The War Hound and the World’s Pain – Michael Moorcock

War Hound Primeiro livro que li no meu Kindle. Simplesmente não dá para ficar sem a função de dicionário integrado. Bom, mas vamos lá!

Neste romance acompanhamos o Capitão Ulrich von Bek, um mercenário alemão que lutou em várias batalhas da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) uma série de conflitos de ordem religiosa envolvendo católicos e protestantes. Porém, não se trata de um romance de ficção histórica, mas sim de fantasia (algo a esperar de Michael Moorcock). De modo geral curti o livro pelas reviravoltas imprevisíveis e personagens e lugares exóticos. Mas não gostei tanto do vilão, Klosterheim. Como outros livros do autor sua maior virtude é apresentar personagens e lugares estranhos e tramas igualmente incomuns. É muito difícil falar desse romance sem algum nível de spoilers, mas vou tentar ao máximo. Mas se quiser ler o livro livre de spoilers, pare aqui.

O argumento central do livro é a busca de von Bek pelo Cálice Sagrado, uma missão encomendada pelo regente do inferno o anjo caído Lúcifer. Ao aceitar tal missão, von Bek parte numa jornada pela europa histórica com suas cidades reais como Madgeburgo, mas principalmente viajando através de terras fantásticas (Mittelmarch) que são fronteiras do nosso mundo com outros. Em nosso mundo ele se encontra com Grigory Petrovich Sedenko, um mercenário muscovita que passa a acompanhá-lo. Acompanhamos muitas viagens e algumas batalhas da dupla na busca do cálice. Ulrich e Sedenko estão longe de ser heróis virtuosos, antes disso, são soldados e pecadores. Ulrich teve uma criação com estudos e pensamentos filosóficos e teológicos sobre o bem e o mal, Céu e Inferno são temas recorrentes nos diálogos e indagações que ele próprio passa a ter após vender sua alma ao demônio. Mas o cálice pode lhe trazer redenção, assim como ao mundo e ao próprio Lúcifer.

Um aspecto divertido no livro, para quem já leu outros livros de Michael Moorcock e encontrar nas entrelinhas os temas mais desenvolvidos na série Eternal Champion. Neste livro, por exemplo, o patrôno de Elric, o demônio Arioch é um dos duques do inferno que contrapõe Lúcifer e apoia o antagonista de von Bek, Klosterheim. Os temas da Lei, Caos e Equilíbrio também aparecem, sendo que o Cálice representa o Equilíbrio, tratado neste livro como Harmonia. Outra figura que aparece é a rainha Xiombarg (em outros romances uma Lorde do Caos), mas aqui a rainha de um reino estranhamente tomado pela Lei e harmonia. É possível fazer conexões com a série de Dorian Hawkmoon e sua busca pelo Runestaff (que seria uma outra representação física do Cálice Sagrado).

Acho que é o melhor que consigo sem mais spoilers…

Mais da família von Bek aparce diversos contos e nos romances: The Brothel in Rosenstrasse (1982), The City in the Autumn Stars (1986), The Dragon in the Sword (1987), The Dreamthief’s Daughter (2001), The Skrayling Tree (2003) e The White Wolf’s Son (2005)

Leia mais sobre Michael Moorcock

As Vidas de Christopher Chant – Diana Wynne Jones

christopher_chant No segundo livro da série Os Mundos de Crestomanci conhecemos a infância de Christopher Chant que vem a se tornar o Crestomanci – mago responsável por regular o mau uso da magia no(s) mundo(s) – em Vida Encantada (e outros livros da série).

Christopher nasceu com nove vidas e é candidato natural ao cargo de Crestomanci. Porém, ele ainda não sabe disto, tão pouco sabe que é um mago. Com grande facilidade consegue viajar entre mundos em viagens espirituais que faz através de seus sonhos. O garoto tem uma relação difícil com os pais (que por sua vez tem uma relação difícil entre si) que desejam coisas diferentes para o seu futuro. Quando o tio de Christopher, Ralph entra em cena, a vida do jovem toma um novo rumo. Através do tio, Christopher fica conhecendo Tacroy e inicia sua jornada de aprendizados sobre as séries de mundos vinculados até topar o a Deusa viva e outros tantos interessantes personagens. A trama evolui de forma surpreendente com algumas boas reviravoltas introuduzindo aos poucos os estranhos conceitos dos mundos vinculados e suas implicações.

Uma das coisas boas sobre esta série é que os livros não sõa fortemente ligados. É possível ler quase em qualquer ordem, mas é interessante ler primeiro Vida Encantada.

Suponho que não dá para falar muito mais sobre o livro sem spoilers… Mas reforço: a trama do livro é muito boa e prende o leitor. Diana, como sempre, é capaz de encantar os leitores e transportá-los para mundos de fantasia cheios de vida e cheios de personagens memoráveis. Tem sido uma de minhas escritoras favoritas.

Acabei de comprar A Casa dos Muitos Caminhos o terceiro livro da série que começa com O Castelo Animado e continua em O Castelo no Ar. Em breve falo dele aqui.

Se interessou? Compre aqui.

Mais artistas – Feng Zhu, Martin McKeena e Chris Achilleos

Continuando a série de posts sobre artistas que já transitaram no tema fantasia, temos  o “concept artist” Feng Zhu, Martin McKeena e o veterano Chris Achilleos.

Feng Zhu

http://www.fengzhudesign.com/

Já acompanho esse artista há uns bons 6 anos. Ele é um conhecido “concept artist” que fez trabalhos para vários estúdios de  Hollywood e desenvolvedores de jogos como a  Electronic Arts, Blur Studio, Disney, Sierra, MTV, Universal, Industrial Light + Magic, e no Skywalker Ranch trabalhou para o Star Wars,  Episódio III.

 

Martin McKeena

http://www.martinmckenna.net/

Artista londrino que começou fazendo  ilustrações para revistas de horror e fantasia na década de 1980. Trabalhou para a  White Dwarf, ilustrando muitas publicações do  Warhammer Fantasy Roleplay entre outras. Também trabalhou jogos como Fighting Fantasy e Magic: The Gathering.

 

 

 

Chris Achilleos

http://chrisachilleos.co.uk

Mais um artista baseado em Londres. Veterano, com mais de 40 anos de experiência, ilustrou capas de centenas de livros de autores como  Robert E. Howard (Conan), Edgar Rice Burrough (Pellucidar), Michael Moorcock (Elric) e romances do Dr Who. Também trabalhou para filmes como  “Heavy Metal”, “Willow”,  “King Arthur” e “The Last Legion”.

O lema do artista é  “Sempre à busca da perfeição inalcançável…”

Elric

Elric

 

Espero que tenham gostado de mais uma leva. Até a próxima!

P.S.: Você gosta de desenhar? Escrevi um artigo contando um pouco sobre como aprendi e recomendando um curso legal que encontrei na web.

Zoom Multiversos Setembro 2011

Então, um dia, quem sabe consigo um pouco mais de tempo para fazer o Zoom todos os meses… Enquanto isso, seguimos em <vagalume mode/>

O que achei de legal em setembro que vale uma segunda olhada:

Do Sobre Livros (que cada vez fica melhor) selecionamos esses posts:

Anunciada a capa do livro “A Mão do Destino” de Eric Musashi: http://bit.ly/mZp4ZO

Anunciada a capa do 1º volume da série Lendas do Mundo Emerso: http://bit.ly/qyQ79u

Capa e pré-venda do livro “O Atlas Esmeralda” de John Stephens: http://bit.ly/rtHR4P

Animação “Gigantes” da série Dragões de Éter de Raphael Draccon: http://bit.ly/oAEkcL

No Criando Tertralios tivemos:

Entrevista bacana com Eric Novelo: http://bit.ly/nBH55T

Lançamento de A volta do mundo de Kôra: http://bit.ly/p5ill7

Entrevista com Camila Fernandes: http://bit.ly/pXSi9r E resenha de “Reino das Névoas”: http://bit.ly/nL7QVE

Entrevista com Rosana Rios: http://bit.ly/qzQ46r

Duas antologias da Estronho – Le Monde Bizarre – O Circo dos Horrores e Quando o Saci encontra os mestres do terror: http://bit.ly/mVAPBj

E finalmente a dica de leitura para Hades I – Terra Inversa: http://bit.ly/r7r9WX

No escrivonauta:
Entrevista com o escritor João Henrique S. Paschoal: http://bit.ly/owR8aQ

e também muitas dicas legais, conheça o site: http://www.escrivonauta.com

No blog Leitora Viciada informações sobre “A Espada de Avalon”: http://bit.ly/oD1Pz5

No Alternativos e Independêntes Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2010, de Marcello Simão Branco e Cesar Silva: http://bit.ly/qwQKxI

Com certeza rolou muito mais coisa bacana em Setembro, mas só deu para ir até aqui. Até a próxima!

Entrevista(s) com Alan Dean Foster

Alan Dean Foster

Outro dia peguei uma adaptação de Alien o Oitavo Passageiro de Alan Dean Foster para dar uma olhada. Pesquisando mais sobre o autor descobri um fato curioso, que ele foi chamado por George Lucas para escrever, antes do filme sair, o livro Guerra nas Estrelas. E que também escreveu uma “continuação” chamada Splinter of the Mind’s Eye. Quando perguntaram a ele se foi difícil ver Lucas ganhando todo o crédito por Star Wars ele disse: “De modo algum. A ideia da estória era de George. Eu meramente a expandi. Não ter meu nome na capa do livro não me incomodou. (…)”

Foster já escreveu mais de 100 livros entre estes, muitas adaptações de filmes para livros como Alien e as continuações, Tranformers, Krull, Outland, Clash of Titans, etc. Além muitos livros de FC o autor também escreveu a série de fantasia, Spellsinger.

A seguir, trechos que gostei destas duas entrevistas com o autor que saíram na SFFworld.

Como você se interessou por ficção científica?

A: Meu pai lia um pouco de FC e sempre tinha algum livro pela casa. Meu tio era um grande fã de FC. Ele se tornou um produtor de TV (Batman, 77 Sunset Strip) mas nunca teve a chance de produzir obras de FC que amava. Ele se chamava Howie Horwitz.

O quanto de ciência e o quanto de ficção você acha que deveria haver em FC?

Deveria haver sempre um pouco de ciência, mas não necessariamente algo muito aprofundado. Se você considerar a psicologia como ciência, então Dostoevsky se enquadraria. Depende do quanto quiser flexibilizar a definição. Não sendo eu um cientistas, quando uso ciência mais a fundo em um livro (MIDWORLD, SENTENCED TO PRISM, etc.) eu sempre tento pesquisar minuciosamente.

Qual o aspecto mais desafiador ao escrever uma estória?

Criar personagens interessantes e verossímeis. Este e o centro de uma estória de sucesso. O resto é floreio. Talvez algum tipo de floreio muito interessante, mas apenas floreio. Vejamos a falha crítica do filme MISSION TO MARS. Todos pontos problemáticos estão nos personagens e no enredo, não nos aspectos de ficção científica.

Você escreveu “Splinter of the Mind’s Eye” e o primeiro original de “Star Wars”. Como o trabalho chegou a você?

Meu agente recebeu uma ligação do advogado de Lucas naqueles dias: Tom Pollock (agora um dos homens mais poderosos em Hollywood). Alguém havia lido meu livro ICERIGGER e sabia que eu já havia feito adaptações de filme para romance e pensou que eu poderia fazer a adaptação do novo filme de Lucas. Eu conhecia seu trabalho através de THX 1138 e American Graffitti. Aceitei a oferta de me encontrar com Lucas e o fiz na Industrial Light and Magic, naqueles dias, um pequeno armazém em Van Nuys, California (convenientemente perto da casa da minha família). Nos demos bem e peguei o trabalho para fazer dois livros. E foi assim que aconteceu.

O que a Internet significou para você como autor?

Muitos bons feedback de meus leitores e a chance de disponibilizar informações suplementares as quais os editores não gostam (vejam meu website) http://www.alandeanfoster.com

Você é uma autor proeminente de mais de 105 livros. O que isso significa para você?

É como tentar encontrar a mesma maneira de dizer essencialmente a mesma coisa, como “O céu é azul” oitenta e três vezes e não soar estúpido.

O que o atrai à FC?

Quando criança sempre quis ser um viajante. Fui influenciado pelo Tio Patinhas. Muitas vezes me perguntam sobre minhas quem me influenciou, eu respondo: Herman Melville e… Barks. Carl Barks escrevia e desenhava o Pato Donald e criou o Tio Patinhas. O Patinhas tinha penas e uma bengala, mas é basicamente um velho. Até onde me lembro é o único herói sênior de uma HQ e mesmo assim, acumulou centenas de aventuras ao redor do mundo. Barks não viajava, mas como fazem muitos escritores ele lia a National Geographic. Conhecia muito sobre o mundo e ciências e eu pensava “Gostaria de fazer isto também”. Não tenho a fortuna do Tio Patinhas, mas eu viajo bastante. Em relação à FC, estou preso a este planeta. Este é o único que irei ver, mas em minha imaginação, posso inventar lugares que gostaria de ver, culturas que gostaria de tomar contato e pessoas com as quais gostaria de me encontrar. Nenhuma delas existe de fato, mas ao inventá-las eu consigo ir a todos estes lugares. Isto funciona maravilhosamente. Sou uma espécie de viajante interestelar.

 Quando criança o que gostaria de ser?

Eu queria ser Francis Burton. Um homem que falava 45 línguas fluentemente, que escreveu um livro sobre esgrima, foi co-descobridor da nascente do Rio Nilo, o primeiro tradutor de As Mil e Uma Noites e o Kama Sutra, sujeito que viajou por todos os continentes, exceto Antártida e foi o primeiro não-muçulmano em Meca. Ele vestiu-se como um muçulmano, construiu um sotaque para cobrir as imperfeições de sua fala, fez circuncisão para ajudar no disfarce e foi até lá sabendo que seria morto se fosse descoberto. Coisas que eu nunca pude fazer pois estamos no século errado agora e não há mais locais não explorados em mapas e também por que eu não disponho de recursos para tal. Os pequenos espaços não explorados terão desaparecido em cem anos. Estamos na era em que o Google Earth pode indicar sua casa há milhas de distância.

Deixe-me perguntar sobre a adaptação que fez de Transformers, o filme. Adorei o filme e o livro. Quais são seus pensamentos sobre isto?

O sucesso do filme foi uma grande surpresa para muitas pessoas. (…) Foi o “maior” filme do ano. Muitos esperavam que o filme falhasse pois não gostavam de Michael Bay – eu não entendo por que as pessoas o odeiam. Nunca o conheci. Ele fez alguns filmes de altos orçamentos, alguns bem, outros não, mas isso pode ser dito sobre quase qualquer diretor. Por que ele inspira tanta polêmica?

Fiquei impressionado com a fidelidade do livro ao filme.

Obrigado, eu tento ficar fiel.

Alguns outros autores ficariam tentados em apropriar-se da obra. O que o impede de fazer isto?

Você não pode fazer isto nestes contratos. É como se você fosse contratado para pintar a casa de alguém e você pensa que deveria ser bege, mas eles querem verde e rosa. Não me incomodo com isso. Os produtores e roteiristas estão tão absorvidos com o filme que não tem tempo para se preocupar com o que o Burger King irá fazer com os produtos promocionais… O livro também fica livre de inspeções. Eu consigo consertar problemas que encontro. Quanto melhor o roteiro, menos me dá trabalho. Quanto pior… Você sabe, em algo como “The Black Hole,” tive muito trabalho para racionalizar os erros cometidos no filme! Normalmente, não é tão ruim assim. Mas quando me deixam em paz (como o de costume) eu resolvo as coisas. Não adaptei Alien 4: Alien Resurrection por que não me deixaram em paz. Fiz os dois primeiros e quanto ao terceiro, achei o script muito sombrio para um “Alien”. Pensei que matar a garotinha que fora a motivação de viver de Riple, demais. Então eu consertei um bocado de coisas. Depois recebi uma carta de Walter Hill, o produtor, dizendo “Fez um trabalho muito bom com o filme com Nick Nolte e Eddie Murphy…”

48 Horas?

É. Mas na FC é diferente. Em Alien 3 construí estórias e motivações para todos aqueles presidiários. Walter Hill, entretanto disse, “tire tudo fora e escreva dentro do script original e o livro será muito melhor.” Ao invés de escrever uma carta explicando que tinha escrito os dois primeiros e que James Cameron estava satisfeito com eles, retirei toda minha criação original e fiz conforme o script. E por isso que não fiz Alien 4. Não queria passar por aquilo tudo novamente. Normalmente não me incomodam e isso é ótimo. Escrevi Star Wars: Episódio IV, e numa reunião no escritório George disse, “Amei o que você fez com o livro, ótimo trabalho”. E foi isto! Ele pediu para tirar uma ou duas coisas do “Splinter of the Mind’s Eye” uma por que seria muita caro de filmar. A ideia do “Splinter” é que se Star Wars não fosse um grande sucesso de bilheteira e houvesse algum resíduo financeiro para mais um filme, ele queria algo que pudesse ser filmado com baixo orçamento. Por isso o cenário é um planeta cheio de névoa. O livro abria originalmente com uma grande batalha espacial, mas seria muito caro de filmar, então tive que tirar. Era algo pequeno, mas aquelas duas mudanças foram tudo que me pediu. “Bom trabalho. Obrigado.” Normalmente me deixam em paz. Mas de volta à sua pergunta, vejo as adaptações como uma colaboração com o roteirista, não como algo que é meu para mudar e transformar..

Bem, as entrevistas tem mais questões, mas não posso me estender muito mais. Espero que tenham gostado das curiosidades.

Entrevistas originais:

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