Uma de minhas aquisições no FIQ foram as duas primeiras edições da HQ independente, Maye. Escrita pelo gaúcho fabiomesmo e desenhada por Paulo Daniel Santos, Maye conta a história de um jovem que tem como tarefa expurgar criaturas e seres imaginários que entram no mundo real. Se ele não agir a tempo, corre-se o risco de que todas as realidades sejam destruídas. Ele tem alguns equipamentos para ajudar em seu propósito, um livro, uma câmera e uma jaqueta. A narrativa visual é bem rica e conta com alguns cenas bem empolgantes.
Adquiri essa edição do Gato Preto, no FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos, diretamente com o autor/artista, Daniel Werneck – também autor de Shogum dos Mortos. É uma leitura rápida e divertida e essa resenha inaugura uma série que vou fazer de obras independentes que comprei nessa edição do FIQ.
A artista e escritora russa, residente em Voronezh, Elena Berezina, tem um belíssimo trabalho com retratos de figura humana. Conheça um pouco de seu trabalho. Boa parte de sua produção recente são ilustrações do seu romance “Silence is gold”. (Essa pixel art animada também é dela).

Korra
Essa ficção científica do experiente autor, Carlos Orsi, nos leva a um futuro tecnológico no qual uma nova religião, o culto do Pontífice domina os destinos das pessoas. É bem interessante ver uma religião se apropriando da tecnologia para manter o controle de seus fiéis e também cumprir o papel de ditar os caminhos que a humanidade deve seguir.
Neste contexto, conhecemos Rebeca, uma cientista que se vê envolvida num jogo de manipulação da realidade e se vê no caminho de tomar parte de uma tentativa de contrapor o poder soberano do culto e sua capacidade de fazer profecias.
Guerra Justa é um livro que se lê rapidamente, possui capítulos curtos, mas não segue um esquema que permite uma leitura fácil. Há mudança nos pontos de vista da narrativa, temática complexa e muitos conceitos… Não possui aquele tipo de trama em que o passo anterior leva ao próximo, há alguns saltos no caminho, mas ao mesmo tempo, apresenta uma temática interessante dentro de uma ambientação instigante. Faz com que o leitor precise montar as peças de um quebra-cabeças para fazer um bom sentido da trama apresentada.
Gostei muito da novela de fantasia, As Flores do Jardim de Balaur, e foi o que me motivou a adquirir mais títulos do autor. Lamento não ter gostado tanto assim deste livro como um todo, mas gostei bastante de algumas ideias e cenas. A narração no tempo presente também chegou a incomodar um pouco. Não se vê um investimento grande na construção de personagens e aprofundamento em seus conflitos internos e externos. É uma trama que toca os personagens de modo pontual enquanto constrói uma argumentação geopolítica/filosófica abrangente.
Li algumas opiniões polarizadas a respeito e as achei compreensíveis. Confesso que fiquei dividido. Acredito que faltou um pouco de um aspecto didático para ensinar ao leitor sobre a trama e sobre o mundo. Se você gosta de uma boa ficção científica e tem facilidade para destrinchar obras é bem possível que goste bastante do livro, pois ele possui uma densidade de conceitos científicos usados para embasar as extrapolações da tecnologia e seus efeitos sociais. O meu lado de escritor terminou a leitura satisfeito, pois pude agregar novas ideias e questionamentos sobre o futuro e efeitos da evolução e aplicação da tecnologia. Meu lado leitor queria ter se identificado mais com os personagens e ter seguido a trama sentido mais emoções.
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Primeiro, muito obrigado por aceitar participar dessa entrevista. Eu gostei muito de Kung Fu Ganja e quero fazer minha parte ajudando a divulgar seu trabalho para que mais pessoas tenham a chance de conhecê-lo.

