e Magano contra o terror do abismo vermelho;
  • Tamtul e Magano em busca da torre invertida;
  • Tamtul e Magano e o elmo do imperador sorridente;
  • Tamtul e Magano contra o gigante de vidro;
  • Tamtul e Magano contra a ampulheta da Rainha Estátua;
  • Tamtul e Magano contra o olho de Pht’Angü;
  • Tamtul e Magano contra o terror do abismo vermelho;
  • Tamtul e Magano e o tesouro da ilha submersa;
  • Tamtul e Magano contra a ameaça de Rumbaba;
  • Tamtul e Magano e os muros da fortaleza de areia.

Não gente, fala que não é o máximo?

No frigir dos ovos, é um livro legal sim, principalmente pela originalidade. Mas é um pouco rápido demais e em alguns momentos senti falta de descrições melhores, tanto dos personagens como dos cenários. Um bom livro de estréia. Descobri agora que saiu uma continuação, então espero que autor apresente alguma evolução em seu texto para que seja uma obra mais “redondinha”.

Enfim, se você está em busca de uma aventura diferente, com mitologia própria, ação, mistério, narrativa contemporânea, seu livro é O Espadachim de Carvão, livro de estréia do escritor Affonso Solano.

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Veja mais no site do livro: http://espadachimdecarvao.com/

O Aprendiz – As Aventuras do Caça-Feitiço, livro 1 – Joseph Delaney

Resolvi matar minha curiosidade quanta a esta série e não me arrependi! Este é um livro muito bem escrito, em primeira pessoa, e que me fez vencer o trauma causado por “O Nome do Vento”, ufa!

Thomas Ward é o sétimo filho de um sétimo filho que vem a ser selecionado para ser aprendiz de um mago. Bem, não imagine um mago soltando raios e transformando pessoas em animas, no original, a série usa o termo Spook, que serviria para qualquer tipo de assombração ou coisa sobrenatural. A Solução da tradução foi o termo Caça-Feitiço, que achei um pouco estranha, mas tudo bem.

Então, Thomas precisa deixar a segurança de seu lar para ingressar numa carreira ingrata, cheia de perigos e mistérios. Seu mestre é um sujeito durão, mas realista quanto aos “ossos do ofício” e não facilita as coisas para ele como aprendiz. Thomas tem que aprender tudo o que puder para lidar com bruxas, fantasmas, demônios e outras coisas, mas já em seus primeiros dias de aprendizado acaba se envolvendo num caso muito perigoso.

O Lorde Supremo – Trudi Canavan

Capa O Lorde SupremoBem, chegamos à conclusão desta saga! Em O Lorde Supremo vemos mais ação, suspense romance e alguma tensão. Gostei dos personagens em geral, mas tive um pouco de dificuldade com Cery. E isso deu uma tônica ao livro, alguns capítulos foram estimulantes enquanto outros um pouco lentos. Como sempre, vai chegando o final de uma série e fica um pouco difícil falar sem introduzir spoilers, mas vamos lá!

Sim, de acordo com o título do livro vamos ver muito mais sobre Akkarin, o Lorde Supremo neste livro. Os assassinatos em série continuam a acontecer em Imardin e em torno disto a trama se desenvolve.

A conclusão da trama não decepciona muito. A possível batalha em maior escala entre magos vem a acontecer e é um dos pontos interessantes, pois permite ver mais da visão da autora sobre o impacto na sociedade da existência de magia e magos.

Em alguns momentos a autora perde o senso de urgência e descreve possíveis desdobramentos das ações de vários personagens que não são essenciais para o enredo central. Muitos leitores desejam grande objetividade quando se trata de trama, mas por outro lado, é possível conhecer mais sobre esses personagens quando o autor faz tal opção.

A autora explora um relacionamento gay no livro, mas de algum modo o tratamento é desigual em relação aos relacionamentos heterosexuais presentes no livro. Acho que isso pode incomodar algumas pessoas, mas acho que entendo por que ela deixou os detalhes do relacionamento gay de fora.

Tá longe de ter sido uma série favorita, muitos aspectos deixaram a desejar, em especial a camada política da estória, mas gostei de alguns aspectos quanto ao funcionamento da magia e seu impacto na ambientação do livro.

Recomendo esta trilogia para quem gosta de fantasia, protagonista feminina, romance e ambientação com presença intensa de magia.

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