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O Vitral Encantado – Diana Wynne Jones

Resolvi começar a escrever esta resenha mesmo antes de concluir a leitura deste livro, pois é daquele tipo de livro que começamos a sentir saudades, mesmo antes de terminar de ler. Neste livro, somos transportados para Melstone, uma pitoresca cidadezinha de interior na Inglaterra. E como é comum nas obras desta incrível escritora, temos personagens interessantes, mistério e é claro, magia, muita magia. Não é por que a Sra. Diana Jones fala de magia, que seus livros são mágicos, mas por que ela foi uma pessoa capaz de observar o mundo, pessoas, personalidades, seus desejos, virtudes e vícios, mas também, tudo aquilo que está ao redor do que é ser humano, um pão quentinho saindo do forno, aquele prato de legumes que não gostamos tanto, mas que acabamos comendo em alguma circunstância, uma grama verdinha e quente para se deitar num dia de verão, o olhar amigo de um cão, o medo que sentimos ao ver entranhas sombras na noite, o poder de um sorriso, tudo isso, faz com que cada livro que ela escreva seja mágico. Ela não foi uma escritora comum, mas sim uma encantadora de palavras. Outro aspecto é que ela deixa a barreira entre livros para crianças e para adultos difícil de traçar.

Agora que já terminei de ler, vamos ao livro.

Neste livro temos dois protagonistas, o professor Andrew Hope, um  adulto na casa dos trinta anos e Aidan, um garoto de doze anos. O professor herda uma propriedade numa pacata cidadezinha de interior, onde todos conhecem todos, mas não é uma propriedade comum. Ela foi a casa de seu avô, um feiticeiro que acabou de morrer, e há assuntos de magia pendentes com os quais Andrew tem que lidar, apesar de não saber muito sobre isso. Outra coisa boa, e ruim ao mesmo tempo, que Andrew herda junto com a propriedade são os empregados, uma dupla com bastante personalidade. Do outro lado está Aidan, o garoto perdeu a avó, que era amiga do avô de Andrew, e vê-se perseguido por seres estranhos. A saída para seus problemas estaria em encontrar o avô de Andrew, mas isto já não é mais possível.

O professor Andrew só queria um pouco de sossego para conseguir dedicar-se a seu projeto dos sonhos, escrever um livro, mas a chegada de Aindan e alguns problemas com o velho vizinho de seu avô, o Sr. O. Brown, não vão lhe dar paz.

Há mistérios a serem desvendados, um trama que evolui, na medida em que Andrew acolhe a causa de Aidan e consegue ajuda com algumas pessoas da cidade, como a sobrinha de seu jardineiro e o pai dela.

É um livro no qual questões de magia e outras mundanas se misturam dando uma sensação de sustentação para os aspectos fantásticos. Você sente a magia e seres mágicos como gigantes e “lobisomens” são reais. Sem querer me aprofundar em detalhes da trama que poderia gerar spoilers, é preciso registrar que é uma obra encantadora, do mesmo nível dos livros da série O Castelo Animado (veja um comentário sobre o terceiro livro da série, A Casa dos Muitos Caminhos).

Adorei esse livro, de verdade. Muitíssimo recomendado.

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Lugar Nenhum – Neil Gaiman

Capa: Lugar NenhumNeil Gaiman é um grande escritor e que domina o gênero fantasia. Como distorcer realidades e usar a imaginação para criar mundos fantásticos. Suas descrições de personagens, situações e acontecimentos, muitas vezes, recorrem ao não convencional trazendo uma experiência de leitura prazerosa.

Lugar Nenhum é um livro de fantasia urbana que se passa em Londres. A Londres de Cima, é o mundo normal que conhecemos, a Londer de Baixo, é um ambiente semi-mágico habitado por pessoas estranhas, seres fantásticos e que vamos explorar junto com o protagonista, Richard Mayhew.

Uma curiosidade: foi produzida, em 1996, uma série para TV da BBC na qual o livro foi baseado. Tive a chance de assistir 2 episódios. Eu não aconselho ver. A produção é razoável, mas daria tudo para obter de volta todas as imagens imaginei lendo, já que agora, parte delas foi roubada pelo que vi da série de TV. A série, em termos de efeitos, etc, já ficou um pouco datada. Contudo, a produção um longa metragem com um orçamento grande, nos dias atuais, poderia compensar.

Richard, um típico cara normal, que tem uma bela e mandona namorada com que pretende se casar, se esbarra com uma garota caída na calçada e sangrando. Por algum motivo ele a nota e resolve ajudá-la. Digo, por algum motivo, pois como vamos descobrir durante a trama, é improvável que habitantes da Londres de Cima consigam fixar atenção em qualquer habitante da Londres de Baixo. Vamos então, saindo da realidade para um contexto onde coisas estranhas e até absurdas começam a acontecer, como por exemplo, a garota salva por Richard, chamada Door, ser alguém capaz de conversar com animais.

A narrativa de Gaiman é bem humorada e perspicaz e isso o funciona como um bom lubrificante para a trama. Somos introduzidos aos demais personagens, pouco a pouco, entre estes, a dupla de vilões, Sr. Vandemar e o falastrão, Sr. Croup, ambos cruéis e sádicos que estão no encalço de Door. Eles trabalham para alguém misterioso, alguém que mandou matar toda a família da Door, e não sabemos o porquê.

A jornada de Richard não é nada fácil, pois a princípio,ele não tem nenhuma aptidão especial para sobreviver nos túneis e câmaras da Londres subterrânea. É um cara de quem a gente chega a sentir pena, de tão tonto que é, mas que vamos simpatizando, na medida em que se mostra sempre bem humorado e disposto a ajudar.

Acho que alguns poderão considerar um ponto fraco deste livro o fato de Richard, até uma boa extensão da estória, ser alguém sempre sendo levado pelas circunstâncias, e não, como deveria um protagonista típico, tomar as rédeas e resolver os problemas por si só.

Penso que o ponto forte, além do próprio talento do autor para descrever cada situação, delinear o enredo e construir cada personagem, é o fator de descoberta de um mundo sobrenatural desconhecido para o leitor em conjunto com Richard. A ambientação da Londres de Baixo, seus habitantes, hábitos culturais e esquisitices é realmente ótima.

O livro é como uma passeio louco em que pegamos uma boa carona com Richard. Acredito de muitos de nós não faríamos algo diferente se submetidos a situações tão estranhas e inesperadas. No fim é uma jornada de aprendizado, crescimento e mudança. Na perspectiva da uma evolução de Richard o ritmo é devagar, com quase tudo, ficando para porção final da estória.

É uma jornada com algumas boas surpresas, que vale a pena percorrer e poderá agradar os amantes do gênero fantástico.

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Shiroma – Matadora Ciborgue – Roberto de Sousa Causo

shiroma capaFicção científica não é o gênero que tenho mais lido nesses últimos anos, mas certamente um gênero pelo qual tenho muito gosto e que foi porta de entrada para minha vida de leitor. Li o suficiente de romances de autores estrangeiros de FC para dizer que Shiroma, Matadora Ciborgue, é um bom livro e que poderá agradar muito aos fãs de ficção científica. Vale dizer que, talvez assim com uma grande massa de leitores, conheço muito pouco da FC nacional.

Meu interesse pelo livro veio do fato de já acompanhar outras obras do autor, tais como a Saga de Tajarê e o romance A Corrida do Rinoceronte. Como de costume, tentarei falar sobre a obra evitando spoilers.

Protagonizado por uma anti-heroína, letal assassina trans-humana, no caso, uma ciborgue, o livro é organizado numa sucessão de contos cronologicamente relacionados e que acabam dando ao conjunto da obra um aspecto de romance, mas com narrativa episódica. Entende-se que o autor, quando criou a obra, o fez por partes e ao longo do tempo, um conto de cada vez, até que a soma deles veio a configurar uma única publicação. Este fato leva à presença de alguns trechos com recapitulações, dentro de cada conto, mas que não chegam a incomodar.

A ambientação é bastante interessante. Os contos se passam no século XXV, num futuro em que a raça humana está em expansão, colonizando mundos em zonas relativamente próximas à Terra. Neste cenário, há forte influência de corporações na política. Há registro de outras civilizações e raças inteligentes, mas nesses contos, isso tem pouca relevância. Exceto por um dos contos, em que a assassina interage com uma interessante dupla de gneifohros, alienígenas inteligentes que lembram cães. Este livro ocorre no mesmo universo ficcional (galAxis) do romance Glória Sombria e de outros tantos contos e noveletas. Para mais, veja o site: http://galaxis.aquart.com.br/

bela_nunesO livro começa com um conto de origem, protagonizado pela mãe de Shiroma, Mara Nunes, também uma ciborgue, mas de um modelo menos avançado. E daí para frente, seguimos a trajetória da filha, Bella Nunes. O tema central dos contos são as missões de Shiroma como assassina e o impacto disto em sua psique, de algum modo frágil, e sua própria forma de lidar com sua situação: a de ser uma espécie de prisioneira nas mãos de uma dupla de criminosos, Tera e Tiago, que são personagens recorrentes na trama. Em meio à ação, intrigas e perigos mortais, a protagonista tenta traçar seu próprio destino e se recuperar do trauma de ter sido tirada de sua mãe e de sua terra natal, além de perder a própria identidade e seu nome. Um dos aspectos instigantes da obra são os dilemas morais enfrentados por Shiroma.

Shiroma é um tipo de ciborgue de tecnologia mais avançada e ainda desconhecida para as pessoas de sua época, que mistura avanços nanotecnológicos e genéticos. Treinada desde criança para se tornar uma assassina implacável, há algo de humano que ainda ressoa em seu interior e que a impede de simplesmente agir sempre do modo que seus captores desejariam.

Os contos possuem tonalidades diferentes, mas com um fio condutor em comum. Exceto um deles, no qual a protagonista não possui uma participação direta, sendo este tratado do ponto de vista de outros personagens, enquanto as ações de sua atuação são investigadas. E isso permite ao leitor um vislumbre diferente de outros aspectos constantes desta ambientação.
Gostei o bastante para decidir que uma de minhas próximas leituras será o romance Glória Sombria, protagonizado por pelo herói Jonas Peregrino, que é citado em um dos contos desta obra.

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A Batalha – As Aventuras do Caça-Feitiço, livro 4 – Joseph Delaney

Chegamos ao quarto livro desta divertida série que tem mantido um bom nível. Uma terrível ameaça paira sobre o Condado. Tom, o Caça-Feitiço e Alice vão para Pendle, a província onde Alice nasceu e que é infestada por bruxas malévolas.

Mesmo sendo bom, é possível notar a repetição de uma fórmula que talvez prejudique os próximos volumes. Não houve grande desenvolvimento em relação aos personagens como nos livros anteriores, mas a parte de ambientação e trama continuam muito boas.

Em Pendle, 3 clãs de bruxas rivais estão para se unir a fim de trazer de volta à terra o Diabo. Um pouco mais da história da mãe de Tom é revelado, um pouco mais sobre seus irmãos e também temos a introdução de uma nova antagonista, a bruxa assassina Grimalkin (que retornará num próximo livro da série). Outra antagonista interessante que aparece é a bruxa Mab que parece ter uma queda por Tom, fato que pode levar várias complicações para o rapaz.

As coisas estão tensas para Tom, uma vez que membros da sua família estão sob sério risco e ele precisa correr muito para salvá-los. Um aspecto interessante no que diz respeito à ambientação é que começam a ser abordados temas políticos, como uma guerra e o papel que as autoridades possuem no Condado.

E para variar, a sensação de clima sombrio e de horror continua sendo muito bem trabalhada pelo autor. Essa é uma série voltado para um publico adolescente, mas continuo querendo devorar esses livros. Já comprei os próximos volumes. E vamos adiante!

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O Segredo – As Aventuras do Caça-Feitiço, livro 3 – Joseph Delaney

BCapa O Segredorrrr, que frio! A coisa esfria no terceiro volume desta série infanto-juvenil. Um inverno longo, duro e cruel se aproxima. E que lugar terrível é a casa de inverno, em Anglezark, lugar onde Tom Ward, sua amiga Alice e John Gregory, o Caça-Feitiço, vão passar uma temporada.  

Tom é o aprendiz do Caça-Feitiço local, ou seja, seu trabalho é capturar bruxas, ogros e espantar fantasmas.

Na continuidade da trama, vão surgindo cada vez mais fatos sobre o misterioso passado do Caça-Feitiço. E a quantidade e teor dos desafios que Tom tem que enfrentar parecem apenas aumentar. Tom terá que descobrir se as estórias que dizem sobre um antigo espírito maligno, Golgoth, são verdadeiras. Ao mesmo tempo, descobrir alguns dos segredos bem guardados por seu mestre.

A cada novo livro que começo a ler, vem aquele medo de que a coisa toda se esgote, ou perca o ritmo. Mas isto ainda não aconteceu com essa série. O terceiro prende tanto a atenção quanto seus antecessores.

A casa de inverno revela-se como um lugar medonho, escuro e com um porão recheado de criaturas das trevas aprisionadas. Há evolução e reviravoltas na relação de Tom com sua família, com Alice e com o próprio Caça-Feitiço.

Um dos novos personagens que surgem é um antigo conhecido do Caça-Feitiço, que logo no início da trama, pede a Tom para entregar uma carta a seu mestre. O Caça-Feitico, como é de seu feitio, é reticente com as dúvidas de Tom e mais um mistério começa…

Ao longo da trama, novas dúvidas vão surgindo (e resurgindo) quanto em quem Tom deve confiar. A a confiança, ou falta dela, poderá causar terríveis consequências para Tom e seus companheiros.

Novamente, (a fim de escapar de spoilers) só cabe repetir que que Joseph Delaney é um escritor muito habilidoso e que conseguiu construir, até aqui, uma série incrível que tem boa dose de aventura, suspense e horror.

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