The Land Leviathan – Michael Moorcock

The Land LeviathanSegundo romance da série iniciada em The War Lord of The Air, The Land Leviathan narra mais uma viagem temporal/dimensional de Oswald Bastable. É interessante como o autor transforma o avô num personagem. Cansado de tentar publicar o manuscrito do primeiro relato de Bastable, o “velho” Moorcock sai à busca de Bastable. Ele faz uma viagem ao interior da China até o Vale do Amanhecer (citado no primeiro livro). Essa seção do livro é bastante interessante pelo tipo de retratação que é feita da China na época da revolução do início do século XX.

O “velho Moorcock” não consegue encontrar Bastable, mas uma outra versão da “crononauta” Una Persson que lhe entrega o manuscrito com o relato de sua segunda aventura (ou ainda, desventura). Desta vez, Bastable encontra um mundo devastado por uma guerra mundial em que novas potências estão a se confrontar defendendo seus ideais extremistas. Um tema forte neste livro é o racismo, ou a crítica a este. Uma destas grandes potências é a grande nação de negros comandados pelo Átila Negro, Cícero Hood, parece ser o grande vilão que quer fazer as raças brancas pagarem pelos crimes que cometeram contra a raça negra. Bastable tem uma passagem pela África do Sul (que nesta realidade tornou-se um país chamado Bantutstão e é um país pacífico e utópico comandado por uma versão alternativa de Gandhi.

Neste mundo, vemos a Inglaterra em ruínas tendo seu povo degenerado após ataques massivos de armas biológicas (e é sugerido que em outras partes do mundo o mesmo ocorre). Parte do mundo já vive num cenário pós-apocaliptico e a guerra em curso indica que as coisas podem ainda piorar. Bastable participa de uma grande batalha naval contra o império Autraliano-Japonês e depois da campanha terrestre contra os Estados Unidos. Do mesmo modo que no primeiro romance, Bastable é vítima de situações que não pode controlar e muda sua percepção aos poucos sobre aquele mundo e os ideais presentes nele, conforme tem experiências ruins. Quem seria pior? O conquistador e vingador Átila Negro vingativo, ou o povo americano mergulhado novamente no extremismo racial em que as tropas governamentais usam roupas e doutrina da Klu Klux Klan?

Um lado interessante na obra e que motivou tantas mudanças na história mundial foi o surgimento de um gênio da ciência, o Feiticeiro Chinelo chamado O’Bean. Que criou uma centenas de aparelhos e veículos tecnológicos muito antes do tempo destes, à partir do final do Sec. XIX. Então, por volta de 1906 vemos o mundo numa grande batalha com submarinos, veículos subterrâneos, aeronaves e com o famigerado, Leviatã Terrestre. Uma fortaleza de combate digna das animações japonesas mais exageradas.

As questões ideológicas (talvez duvidosas) e muita ação recheiam esse romance que é divertido e de leitura rápida.

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Leia mais sobre Michael Moorcock

 

Michael Moorcock

Michael MoorcockAproveitando que estou em plena leitura de mais uma série de Michael Moorcock (Oswald Bastable – The Nomad in the Time Streams), que, não por acaso, é meu autor favorito, damos sequência aos artigos da série, “Must Read Fantasy Novels” – Romances de Fantasia que você deve ler, inspirado nos livro (100 Must Read Fantasy Novels de Stephen Andrewsand e Nick Rennison e outras fontes), vamos falar um pouco sobre Michael Moorcock e alguns de seus livros.

Nascido em 1939 atuou como editor, além de autor, e é considerado pela Enciclopédia da Fantasia como o autor britânico de Fantasia mais importante dos anos 1960s e 1970s e mais notável autor britânico do gênero Sword and Sorcery (Espada e Magia), gênero no qual se inspirou, mas também transformou. Um parêntese que cabe sobre o gênero Sword and Sorcery é que começou a ser utilizado após uma ocasião em 1961, o próprio Moorcock requisitou um termo para descrever o subgênero de fantasia em que heróis “musculosos” entravam em conflito com uma variedade de vilões, principalmente feiticeiros, bruxos, espíritos malígnos e outras forças sobrenaturais. Fritz Leiber (da série Lankhmar) sugeriu “Sword and Sorcery” e o termo pegou. Voltando ao Moorcock, ele também é um expoente dos gêneros: Science Fantasy, Urban Fantasy, Gaslight Romance e Steampunk.

Ele foi muito importante para a manutenção da tradição em torno do fantástico dentro da literatura geral expandindo as barreiras da fiçcão através de seu trabalho como “romancista social”, escritor de FC, editor de revistas e inovador em Espada e Magia. Autor profissional desde os quinze anos de idade, tem construído uma carreira sem barreiras com conquistas também na música, poesia e quadrinhos.

Já foi dito boa parte de seus escritos poderiam ser entendidos como uma única e massiva obra que se passa no conjunto de realidades alternativas que o autor chamou de Multiverso (ah, sim, é em homenagem a Moorcock que crei o Selo Multiversos). Entre suas célebres séries temos o conceito do Eternal Champion (Campeão Eterno).

Vale uma visita no www.multiverse.org para obter uma melhor visão deste com bibliografia atualizadas e debates relacionados à complexidade e múltiplas obras relacionadas entre si.

Como disse seu personagem, Erekosë, no prólogo de The Dragon in the Sword:

“Eu sou John Daker, a vítima dos sonhos do mundo todo. Eu sou Erekosë, Campeão da Humanidade, que matou a raça humana. Eu sou… Elric Womanslayer, Hawkmoon, Corum e muito outros – homem, mulher ou andrógeno. Eu já fui eles todos.”

Não há uma ordem lógica para conhecer o Multiverso de Moorcock, mas os autores de 100 Must Read Fantasy Books escolheram o personagem/romance, Elric of Melnibone como o melhor lugar para começar (eu não discordo).

Condenado e exausto, Elric é complexo e um personagem convincente, um ícone proscrito do gênero Espada e Magia. É um anti-Aragorn, um não-Conan.

E Moorcock é viciante. Quanto mais você lê e relê leus livros, mais conexões surgem… Ele é fabuloso e reconhecido assim por muitos, não é atoa que é meu autor favorito.

Romances recomendados (2!) da lista dos 100:
Elric of Melnibone (1972)

O império de Melnibone vem se desgastando por eras. Sob sua sombra decadente, os “Jovem Reinos” da humanidade estão lutando para dominar o mundo. Os “Melniboneans” são crueis, frios, adeptos de feitiçaria, tradicionalistas austeros que já governaram com punhos de ferro. Elric, o imperador anêmico e albino, tem saúde frágil e é mantido vivo através de feitiços e ervas, deseja poder evitar as responsabilidades de seu trono e gastar seu tempo ponderando sobre as implicações de novos conceitos como “moralidade”. A corte de Melnibone frequentemente duvida de sua capacidade e deseja um monarca mais duro e convencional para ocupar o Trono de Rubi. Tal figura está a espreita, trata-se de Yyrkoon, o primo malévolo de Elric. Oportunamente Yyrkoon age iniciando uma cadeia de eventos que impulsiona Elric ao cumprimento de seu destino. Auxiliado por seu patrono, o demônio Arioch, (o Cavaleiro das Espadas), Elric confronta Yyrkoon no Plano Místico onde duas espadas negras pulsantes ficam suspensas com runas brilhando em suas lâminas. Estas lâminas conscientes bebem almas e Elric apodera-se de uma delas chamada Stormbringer. Com ela ele irá trair seu povo, condenar seus queridos e abraçar sua estranha busca para encontrar o significado da existência. O livro dá partida à serie com que é bastante recomendável aos que gostam de lutas épicas (e sangrentas) cheias de simbolismo e questões existenciais.

The City in the Autumn Stars (1986)

Durante o “Terror” de Robespiere que seguiu-se à Revolução Francesa, Manfred Von Bek, cuja família é tida como serva de Satã na busca do Cálice Sagrado (ver nossa resenha de The War Hound and the World’s Pain) e buscadores para a cura dos males do mundo, mal escapa de Paris.
Depois de várias aventuras, Von Bek finds chega versão fantástica de Mirenberg (localizada em Mintelmarch) onde se encontrará com o filósofo Fox que admira Diderot e a incomparável lady Libussa. Enquanto isso, o vilão Klosterheim e seus servos possuem planos para trazer problemas a Von Bek, que por sua vez, se envolve com Libussa num experimento alquímico que espelha os eventos chave dos romances de Jerry Cornelius.

Embora o livro possa ser lido como uma história a parte é também parte da sequencia de romances da dinastia Von Bek que mais tarde também cruza com as últimas aventuras de Elric na trilogia “Dreamthief”.

Por si só, este romance é elegante e cheio de referências cruzadas para aqueles que conhecem bem o Multiverso.

Eu acrescentaria, sem medo algum a estas sugestões de Stephen Andrewsand e Nick Rennison os seguintes títulos:

A série de Dorian Hawkmoon (The History of the Runestaff)
The Jewel in the Skull
The Mad God’s Amulet (aka Sorcerer’s Amulet)
The Sword of the Dawn
The Runestaff (aka The Secret of the Runestaff)

A primeira série do Príncipe Corum (The Swords Trilogy/The Swords of Corum/Corum: The Coming of Chaos)
The Knight of the Swords
The Queen of the Swords
The King of the Swords

Toda série de Elric
Elric of Melniboné
The Sailor on the Seas of Fate
The Weird of the White Wolf
The Sleeping Sorceress
The Bane of the Black Sword
Stormbringer
Fortress of the Pearl
Revenge of the Rose

E a trilogia Elric/Von Bek
The Dreamthief’s Daughter (2001) ISBN 0-446-61120-4
The Skrayling Tree (2003) ISBN 0-446-53104-9
The White Wolf’s Son (2005) ISBN 0-446-61745-8
Bem, a bibliografia de Moorcock e vasta e viciante. Conheça mais em: http://www.multiverse.org/wiki/index.php?title=Concise_Bibliography Vale conferir também a lista de leitura recomendada no Multiverse.org: http://www.multiverse.org/fora/showthread.php?t=3562

Infelizmente há uma grande barreira entre este grande autor e o público brasileiro… Apenas uma pequena fração de suas obras foram traduzidas. “<Desejo Mode> Um dia quando crescer e se puder, eu vou editar muitos títulos dele aqui…</Desejo Mode>”

Até lá, temos que nos contentar com umas poucas traduções feitas por nossos colegas de Portugal, ou para quem tem a sorte de ler bem em Inglês, ler os livros no idioma original.

[Atualizado] A Editora Mythos lançou duas lindas graphic novels do Elric e a Generale (Évora) lançou os dois primeiros volumes da saga de Elric, que, no momento, estão esgotados.

[Atualizado]  Saiu pela Arte & Letra em parceria com a Argonautas, Crônicas de Espada e Magia, uma antologia de contos de autores brasileiros, estrangeiros e dentre estes, um conto de Michael Moorcock.

Leia também:

A entrevista que traduzimos da SFF-World;

Resenhas:

Mais artigos desta série:

Sagas vol 3 – Martelo das Bruxas

Martelo das Bruxas

E a série Sagas da Argonautas continua! O tema da terceira edição: Bruxas. Fiquei satisfeito de ver que o tema foi abordado de maneiras bastante distintas pelos cinco autores da antologia. Para você que já acompanhou nossos comentários sobre Sagas 1 – Espada e Magia e Sagas 2 – Estranho Oeste, já sabe que a série é muito boa, mas se está pegando o bonde aqui, saiba que esta nova publicação é uma ótima vitrine de contos de literatura fantástica por autores lusófonos que vale a pena acompanhar.

Sobre a capa, gostei mais do esboço incluído no final do livro do que a capa propriamente dita. Não acho que a capa representou bem, ou esteve alinhada com o conteúdo dos contos. É uma boa ilustração, mas não casou tão bem com conteúdo como as capas das edições anteriores.

Cada História Tem…
Por Christopher Kastensmidt

Em Olinda do Brasil colonial, em plena caça às bruxas, acompanhamos o confronto de Beatriz, uma bruxa e Pedro Luiz, um frei inquisidor português.

O conto é narrado dividindo o protagonismo entre os dois antagonistas. Alguns lapsos de tempo entre a narração dos dois pontos de vista foi utilizada de uma maneira habilidosa adicionando pitadas de suspense quanto ao desenrolar dos fatos. Trata-se de uma visão um pouco diferente da que estamos acostumados a ver quando o assunto é caça às bruxas.

O Quão Forte Pode Um Gigante Gritar?
Ana Cristina Rodrigues

Ana nos leva para a Irlanda numa história onde a caça às bruxas (no caso druidas) se cruza com o destino de dois seres encantados da mitologia céltica. É um conto de fantasia bem narrado e que faz uma correlação entre o desespero de bruxas e bruxos sendo caçados pesa inquisição e o declínio dos seres fantásticos que são dizimados pelo avanço da civilização humana. Gostei do conto e só ficou um estranhamento (penso ser questão de revisão) quanto a arma empunhada por um dos personagens que ora é uma espada, ora torna-se um machado.

Encruzilhada
Douglas MCT

Não dá para gostar sempre de tudo, dá? Acho que faltou alguma coisa neste conto para “dar liga” e melhor compreensão ao leitor. As cenas são bem descritas, e os personagens que aparacem chegam a despertar interesse, mas a falta de melhores explicações e direcionamento do que está acontecendo e o que esperar poderá deixar alguns leitores (como eu) perdidos. Bem, talvez outros leitores, acostumados com o estilo não linear e com as referências específicas usadas pelo autor tenham maior sucesso na apreciação deste conto.

A Justiça Deste Mundo
Ana Lúcia Merege

Este conto é o que mais se aproxima da abordagem “clássica” de caça às bruxas. Em 1645, em plena Inquisição, com pessoas sendo acusadas de bruxaria, nem sempre de maneira fundamentada, e, sendo presas, torturadas e, finalmente, executadas. O primo de um jovem reverendo encontra-se preso nesta situação. Este, tenta intervir a seu favor… Porém, acaba descobrindo coisas terríveis durante o processo. É um conto muito interessante que inverte as expectativas do leitor. Gostei bastante da reviravolta e desfecho.

Missa Negra
Duda Falcão

Em seu conto, ou autor nos leva ao interior do Brasil onde uma comunidade de agricultores tem uma série de desgraças ocorrendo em suas terras e que uma possível explicação para este fato, seja bruxaria, ou mesmo, o culto ao demônio. O tipo de narrativa feita pelo protagonista dá um tom de desesperança e depois horror e me lembrou bastante alguns dos escritos de H.P. Lovecraft. Um conto sufocante com um bom ritmo de desenvolvimento e desfecho igualmente desesperador.

Então, não quis contar muitos detalhes dos contos para não estragar a festa. Se gosta do tema, é uma boa aquisição! Esperamos pelo Sagas 4. Qual será o tema?

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The War Lord of the Air – Michael Moorcock

Warlord of the Air

Primeiro livro da série “The Nomad of the Time Streams”, The War Lord of the Air e é tido como um dos precursores do Steam Punk.

O autor usa um artifício interessante para a premissa da história. Em 1903, seu próprio avô, (também chamado de Michael Moorcock) teria coletado o relato da aventura temporal/dimensional do tenente Oswald Bastable do exército britânico que

foi enviado, um ano antes, para negociar paz com uma pequena cidade estado vizinha da índia, na região montanhosa próxima ao Nepal. Lá encontra uma cidade “impossível” chamada Teku Benga, isolada, antiga, de muitos deuses e cultos, de arquitetura esquisita e única, habitada por um povo estranho comandado por Sharan Kang, um rei/alto sacerdote (que dá medo).

Vítima de uma emboscada, Oswald e seus homens tentam escapar do Templo do Futuro Buda, e ao percorrer os labirintos subterrâneos do templo, acaba sendo atirado para o ano de 1973, numa versão alternativa da terra na qual o imperialismo não acabou, aviões não foram inventados, as grandes guerras mundiais não ocorreram e o progresso do mundo está ligado ao  desenvolvimento de aeronaves dirigíveis (mais sofisticadas que os nossos dirigíveis) e progresso sob orientação das grandes nações imperialistas como Inglaterra, Estados Unidos, Rússia e Japão.

Oswald é resgatado por um dirigível (o Péricles), das ruínas isoladas da própria cidade de Teku Benga. Neste futuro, o tenente se vê maravilhado neste mundo que ele mesmo chama de Utopia, pois por exemplo, em Londres a pobreza foi erradicada. Mas também se vê num futuro no qual não pertence. Ninguém acredita em sua história e a versão dos fatos aceita é que ele teve amnésia. Acaba, depois de alguns meses se adaptando e vai trabalhar como oficial de segurança em linhas aéreas comerciais. Porém, uma série de eventos força o ex-tenente a rever seus conceitos sobre a política imperialista. É um livro recheado de reflexões sobre política e o funcionamento da sociedade.

O personagem se depara com algumas interessantes figuras em sua jornada, como Una Persson (recorrente em vários livros do autor), um Ronald Reagan alternativo muito interessante, entre outros.

A única coisa que parece ameaçar essa “Utopia” vista por Oswald, são os grupos anarquistas e terroristas que pregam o regime socialista/comunista. Um fervoroso defensor do império Britânico e dos ideais de justiça de sua época, Bastable aos poucos se desilude e suas crenças são abaladas após encontrar-se como o “Senhor da Guerra dos Ares” um revolucionário chinês que construiu uma cidade socialista utópica: a Cidade do Amanhecer. Lá convivem pensadores, cientistas, escritores, políticos e militares. Eles se preparam para assaltar o modelo político do mundo para derrubar o imperialismo e substituí-lo pelo socialismo.

Eu recomendo a leitura, pois é um livro de rápida e fácil leitura, com algumas boas discussões políticas, referências à cultura pop e onde pode se conhecer o gênero Steam Punk ainda em seu estado embrionário. Mas penso que essencialmente é uma narrativa de história alternativa.

O livro possui duas sequencias: The Land Leviathan e The Steel Tsar, sobre os quais falarei aqui em breve.

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Sagas Volume 2 – Estranho Oeste

Essa é uma série que estou curtindo pelo seu formato e proposta. Este é o segundo volume da coleção Sagas da Argonautas Editora (leia nossa resenha de Sagas 1). Saímos da Espada e Magia para o volume 2, Estranho Oeste (144 páginas).

O prefácio por Thomaz Albornoz é bom e se faz importante para os desavisados (como eu) se situarem quanto ao gênero dos contos que irão encarar adiante.

Em “Bisão do Sol Poente” de Duda Falcão (que também está aqui na Multivesos), acompanhamos a primeira aventura sobrenatural do pistoleiro Kane Blackmoon. Este tem como missão pegar um ladrão de bancos e seu bando, mas o que seria uma caçada comum, se transforma num enfrentamento com o estranho, sobrenatural e finalmente a descoberta da própria essência e novo propósito de vida do protagonista. O texto é gostoso de ler e nos faz mergulhar na ambientação e para mim foi o conto que se destacou nesta antologia. Afora disto, sinto que é melhor não dar mais muitos detalhes… Neste caso, penso que é melhor ler o conto ao invés de que ler sobre o conto.

“Aproveite o Dia”, foi o primeiro texto que li do autor Christian David. É um bom conto e acho que o que melhor captou o espírito de Estranho Oeste. O protagonista , Jeremiah narra a estória em primeira pessoa e traz um toque de humor, que a princípio rejeitei, mas acabei abraçando, pois durante o conto devido à consistência de suas ações e modo de pensar, o personagem acaba tornado-se convincente.

“Fé”, de Alícia Azevedo é um conto de vingança com uma pitada de pacto com o diabo. Também um conto sobre aqueles que tem fé e que de um jeito ou de outro, continuam mantendo esse modo de ver o mundo, mesmo que o objeto de sua fé se transforme. A freira Beatrix, busca vingança contra aqueles que destruíram a missão onde trabalhava e violaram seu corpo. Em seu caminho para atingir a vingança se disfarça de “inocente” viúva, mas na hora de fazer justiça com as próprias mãos, retoma seu velho hábito de freira. Encontrei algumas coisas interessantes neste caminho percorrido pela freira que fazem valer a leitura do conto.

Em “Justiça… Vivo ou Morto”, de M.D. Amado acompanhamos o pistoleiro Cole Monco que resolve tomar as dores de um garoto que teve a família morta. Mas algumas coisas estranhas começam a acontecer e Cole precisa de auxílio para resolver o caso. É um conto que começa de modo linear parecendo que vai para determinada direção, mas algumas reviravoltas (estranhas) fazem o leitor ficar sem saber o que poderá acontecer em seguida. Bem, no final, acaba o título do conto, “Justiça… Vivo ou Morto” acaba fazendo sentido.

E finalmente, “The Gun, the Evil and the Death” de Wilson Vieira que é um escritor desenhista com experiência no gênero western, acompanhamos o destino final do bandido Tom Ketchum. Com certeza é o escritor que mais arrisca no uso de meta linguagem para delinear seu conto. Diria que é um conto em que a forma de contar é tão importante quanto seu conteúdo e que ainda traz uma surpresa no final (um tanto bizarra), mas bem humorada que transforma o conto de algo esquecível em algo memorável. (Bom, pelo menos eu vou me lembra dessa doideira por um bom tempo). Enfim, talvez não tenha sido um conto carismático, daqueles que nos prendem ao enredo ou trazem identificação com suas personagens, mas que de algum modo, evoca imagens interessantes e recursos de narrativa incomuns.

Sagas, volume 2 é um livro que você lê “numa sentada” (ou cinco) e que constitui razoável divertimento. Confesso que gostei mais do primeiro (mas sou suspeito para falar devido a minha predileção pelo gênero Fantasia). Enfim, é um bom livro e eu recomendo, especialmente se tiver propensão a gostar do gênero western. Vai lá e pegue o seu e entre neste universo de tiroteios, espíritos indígenas, muito calor, desertos, pó, saloons, jogatina, whisky e outras bizarrices.

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