fbpx

Tag: resenhas Page 13 of 21

Rainha da Tempestade – Marion Zimmer Bradley

A RAINHA DA TEMPESTADEQuando eu era moleque, li o primeiro livro da série Darkover, chamado A Chegada em Darkover. Essa é uma série de livros, com mais de 15 títulos, muito famosa que mescla ficção científica com fantasia. Também é considerado como do subgênero Romance Planetário. A premissa da série advém da colonização acidental deste planeta, que orbita uma gigante vermelha e tem quatro luas, por humanos. Muitos anos após a colonização, o uso de tecnologia se torna mais restrito e a sociedade entra num período feudal, com existência de guerras e disputas de famílias nobre sobre diversos feudos.

A Rainha da Tempestade se passa mil anos depois da chegada dos humanos e sua trama gira em torno de duas figuras principais, Allart, um dos principais herdeiros da mais forte família Hastur e Dorilys, uma menina-moça, herdeira do domínio de Aldaran e que possui fortes poderes psíquicos aqui chamados de laran.

Allart possui o laran da presciência e é atormentado por ele. Outra coisa que o incomoda é o programa de reprodução coordenado pelas leronis a fim de perpetuar e ampliar a existência dos poderes psíquicos nas linhagens nobres. Ao lado de Allart surgem outras figuras femininas fortes como Cassandra e Renata, também portadoras de laran. Já Dorilys é uma jovem voluntariosa que luta contra a maldição de seus próprios poderes. Personagens femininos fortes são uma característica conhecida das obras da autora, como por exemplo a série As Brumas de Avalon.

Como temas dominantes vemos a questão do sexismo, sexualidade, mau uso da tecnologia, orgulho, amor e submissão. É uma obra que se aproxima mais de fantasia do que de ficção científica. A própria questão dos poderes psíquicos e da super-ciência tornam a parte científica mais parecida com magia efetivamente.

Os conflitos internos nos personagens, algumas reviravoltas no enredo e algumas questões interessantes da ambientação tornam a leitura do livro agradável prendendo a atenção do leitor. Não é exatamente um livro de aventuras, apesar de haver alguma ação, de maneira que ficamos focados no desenrolar da trama dentro da temática explorada. Ao tempo todo, ficamos na expectativa de um desenrolar trágico se se confirma em alguns casos e em outros não.

Voltar a ler essa série foi bom e despertou a curiosidade para ler os demais livros. Um aspecto que parece interessante na série é que o fato dos livros funcionarem como estórias independentes e serem agrupados por eras, como a Era do Caos, Os Cem Reinos, Reencontro, etc.

Enfim, Rainha da Tempestade é um livro já um pouco antigo(1978), escrito por uma autora consagrada e que apresenta uma mistura de fantasia com ficção científica, trama interessante, personagens fortes, locações que estimulam a imaginação e a discussão de alguns temas presentes nos conflitos de poder que vemos em nossa sociedade.
Vale a leitura, recomendo!

Café-da-Manhã dos Campeões – Kurt Vonnegut


Voltamos com mais um título de Kurt Vonnegut. Neste livro, de narrativa fragmentada, muita crítica social e metalinguagem, acompanhamos Dwayne Hoover, um homem de negócios de uma cidade do meio oeste americano em seu curso de colisão com Kilgore Trout, o velho escritor de ficção científica citado em outros livros do autor.

Dwayne é bem sucedido no aspecto financeiro, mas está vivendo uma crise de entendimento em que questiona seu propósito de existência no mundo. Já Kilgore, é um escritor de ficção científica fracassado e que pela primeira vez está prestes a ter o valor de seu trabalho reconhecido. Através de Kilgore, em situações absurdas envolvendo povos alienígenas em seus livros de ficção científica, vemos muito da própria realidade estranha de nosso mundo e sociedade. Em torno dessas duas figuras flutuam uma dúzia de outros personagens interessantes. A narrativa é igualmente flutuante. Como o próprio autor defende, o livro brinca com a própria lógica de escrever livros com enredos engessados onde personagens cumprem seus papéis até que o enredo ganhe um desenlace. Ele propõe uma quebra, a realiza e até critica durante a realização.
A escrita inteligente e o livro tem umas passagens hilárias. Como é bom dar umas gargalhadas lendo um livro como este. Um uso de metalinguagem que achei genial é a introdução dele mesmo, o autor, entre seus personagens no meio da trama. É um pouco difícil explicar, ou mesmo falar, deste tipo de livro. O negócio é ler. É uma da obras mais conhecidas (e mais vendidas) do autor.

Link para comprar.

Então, boa leitura!

O Herege – Bernard Cornwell

O HeregeE finalmente, a conclusão da saga do Graal. (Leia também: O Arqueiro e O Andarilho). Como já vimos, o romance se passa durante a guerra de cem anos, reinado do Rei Eduardo. Thomas, um pequeno grupo de arqueiros e seu amigo Robbie Douglas são enviados à Gasconha para caçar seu primo, Guy Vexille, e tentar descobrir o paradeiro do Cálice Sagrado. Lá capturam uma fortificação, o Castillon D’Arbizon.

Depois de perder a esposa no livro anterior, Thomas encontra um novo interesse amoroso, Genevieve, uma moça acusada de bruxaria e condenada à fogueira. Mas essa mulher poderá colocar em cheque a amizade entre Thomas e Robbie, não só isso, mas também levar Thomas ao caminho de uma excomungação.

Thomas se vê deprimido com sua situação e, como fora da lei, suas esperanças se firmam em torno de encontrar o Cálice e talvez, alguma redenção. Daí vem a necessidade de desenvolver maior força de caráter. Anos atrás, ele começa sua jornada como um simples arqueiro, agora, precisa domar seu destino e também buscar vingança contra seu primo e arquinimigo. Há perigo e intrigas por todo o caminho…

Seu primo e a igreja se unem para buscar o Graal e fazem uso de mercenários a fim de capturar e matar Thomas. Um confronto com seu primo também é inevitável e tal oportunidade traz a Thomas informações para um insight que pode de fato levá-lo à encontrar o Cálice. Se não bastassem os inimigos, outro obstáculo que surge é a Peste Negra.

Este é o livro da série com menos referências a batalhas históricas, e perto da conclusão, toda a trama se direciona às questões pessoais de Thomas, seus inimigos e o ímpeto de encontrar o Cálice. Enfim, temos a conclusão de uma saga recheada de mitos e lendas e que retratam a realidade brutal do século quatorze de uma maneira excitante, com muitas referências históricas e com toque de realismo e drama que Bernard Cornwell nos oferece com seu talento especial de escrita de romances históricos.

Desmortos – Mary C. Müller

Capa DesmortosDesmortos é o primeiro romance de autoria independente que li na plataforma Wattpad. (Mencionei aqui a leitura de Warbreaker, lembram?) Mas o livro está também disponível no Widbook e, em breve, em versão impressa. Chega de enrolação, vamos lá!

Desmortos é uma ficção voltada para o público adolescente que gira em torno de Lorena, uma garota que morre atropelada e se vê ainda “viva” acordando no necrotério como uma zumbi. Um novo mundo do sobrenatural surge para ela e a primeira figura que ela conhece é Lucas, um jovem e enigmático fantasma que por algum motivo se mostra interessado em ajudá-la. É essencialmente uma estória de romance com umas pitadas de aventura que pode agradar bastante o público adolescente, e talvez, especialmente meninas.

Até aqui tranquilo, vamos ver como ir adiante sem spoilers, correto? Outro ponto a mencionar é que certamente não me enquadro no público alvo (já tenho quase 40, kkkk), mas vou procurar filtrar isso tudo adiante. 😉

A estória contém alguns bons elementos para manter o leitor virando as páginas. Pensei nesta hierarquia:

Primeiro, uma atmosfera de mistério e desconhecido. Não que nunca tenhamos lido ou visto estórias parecidas com essa em que uma personagem penetra aos poucos numa nova realidade do mundo sobrenatural, ou pós-vida, mas em Desmortos, as coisas nem sempre se revelam aquilo que se espera. Algumas coisas vão de encontro à expectativa, mas outras não, o que te faz ficar pensando: como é que é? Por exemplo, Lorena, Lucas e outras figuras almejam alcançar o Mais-Além, o que é OK e faz sentido para fantasmas, mas é estranho considerando-se o caso de zumbis (e outros bichos). Assim como outras perguntas e respostas que vão sendo propostas: Zumbis comem? Não apodrecem? Como a sociedade nunca os notou vagando por aí? Zumbis também tem direito a guias espirituais? Então, um elemento interessante passa a ser ver a proposta da autora para responder a esta e outras questões.

Segundo, o desenvolvimento dos personagens e o envolvimento emocional entre eles é progressivamente cativante. Então você passa e se importar ao que vai acontecer com eles. Não só os protagonistas, mas o elenco que vai surgindo no desenvolvimento da trama.

Em terceiro lugar, vou juntar o resto. O objetivo da protagonista não é muito claro no início, mas a trama que vai tomando força do meio do livro para frente e isso ajuda a prosseguir. O texto da autora é limpo, bom na parte de diálogos, descrições, dos lugares, roupas, gostos musicas, etc, assim como no desenvolvimento psíquico das personagens. E voltando a falar de diálogos, há uma pitada de humor aqui e ali. Me lembro de ter dado umas duas ou três risadas (o que é muito! Eu quase nunca do humor que encontro em livros). A música é um elemento trabalhado em Desmortos de um modo que vale destacar. É um exemplo de meta-linguagem usada pela autora considerando um livro que está sendo escrito na era da internet, no qual você pode linkar vídeos, playlists de músicas, ilustrações, etc, como linguagem complementar para o texto, assim como fazer inserções no texto para conversar com seus leitores. O que ela faz com muita simpatia.

Em relação a temas que aparecem, o leitor vai encontrar algumas reflexões sobre desapego, aproveitar a vida (e a morte) em quanto é tempo (mesmo suas banalidades como jogar videogame e comer junk food), suicídio, amizade, sexualidade e é claro: amor.

Acho que a parte boa é isso! Agora algumas coisas que deixaram a desejar. Em termos de ambientação e construção de mundo, muitas questões legais são levantadas, como disse, mas foram exploradas e respondidas só de maneira superficial. Entendo que o foco da história não era a ambientação, mas sim a trama em torno do relacionamento de Lorena e Lucas. No entanto, para que se importa com esses detalhes, o livro deixa aquela sensação de lacunas à preencher e pouca coesão. Como a autora vai dar continuidade ao universo de Desmortos, talvez ainda possa minimizar isto com uma melhor definição da ambientação e sua coesão. Outro ponto é a trama em si. A parte essencial da trama é boa, mas se considerarmos o conjunto dos capítulos do livro, em alguns momentos a direção da estória se perde um pouco. Existe a falta de continuidade da participação de antagonistas, que até surgem na parte inicial da trama, mas depois, passam a ter quase nenhuma importância. Mas não quero ser chato levantando mais umas dez picuinhas, pois gostei do livro.

Ah sim, antes de finalizar, vale mencionar os personagens Felipe e Sonny dos quais gostei bastante, mas não vou falar sobre eles para evitar spoilers.

Então, fica aqui minha recomendação para quem quiser se aventurar neste universo, com seus fantasmas, zumbis, vampiros, lobisomens e até um médium e sua banda de rock. Desmortos é uma boa leitura de passa tempo, de texto limpo, que aborda várias questões de interesse do público jovem e que consegue prender o leitor e possivelmente divertí-lo.

Para ler Desmortos

Sobre a autora
Não falei muito da autora, mas se quiser saber mais, achei essa entrevista aqui da revista Trasgo que é bem legal, na qual ela fala sobre Desmortos e outros assuntos. Por exemplo, descobri que somos ambos fãs de Diana Wynne Jones: http://trasgo.com.br/entrevista-mary-c-muller/

Página no Wattpad – http://www.wattpad.com/user/MariaClaudiaMller

Página no Skoob – http://www.skoob.com.br/autor/12072-mary-c-muller

O Andarilho – Bernard Cornwell

Capa: O AndarilhoO Andarilho é o segundo livro da saga de Thomas de Hookton e faz parte de uma série chamada Trilogia do Graal. O primeiro livro é “O Arqueiro” e terceiro “O Herege”. O livro confirma minha resenha do primeiro livro possuindo um forte personagem central e um trama que prende a atenção e satisfaz no final.

Thomas é um arqueiro inglês que testemunha e participa de algumas batalhas na guerra dos cem anos. É também o filho bastardo de um padre, que era por sua vez, um membro da nobreza francesa e guardião de relíquias sagradas.

Em O Andarilho, Thomas retorna à Inglaterra numa missão para Eduardo III a fim de determinar se a relíquia guardada por seu pai é o verdadeiro Cálice Sagrado. Ele viaja com sua mulher, Eleanor e o padre Hobbe. O arqueiro acaba se envolvendo na batalha histórica Cruz de Neville em 1346 entre ingleses e escoceses. Acaba conhecendo o nobre escocês, Robbie Douglas que passa a integrar a trama.

Page 13 of 21

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén