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O Aprendiz – As Aventuras do Caça-Feitiço, livro 1 – Joseph Delaney

Resolvi matar minha curiosidade quanta a esta série e não me arrependi! Este é um livro muito bem escrito, em primeira pessoa, e que me fez vencer o trauma causado por “O Nome do Vento”, ufa!

Thomas Ward é o sétimo filho de um sétimo filho que vem a ser selecionado para ser aprendiz de um mago. Bem, não imagine um mago soltando raios e transformando pessoas em animas, no original, a série usa o termo Spook, que serviria para qualquer tipo de assombração ou coisa sobrenatural. A Solução da tradução foi o termo Caça-Feitiço, que achei um pouco estranha, mas tudo bem.

Então, Thomas precisa deixar a segurança de seu lar para ingressar numa carreira ingrata, cheia de perigos e mistérios. Seu mestre é um sujeito durão, mas realista quanto aos “ossos do ofício” e não facilita as coisas para ele como aprendiz. Thomas tem que aprender tudo o que puder para lidar com bruxas, fantasmas, demônios e outras coisas, mas já em seus primeiros dias de aprendizado acaba se envolvendo num caso muito perigoso.

O Lorde Supremo – Trudi Canavan

Capa O Lorde SupremoBem, chegamos à conclusão desta saga! Em O Lorde Supremo vemos mais ação, suspense romance e alguma tensão. Gostei dos personagens em geral, mas tive um pouco de dificuldade com Cery. E isso deu uma tônica ao livro, alguns capítulos foram estimulantes enquanto outros um pouco lentos. Como sempre, vai chegando o final de uma série e fica um pouco difícil falar sem introduzir spoilers, mas vamos lá!

Sim, de acordo com o título do livro vamos ver muito mais sobre Akkarin, o Lorde Supremo neste livro. Os assassinatos em série continuam a acontecer em Imardin e em torno disto a trama se desenvolve.

A conclusão da trama não decepciona muito. A possível batalha em maior escala entre magos vem a acontecer e é um dos pontos interessantes, pois permite ver mais da visão da autora sobre o impacto na sociedade da existência de magia e magos.

Em alguns momentos a autora perde o senso de urgência e descreve possíveis desdobramentos das ações de vários personagens que não são essenciais para o enredo central. Muitos leitores desejam grande objetividade quando se trata de trama, mas por outro lado, é possível conhecer mais sobre esses personagens quando o autor faz tal opção.

A autora explora um relacionamento gay no livro, mas de algum modo o tratamento é desigual em relação aos relacionamentos heterosexuais presentes no livro. Acho que isso pode incomodar algumas pessoas, mas acho que entendo por que ela deixou os detalhes do relacionamento gay de fora.

Tá longe de ter sido uma série favorita, muitos aspectos deixaram a desejar, em especial a camada política da estória, mas gostei de alguns aspectos quanto ao funcionamento da magia e seu impacto na ambientação do livro.

Recomendo esta trilogia para quem gosta de fantasia, protagonista feminina, romance e ambientação com presença intensa de magia.

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Rainha da Tempestade – Marion Zimmer Bradley

A RAINHA DA TEMPESTADEQuando eu era moleque, li o primeiro livro da série Darkover, chamado A Chegada em Darkover. Essa é uma série de livros, com mais de 15 títulos, muito famosa que mescla ficção científica com fantasia. Também é considerado como do subgênero Romance Planetário. A premissa da série advém da colonização acidental deste planeta, que orbita uma gigante vermelha e tem quatro luas, por humanos. Muitos anos após a colonização, o uso de tecnologia se torna mais restrito e a sociedade entra num período feudal, com existência de guerras e disputas de famílias nobre sobre diversos feudos.

A Rainha da Tempestade se passa mil anos depois da chegada dos humanos e sua trama gira em torno de duas figuras principais, Allart, um dos principais herdeiros da mais forte família Hastur e Dorilys, uma menina-moça, herdeira do domínio de Aldaran e que possui fortes poderes psíquicos aqui chamados de laran.

Allart possui o laran da presciência e é atormentado por ele. Outra coisa que o incomoda é o programa de reprodução coordenado pelas leronis a fim de perpetuar e ampliar a existência dos poderes psíquicos nas linhagens nobres. Ao lado de Allart surgem outras figuras femininas fortes como Cassandra e Renata, também portadoras de laran. Já Dorilys é uma jovem voluntariosa que luta contra a maldição de seus próprios poderes. Personagens femininos fortes são uma característica conhecida das obras da autora, como por exemplo a série As Brumas de Avalon.

Como temas dominantes vemos a questão do sexismo, sexualidade, mau uso da tecnologia, orgulho, amor e submissão. É uma obra que se aproxima mais de fantasia do que de ficção científica. A própria questão dos poderes psíquicos e da super-ciência tornam a parte científica mais parecida com magia efetivamente.

Os conflitos internos nos personagens, algumas reviravoltas no enredo e algumas questões interessantes da ambientação tornam a leitura do livro agradável prendendo a atenção do leitor. Não é exatamente um livro de aventuras, apesar de haver alguma ação, de maneira que ficamos focados no desenrolar da trama dentro da temática explorada. Ao tempo todo, ficamos na expectativa de um desenrolar trágico se se confirma em alguns casos e em outros não.

Voltar a ler essa série foi bom e despertou a curiosidade para ler os demais livros. Um aspecto que parece interessante na série é que o fato dos livros funcionarem como estórias independentes e serem agrupados por eras, como a Era do Caos, Os Cem Reinos, Reencontro, etc.

Enfim, Rainha da Tempestade é um livro já um pouco antigo(1978), escrito por uma autora consagrada e que apresenta uma mistura de fantasia com ficção científica, trama interessante, personagens fortes, locações que estimulam a imaginação e a discussão de alguns temas presentes nos conflitos de poder que vemos em nossa sociedade.
Vale a leitura, recomendo!

Café-da-Manhã dos Campeões – Kurt Vonnegut


Voltamos com mais um título de Kurt Vonnegut. Neste livro, de narrativa fragmentada, muita crítica social e metalinguagem, acompanhamos Dwayne Hoover, um homem de negócios de uma cidade do meio oeste americano em seu curso de colisão com Kilgore Trout, o velho escritor de ficção científica citado em outros livros do autor.

Dwayne é bem sucedido no aspecto financeiro, mas está vivendo uma crise de entendimento em que questiona seu propósito de existência no mundo. Já Kilgore, é um escritor de ficção científica fracassado e que pela primeira vez está prestes a ter o valor de seu trabalho reconhecido. Através de Kilgore, em situações absurdas envolvendo povos alienígenas em seus livros de ficção científica, vemos muito da própria realidade estranha de nosso mundo e sociedade. Em torno dessas duas figuras flutuam uma dúzia de outros personagens interessantes. A narrativa é igualmente flutuante. Como o próprio autor defende, o livro brinca com a própria lógica de escrever livros com enredos engessados onde personagens cumprem seus papéis até que o enredo ganhe um desenlace. Ele propõe uma quebra, a realiza e até critica durante a realização.
A escrita inteligente e o livro tem umas passagens hilárias. Como é bom dar umas gargalhadas lendo um livro como este. Um uso de metalinguagem que achei genial é a introdução dele mesmo, o autor, entre seus personagens no meio da trama. É um pouco difícil explicar, ou mesmo falar, deste tipo de livro. O negócio é ler. É uma da obras mais conhecidas (e mais vendidas) do autor.

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Então, boa leitura!

O Herege – Bernard Cornwell

O HeregeE finalmente, a conclusão da saga do Graal. (Leia também: O Arqueiro e O Andarilho). Como já vimos, o romance se passa durante a guerra de cem anos, reinado do Rei Eduardo. Thomas, um pequeno grupo de arqueiros e seu amigo Robbie Douglas são enviados à Gasconha para caçar seu primo, Guy Vexille, e tentar descobrir o paradeiro do Cálice Sagrado. Lá capturam uma fortificação, o Castillon D’Arbizon.

Depois de perder a esposa no livro anterior, Thomas encontra um novo interesse amoroso, Genevieve, uma moça acusada de bruxaria e condenada à fogueira. Mas essa mulher poderá colocar em cheque a amizade entre Thomas e Robbie, não só isso, mas também levar Thomas ao caminho de uma excomungação.

Thomas se vê deprimido com sua situação e, como fora da lei, suas esperanças se firmam em torno de encontrar o Cálice e talvez, alguma redenção. Daí vem a necessidade de desenvolver maior força de caráter. Anos atrás, ele começa sua jornada como um simples arqueiro, agora, precisa domar seu destino e também buscar vingança contra seu primo e arquinimigo. Há perigo e intrigas por todo o caminho…

Seu primo e a igreja se unem para buscar o Graal e fazem uso de mercenários a fim de capturar e matar Thomas. Um confronto com seu primo também é inevitável e tal oportunidade traz a Thomas informações para um insight que pode de fato levá-lo à encontrar o Cálice. Se não bastassem os inimigos, outro obstáculo que surge é a Peste Negra.

Este é o livro da série com menos referências a batalhas históricas, e perto da conclusão, toda a trama se direciona às questões pessoais de Thomas, seus inimigos e o ímpeto de encontrar o Cálice. Enfim, temos a conclusão de uma saga recheada de mitos e lendas e que retratam a realidade brutal do século quatorze de uma maneira excitante, com muitas referências históricas e com toque de realismo e drama que Bernard Cornwell nos oferece com seu talento especial de escrita de romances históricos.

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