O segundo livro da série “Guerra do Velho” não é uma continuação direta, mas sim uma expansão do universo apresentado no livro anterior. Uma série que começou muito bem, portanto, a expectativa gerada para as continuações tende a ser alta. Já digo logo, gostei! É um bom livro com ritmo de leitura rápido e escrito com muita competência.
O autor repete a técnica usada no primeiro livro, colocando um protagonista que não sabe muito sobre o que vem adiante e que faz descobertas sobre o mundo junto com o leitor. Agora o foco da ação está em torno das forças especiais constituída por super soldados produzidos em laboratório, algo como crianças em corpos de adultos.
Mestre das Marés é uma space opera militar com uma inclinação para a ficção científica hard. Continuação do romance Glória Sombria e parte da série As Lições do Matador, se passa no século XXV, um período de expansão da presença humana em sistemas estelares a partir do Sistema Solar.
Nele, voltamos a acompanhar o Capitão Jonas Peregrino, um militar de ascendência brasileira que comanda uma unidade militar especial, os Jaguares. Sob o comando do Almirante Túlio Ferreira, ela atua no combate aos tadais, misteriosos robôs guerreiros que assolam vários sistemas estrelares.
Livro vencedor do Prêmio Argos 2017 de Literatura Fantástica na categoria “melhor romance”. Realmente, acredito ter sido merecido. É um livro muito bem escrito, com personagens interessante, boa trama e que traz diversas reflexões ao leitor em temas como liberdade de escolha e seus limites, privacidade, identidade, gênero, ceticismo e tradição como obstáculo à evolução. O romance tem conexões com o livro Dezoito de Escorpião (que já resenhamos aqui), mas um livro não requer a leitura do outro.
Essa ficção científica do experiente autor, Carlos Orsi, nos leva a um futuro tecnológico no qual uma nova religião, o culto do Pontífice domina os destinos das pessoas. É bem interessante ver uma religião se apropriando da tecnologia para manter o controle de seus fiéis e também cumprir o papel de ditar os caminhos que a humanidade deve seguir.
Neste contexto, conhecemos Rebeca, uma cientista que se vê envolvida num jogo de manipulação da realidade e se vê no caminho de tomar parte de uma tentativa de contrapor o poder soberano do culto e sua capacidade de fazer profecias.
Guerra Justa é um livro que se lê rapidamente, possui capítulos curtos, mas não segue um esquema que permite uma leitura fácil. Há mudança nos pontos de vista da narrativa, temática complexa e muitos conceitos… Não possui aquele tipo de trama em que o passo anterior leva ao próximo, há alguns saltos no caminho, mas ao mesmo tempo, apresenta uma temática interessante dentro de uma ambientação instigante. Faz com que o leitor precise montar as peças de um quebra-cabeças para fazer um bom sentido da trama apresentada.
Gostei muito da novela de fantasia, As Flores do Jardim de Balaur, e foi o que me motivou a adquirir mais títulos do autor. Lamento não ter gostado tanto assim deste livro como um todo, mas gostei bastante de algumas ideias e cenas. A narração no tempo presente também chegou a incomodar um pouco. Não se vê um investimento grande na construção de personagens e aprofundamento em seus conflitos internos e externos. É uma trama que toca os personagens de modo pontual enquanto constrói uma argumentação geopolítica/filosófica abrangente.
Li algumas opiniões polarizadas a respeito e as achei compreensíveis. Confesso que fiquei dividido. Acredito que faltou um pouco de um aspecto didático para ensinar ao leitor sobre a trama e sobre o mundo. Se você gosta de uma boa ficção científica e tem facilidade para destrinchar obras é bem possível que goste bastante do livro, pois ele possui uma densidade de conceitos científicos usados para embasar as extrapolações da tecnologia e seus efeitos sociais. O meu lado de escritor terminou a leitura satisfeito, pois pude agregar novas ideias e questionamentos sobre o futuro e efeitos da evolução e aplicação da tecnologia. Meu lado leitor queria ter se identificado mais com os personagens e ter seguido a trama sentido mais emoções.
Devo confessar que ainda conheço muito pouco do que existe de Ficção Científica escrita por autores brasileiros. Dito isto, penso que Dezoito de Escorpião é um dos livros de FC mais ambiciosos entre os nacionais e que me deixou uma forte impressão.
O livro narra a jornada de Arthur, um jovem estudante de história que é atormentado por uma doença que todos os médicos falham em diagnosticar, mas que se manifesta por súbitos surtos de dor. Assim como ele, vemos alguns outros jovens problemáticos como Martin e Lorena também possuem uma condição que os levará a se envolver na trama principal do livro.
Outro personagem que surge já no início dando um tom de mistério para o pano de fundo da trama é o Doutor Ravi Chandrasekhar membro de uma organização conhecida apenas como Areté, aparentemente um grupo de pessoas muito preocupada com determinadas descobertas astronômicas, assim como logo se vê, interessados também em jovens como Arthur, Martin e Laura.
Então quando Ravi se encontra com Arthur e propõe explicações para sua condição, que a trama começa a se desenrolar. Valendo notar que
Torna-se um pouco difícil penetrar nos temas abordados no romance sem enveredar pelo caminho dos spoilers, e vemos no livro alguns temas existentes na ficção científica tais como exploração espacial, poderes psíquicos e transumanismo. Um aspecto interessante da forma que o romance foi construído é que novos temas vão sendo introduzidos em camadas ampliando a complexidade da trama. Acredito até que a quantidade de temas foi ligeiramente excessiva, podendo em algum momento sobrecarregar o leitor com tantos assuntos. Não obstante, a trama, após uma introdução contando com múltiplos pontos de vista, segue um rumo mais linear em torno da trajetória de Arthur. Outro aspecto que pode deixar o leitor um pouco frustrado é o fato de nem todos os acontecimentos da trama serem explicados, mas o autor explica que o leitor poderá matar, em parte, sua curiosidade lendo o romance relacionado O Esplendor (que está aqui na minha fila de leituras).
Vale advertir que o tom do romance é um tanto sombrio, contendo algumas passagens de violência física e psicológica. Frente a isso, recomenda-se para leitores mais maduros.
Alexey Dodsworth tem um prosa bem consistente e consegue construir personagens interessantes críveis. Além da ousadia na seleção de temas, e construção da trama, é um romance que mostra as qualidades que o levaram a conquistar o Prêmio Argos em 2015.
Uma coisa que gostei na leitura, foi o fato de ter tido umas duas ou três surpresas, ou mesmo, inversões de expectativas. Outra coisa legal é que o autor ancora boa parte das premissas dos aspectos de ficção científica em fatos (muitos para mim desconhecidos) que podem ser verificados e estudados pelo leitor. O próprio autor encoraja o leitor a pesquisar a respeito das referências por ele selecionadas. Isso constitui um outro ponto positivo da obra que é estimular o leitor a aprender algumas coisas novas. Somado a isso, o tipo de final do livro, em aberto, mergulhado na ambiguidade, convida o leitor a exercer sua imaginação.
Fica minha recomendação para a leitura dessa obra instigante e que mostra alguns bons aspectos do gênero de ficção científica.