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Guerra Justa – Carlos Orsi

Guerra Justa

Essa ficção científica do experiente autor, Carlos Orsi, nos leva a um futuro tecnológico no qual uma nova religião, o culto do Pontífice domina os destinos das pessoas. É bem interessante ver uma religião se apropriando da tecnologia para manter o controle de seus fiéis e também cumprir o papel de ditar os caminhos que a humanidade deve seguir.

Neste contexto, conhecemos Rebeca, uma cientista que se vê envolvida num jogo de manipulação da realidade e se vê no caminho de tomar parte de uma tentativa de contrapor o poder soberano do culto e sua capacidade de fazer profecias.

Guerra Justa é um livro que se lê rapidamente, possui capítulos curtos, mas não segue um esquema que permite uma leitura fácil. Há mudança nos pontos de vista da narrativa, temática complexa e muitos conceitos… Não possui aquele tipo de trama em que o passo anterior leva ao próximo, há alguns saltos no caminho, mas ao mesmo tempo, apresenta uma temática interessante dentro de uma ambientação instigante. Faz com que o leitor precise montar as peças de um quebra-cabeças para fazer um bom sentido da trama apresentada.

Gostei muito da novela de fantasia, As Flores do Jardim de Balaur, e foi o que me motivou a adquirir mais títulos do autor. Lamento não ter gostado tanto assim deste livro como um todo, mas gostei bastante de algumas ideias e cenas. A narração no tempo presente também chegou a incomodar um pouco. Não se vê um investimento grande na construção de personagens e aprofundamento em seus conflitos internos e externos. É uma trama que toca os personagens de modo pontual enquanto constrói uma argumentação geopolítica/filosófica abrangente.

Li algumas opiniões polarizadas a respeito e as achei compreensíveis. Confesso que fiquei dividido. Acredito que faltou um pouco de um aspecto didático para ensinar ao leitor sobre a trama e sobre o mundo. Se você gosta de uma boa ficção científica e tem facilidade para destrinchar obras é bem possível que goste bastante do livro, pois ele possui uma densidade de conceitos científicos usados para embasar as extrapolações da tecnologia e seus efeitos sociais. O meu lado de escritor terminou a leitura satisfeito, pois pude agregar novas ideias e questionamentos sobre o futuro e efeitos da evolução e aplicação da tecnologia. Meu lado leitor queria ter se identificado mais com os personagens e ter seguido a trama sentido mais emoções.

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Entrevista com Davi Calil – autor de Kung Fu Ganja.

Davi Calil

Primeiro, muito obrigado por aceitar participar dessa entrevista. Eu gostei muito de Kung Fu Ganja e quero fazer minha parte ajudando a divulgar seu trabalho para que mais pessoas tenham a chance de conhecê-lo.

Artistas – Ben Wootten

Ben Wootten é um designer e ilustrador que vive na Nova Zelândia. Trabalhou na indústria cinematográfica como designer para a Weta Workshop durante 10 anos e há cinco anos trabalha como freelancer. Trabalhou no Senhor dos Anéis,  King Kong e Narnia como designer, e chefiou o departamento de design pelos últimos 2 anos que trabalhou na Weta.
Faz ilustrações para WOW TCG, Dungeons and Dragons RPG, Star Wars TCG e Pathfinder RPG.

District of Wonders

District of Wonders

Artistas: Noah Bradley

Noah Bradley é um artista autodidata norte americano. Boa parte de seu trabalho são pinturas de paisagens fantásticas. Além de atuar como ilustrador freelance (fez uma série para o jogo Magic: The Gathering) ele vende prints e playmats com suas ilustrações e cursos de arte em vídeo. Neste artigo incrível ele conta sua jornada de 12 anos para se tornar um artista.

Ele também é escritor e está criando um mundo (The Sin of Man) com muitas referências visuais.

Vejam algumas de suas pinturas:

Kamahl's Druidic Vow

Kamahl’s Druidic Vow

Yawgmoth's Vile Offering

Yawgmoth’s Vile Offering

History of Benalia

History of Benalia

Approach of the Second Sun

Approach of the Second Sun

Scars of Our Vanity

Scars of Our Vanity

To Feel the Edge of Heaven

To Feel the Edge of Heaven

Their Mournful Tones

Their Mournful Tones

Anger of the Gods

Anger of the Gods

Giant Growth

Giant Growth

For All That Could Have Been

For All That Could Have Been

Leia mais sobre o artista

Entrevista com Ana Lúcia Merege – Escritora da Série Athelgard (O Castelo das Águias)

Ana Lúcia Merege descende de fenícios do Líbano, de Malta e do Algarve. É aquariana, mochileira e toma café o dia inteiro. Ganha seu pão desvendando manuscritos antigos e contemporâneos na Biblioteca Nacional, mas sua vocação sempre foi contar e escrever histórias.

Além dos livros do universo de Athelgard, publicados pela Editora Draco — “O Castelo das Águias“, “A Ilha dos Ossos“, “A Fonte Âmbar” e o infantojuvenil “Anna e a Trilha Secreta“, mais contos e novelas –, a autora escreveu os livros de ficção “Pão e Arte” (Editora Escrita Fina, 2012), “O Caçador” (Franco Editora, 2009) e “O Jogo do Equilíbrio” (Fábrica do Livro, 2005, republicado como e-book pela Draco); o ensaio “Os Contos de Fadas” (Claridade, 2010); e, além disso, vários contos em sites e antologias de ficção fantástica. Também publicou artigos em revistas técnicas e de divulgação científica, tais como a “Ciência Hoje das Crianças”, organizou as coletâneas “Excalibur” e “Magos“, pela Draco, e foi coorganizadora de outras coletâneas, incluindo “Medieval“, com Eduardo Kasse, que venceu o Prêmio Argos de Ficção Fantástica em 2017.

Quando não está viajando por meio de livros, Ana Lúcia adora fazê-lo de verdade. No momento tem ficado mais em casa por conta do doutorado do marido e dos estudos da filha para o ENEM, mas muitos destinos no Brasil e no mundo povoam seus sonhos. E, claro, daí virá inspiração para novas histórias, que ela espera ter a honra e o prazer de partilhar com seus leitores.

Ano passado, o Prêmio Argos trouxe boas surpresas para você. Por exemplo, em relação à coletânea Magos, da editora Draco. Fale um pouco sobre isso.

Na verdade, foi a coletânea “Medieval” que ganhou o prêmio Argos, patrocinado pelo Clube de Leitores de Ficção Científica. As obras que concorrem são as publicadas no ano anterior ao da premiação. Medieval, que saiu em 2016, foi coorganizada por mim e por Eduardo Kasse, tem contos de nós dois e de outros sete excelentes escritores. Assim como outras coletâneas publicadas no mesmo ano, foi listada pelos organizadores do Argos e os votantes se interessaram em ler, acabando por elegê-la. Fiquei muito feliz, pois este é um dos trabalhos que mais gostei de fazer – aliás, feliz em dobro, pois meu texto “O Grande Livro do Fogo” ganhou o prêmio de melhor conto. A Editora Draco vem tendo um grande destaque no Prêmio Argos, provando que é hoje uma das editoras mais relevantes no que se refere a promover a ficção fantástica escrita por brasileiros. A “Magos” pode concorrer este ano, quem sabe chega a ficar pelo menos entre os finalistas? Já seria uma grande vitória! 🙂

Nossa, desculpe, eu queria escrever “Medieval”, mas estava com a coletânea “Magos” na cabeça, pois adquiri recentemente e está aqui na minha fila de leituras… Mas, falando na coletânea Magos, você está cuidando de uma nova coletânea, não é? Em quais coletâneas já trabalhou? Como tem sido esse trabalho? O que mais gosta nele? Tem trazido lições para você como escritora? Quais?

Estou recebendo contos para uma coletânea de fantasia dark chamada Duendes: contos sombrios de reinos invisíveis. Fui coorganizadora das coletâneas “Bestiário” e “Bestiário: outras criaturas”, que saíram pela Editora Ornitorrinco, e pela Draco coorganizei “Meu Amor é um Sobrevivente” e “Medieval”. Organizei sozinha “Excalibur” e “Magos”. E estou em várias coletâneas como autora.

No trabalho de organizadora, certamente aprendi muito sobre escrita, o que fazer e o que não fazer, a importância de uma capa que cause impacto, o que pode advir de determinadas escolhas… Na “Magos”, por exemplo, assim como na “Excalibur”, tivemos textos mais adultos e outros mais juvenis, enquanto na “Duendes” resolvemos focar no público adulto, e uma forma de fazer isso foi determinar que os contos sejam dark fantasy. Também preferi desta vez fazer uma coletânea aberta e não com autores convidados, porque sempre vem coisa muito interessante de onde não se espera. Por fim, aprendi que meus gostos podem diferir muito dos do público, e que eu tenho de ser isenta na hora de escolher e editar o material. Não é porque eu não gosto de determinada coisa em um conto que ele é ruim ou que não irá agradar ao leitor! Tenho que pensar na excelência do texto, mas também devo pensar nele como um produto. Ou parte de um produto, que é a coletânea.

O que você tem lido? Você tem algum tipo de objetivo de leitura? Eu por exemplo, espero um dia ler todos os livros do escritor Michael Moorcock, mas ainda faltam muitos… 🙂

Eu leio muito desde sempre, mas, curiosamente, não leio tanto assim o gênero fantástico. É mais comum ler insólitos e fantasia urbana do que fantasia épica. Também leio muitos livros ambientados no passado, principalmente Antiguidade e Idade Média. Não tenho um objetivo, exatamente, mas gostaria de ler mais ficção épica para jovens e adultos, pois é com isso que trabalho. E revisitar Basile e outros precursores dos contos de fadas para retomar meu trabalho de mediação nessa linha.

Qual foram as lições que aprendeu escrevendo a trilogia do Castelo das Águias?

Aprendi a lidar com frustrações, principalmente a de ver que o leitor pode entender do meu texto algo dimetralmente oposto ao que eu queria dizer. A ter paciência para esperar o retorno. A cortar algumas coisas que adorei escrever porque não cabem no texto (mas como eu escrevo contos com elas depois, nem dói tanto). A trabalhar, principalmente nas cenas de clímax, num estado mental em que conseguisse captar a emoção trazida pela cena e traduzi-la em palavras sem convertê-la em algo frio. Aprendi tantas coisas, e continuo a aprender sempre que alguém me dá um feedback sobre meus livros, como você mesmo fez aqui.

Esse ano perdemos Ursula K. Le Guin. Na minha leitura da trilogia do Castelo das Águias senti algo que remetia ao universo de Terramar. Isso foi só uma impressão minha, ou houve alguma influência de Terramar na criação de Athelgard? O que tinha em mente ao criar as bases de seu universo ficcional?

SIM! A ideia da Magia da Forma e do Pensamento e o sistema de aprendizado da Magia através da Arte ganharam corpo a partir do sistema descrito nos livros de Terramar. Vou colar um link aqui, que remete para o site da Draco, onde falo sobre as minhas principais influências.

https://blog.editoradraco.com/2012/10/top-5-ana-lucia-merege/

Sei que seu próximo projeto no universo de Athelgard é “O Escudo da Coragem” e que concluiu o primeiro manuscrito há pouco tempo. Parabéns por isso! Você já consegue nos adianta uma sinopse? Pode falar um pouco sobre o livro?

Nesse livro, um menino de 12 anos, chamado Orlando (que aparece aos 8 em “A Ilha dos Ossos”), é lançado por engano numa aventura. Ele se vê no meio de rapazes e homens feitos, num torneio completamente diferente daqueles que conhece, e tem que disputar várias provas onde a coragem e o caráter estão acima da destreza com as armas. É um livro para o mesmo público de “Anna e a Trilha Secreta”, mas não conta uma viagem xamânica e sim uma jornada de herói. É bem cheio de aventura e emoção, espero que crianças e adultos gostem de ler.

Tem alguma previsão de lançamento?

Se tudo der certo será lançado este ano na Bienal de São Paulo.
<ATUALIZADO, livro já lançado:>

Você pretende retornar a escrever romances/séries em Athelgard? Por exemplo, para contar uma história sobre Maeloc ap Kieran em sua juventude, ou já como adulto?

Pretendo mostrar Maeloc ainda criança num livro “intermediário” entre a série já escrita e uma segunda série de livros em que Maeloc será jovem e depois adulto. Só que tenho outros projetos fora das histórias de Athelgard, como os Contos da Clepsidra, que às vezes me chamam para as praias do Mediterrâneo… 🙂 Além disso, os livros do Maeloc precisam ser bem elaborados para ficarem coesos, coerentes e interessantes para o leitor. Ainda não escrevi nada dele, fora uma ou duas participações em contos.

E quanto ao passado remoto de Athelgard, você já abordou isso em algum de seus contos? Qual deles se passa no momento mais ao passado?

“A Voz do Sangue”. Atualizei a cronologia no blog do Castelo, onde vocês podem ver as sinopses:

http://castelodasaguias.blogspot.com.br/2014/02/cronologia-dos-livros-e-contos.html

Você vive o dilema de se ver “presa” ao seu universo ficcional? No sentido de que, talvez, ele deixe de crescer e se expandir caso você resolva escrever novos livros/séries fora dele?

Olha, pode acontecer. Fiquei meses sem visitar Athelgard quando estava muito envolvida com os Contos da Clepsidra. Mas acho que escrever tem a ver tanto com foco e objetivo quanto com meu prazer como escritora. Enquanto Athelgard estiver viva dentro de mim, eu voltarei a ela. E ter leitores falando sobre isso pode reavivar esse universo quando ele estiver meio apagado.

Você escreveu um conto chamado “O Beijo de Rudra” que se passa no universo “Tempos de Sangue” de Eduardo Kasse. Como foi escrever dentro de um universo ficcional de outro autor?

Na verdade, os livros do Eduardo falam de imortais, pessoas que viveram por séculos ou milênios em lugares distintos daqueles em que se passam os livros da série Tempos de Sangue. Eu contei a história de uma dessas imortais, numa ambientação própria – tinha apenas que seguir a premissa de que ela atravessaria milênios com aquela, digamos, maldição, e que teria de haver um motivo para isso acontecer.

Mais desafiador em termos de imersão foi escrever com o Eduardo, em dupla, o conto “A Caverna de Zakynthos“, em que aparecem meus personagens Balthazar e Lísias e um dos imortais dele, o grego Diodoros. Um teve que entender os personagens e o universo do outro para que a história pudesse fluir. Foi uma dinâmica muito interessante e vamos fazer de novo, dessa vez na Roma Antiga!

Fale um pouco da sua visão sobre o cenário, em expansão, da Literatura Fantástica aqui no Brasil. O que tem visto de interessante? Alguma coisa, em especial, a deixou animada?

Acho que o período iniciado por volta de 2009, 2010 vem sendo ótimo para a LitFan. Apareceram muitas editoras, autores, podcasts, grupos de discussão se formando em redes sociais e fora delas… A possibilidade de publicação em e-book e em plataformas como o Wattpad, além dos blogs e zines que já existiam, permitiu a muita gente boa mostrar sua cara.

O que me deixa animada, além do excelente trabalho e do crescimento que noto em alguns autores, é justamente essa efervescência, essa vontade de produzir, realizar, fazer acontecer. É verdade que ainda existem muitos percalços, fora as famosas “tretas” comuns a todo meio profissional, mas eu acho que no geral o saldo é positivo. E vou continuar fazendo minha parte!

Fala-se um pouco sobre a valorização e crescimento de narrativas que exploram um toque de brasilidade, seja pelo uso de elementos de nosso folclore ou de nossa cultura e língua. Você acha que ainda haverá espaço no futuro para brasileiros que optam por escrever dentro do referencial europeu, ou asiático? Ou ainda, para universos ficcionais que não se aproximem explicitamente de referências culturais externas?

Eu acho que tem espaço para tudo! Acho que nossa bagagem – a bagagem do leitor e escritor brasileiro – tem muitas vezes uma carga forte europeia, pois foi e ainda é a cultura dominante, e além disso a literatura fantástica que conhecemos tem raízes em mitos e contos maravilhosos que se cristalizaram principalmente fora do país. Contos de fadas, literatura arturiana e por aí vai. Que a gente vá agregando elementos do nosso folclore, que valorize a mitologia dos povos nativos e a riquíssima herança africana, além de partir por regiões menos exploradas, eu acho maravilhoso, e espero que isso cresça cada vez mais, mas apostaria que quem gosta de épicos medievais, fantasia passada no Oriente ou na Antiguidade continuará a escrever e a ter seu lugar. Podemos, isso sim – e eu espero que isso aconteça – continuar a trabalhar em cenários de matriz europeia sendo, contudo, menos eurocêntricos. É isso, principalmente, que eu espero nos próximos tempos.

Fica meu agradecimento a autora por nos conceder essa entrevista. Espero que tenham gostado!

Para conhecer mais sobre o trabalho da autora, visite:

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