Afinal, o que é Fantasia?

De uns tempos para cá estive pensando sobre quando comecei a escrever, em 1999 e optei a escrever uma série de livros de fantasia, mais especificamente, Alta Fantasia. Mas pensava neles também como Dark Fantasy. E naqueles dias não tinha muitos conhecimentos teóricos sobre literatura, gêneros, etc. De lá para cá, já transitei em outros gêneros e li muita coisa também. Na verdade, só comecei a estudar e ler mais sobre o assunto nos últimos três ou quatro anos. E ainda acho que há muito o que entender e pesquisar.Neste sentido, arranjei alguns livros que penso que me ajudarão nesta empreitada e oportunamente falarei sobre cada um deles. Mas por agora, vou citar o 100 MUST -READ FANTASY NOVELS por Stephen E. Andrews e Nick Rennison. Foi lendo este livro que tive a ideia de começar uma série de posts aqui no blog para esclarecer essas minhas dúvidas sobre gêneros, autores e livros que se encaixam nestes. Além disso pensei que podem ser dúvidas de outros leitores e até de escritores.Acontece que no final deste livro que citei, existe um glossário e enumera alguns termos e gêneros usados no livro e que me pareceram um bom ponto de partida para começar com essa série de posts. A primeira coisa que percebi é que as definições dadas pelos autores não se enquadraram muito bem em meus conceitos prévios… Com isso, decidi pesquisar outras fontes para falar um pouco mais do assunto. Sendo que quero deixar claro: meu objetivo aqui não é traçar nenhuma definição “correta” sobre gêneros e termos, mas sim, investigar, propor, e quem sabe, encontrar entre os leitores do blog alguém que comente o assunto, formentando uma discussão ou indicando a interessados (como eu) outras fontes e textos para pesquisa.Chega de prosa e vamos logo com isso. Eis os termos que selecionei:O Fantástico (Literatura Fantástica) – Corpo principal da ficção além do Realismo. Contém Fantasia, Ficção Científica, assim como gêneros cruzados como Science Fantasy e Steampunk.

Dark Fantasy, também conhecida como Horror Sobrenatural que é uma categoria do gênero Horror utilizando elementos fantásticos como magia, criaturas sobrenaturais, etc em oposição à ciência ou ficção científica.

Alta Fantasia – (High Fantasy) – Um variante de Espada e Magia que tem como expoente O Senhor dos Anéis. Embora a Alta Fanasia compartilhe o mesmo conteúdo e símbolos com Espada e Magia (feiticeiros, espadachins, etc) a distinção surge pelos altos impactos do conflito descrito, englobando eventos que podem mudar todo o destino do mundo.
(particularmente não gostei da definição buscar outras e contestar)

Horror. Uma categoria de ficção (mercadológica) que tem foco no medo da morte (e consequencias do após a morte) e preocupações com a fragilidade de nossos corpos. Muitas histórias que seriam classificadas como FC, Fantasy ou Policiais podem ser categorizadas por editora como Horror para fins comerciais. Horror que envolve magia ou o sobrenatural também são conhecidas como Dark Fantasy.

Science Fantasy. Um termo geral utilizado para encapsular histórias que mantém ambiguidade entre serem de Ficção Científica ou Fantasia pelo fato dos autores não confirmarem que magia presente na obra é na verdade tecnologia avançada. Como exemplos temos a série de Hawkmoon (Michael Moorcok) e Dying Earth (Jack Vance). Aliás a série de Dorian Hawkmoon é excelente! Uma das melhores de Moorcock.

Fantasia Heróica / Espada e Magia, ou Espada e Feitiçaria (Heroic Fantasy / Sword and Sorcery) tem como seus protagonistas, predominantemente espadachins e feiticeiros. É o gênero mais comum do Gênero Fantasia

E pergunta ainda fica: afinal o que é Fantasia?

Aqui mais algumas definições. A primeira da enciclopédia da Fantasia por John Clute e John Grant.

FANTASIA. Muito da literatura mundial já foi descrita em algum momento como fantasia. “Fantasia” – certamente assim quanto vista em contraste ao Realismo, é um termo “um tanto mutante/multi-uso” e já foi usado para rotular alguma cultura, era passada, esta era e coisas não realistas. No final do século XX, entretanto, Fantástico foi utilizado com mais frequencia substituindo fantasia. Fantasia, no final das contas é um termo que carece da especificidade de Ficção Científica e não desiguina um estrutura. Não é uma forma como o Horror, no sentido que é efeito que pretende produzir. Então nesta enciclopédia  tratamos de termos relacionados como, pós morte, Dark Fantasy, Fabulação, Conto de Fada, Folclore, Horror, Science Fantasy, FC, etc. Mas a localização específica da fantasia no espectro do fantástico é matéria de constante especulação; não há um consenso rigoroso sobre o alcance e interrelações com os termos supracitados. Como Brian Attebery indicou, que fantasia é um “conjunto confuso” (fuzzy set).

Bem, depois de tal definição da Enciclopédia dá fantasia dá para me sentir um pouco aliviado quanto a minha própria confusão, ou mesmo, dificuldade para encontrar uma definição válida.

Para mais um ponto de vista, aqui um trecho do que diz o artigo sobre fantasia na Wikipedia:

Fantasia é um gênero de ficção no qual a magia outros fenômenos sobrenaturais surgem como elementos do enredo, tema ou mesmo da ambientação. Muitos destes trabalhos ocorrem em mundos imaginários onde magia é algo comum. Fansia distingui-se de termos como Ficção Científica e Horror (…) mas pode haver sobreposição entre os gêneros, todos esses um subgrupo da ficção especulativa (ou literatura especulativa).

E a coisa vai… Com muito mais informações.

Enfim, parece que Fantasia é mesmo muito amplo e para ter uma idéia mais clara sobre qual assunto podemos esperar encontrar num texto classificado como fantasia, parece indispensável que utilizemos sub-gêneros, tais como: Romance Fantasy, Contos de Fada, Histórias Alternativas,  Arthurian Fantasy, Fantasia Cômica, Dark Fantasy, Fantasia Épica, Fantasia Heróica, Alta Fantasia, Mystery Fantasy, Realismo Mágico, Fantasia Moderna, Fantasia Urbana, Sword and Sorcery, e até Borduna e Feitiçaria.

Para mais adiante, à partir deste embrião, vou falar sobre escritores, gêneros e obras, fazendo uma amarração com conteúdo externo e resenhas que já saíra aqui no blog, organizando essas informações de modo hierárquico, assim espero que com o tempo a própria estrutura do blog me ajuda (e aos leitores) a ter uma visão, mais ou menos ordenada de sub-gêneros, seus autores e obras. Temos muito o que ler adiante!

Para terminar, deixo a pergunta aí para vocês. Afinal, o que é Fantasia? Comentem, mandem referências e sugiram textos para aparecerem em posts futuros. Até lá!

Zoom – 1 a 10 de janeiro de 2012

Então pessoal, como comentei, tentarei fazer o Zoom mais vezes em 2012. Relembrando, para quem nunca leu uma edição, o Zoom é um apanhado do que rolou nos blogs que falam de literatura (que dou conta de acompanhar) dentro do tema literatura fantástica e, em epecial, relativo ao gênero fantasia (mas não apenas fantasia).

Então vamos lá!

03/01/2012 

O Universo Fantástico, referenciou Marcelo Paschoalin que fez um ensaio falando sobre a Literatura Fantástica Brasileira que vale conferir.

Ele nos convoca:

“Sonhemos. E realizemos. Só assim conseguiremos uma realidade fantástica onde nossas histórias terão excelso valor”.

O BlogCT nos deixa a dica para o recente lançamento da editora Bertrand Brasil. O livro “Os Monstros do Cartógrafo” de  Rob Stevens.

04/01/2012 – 

No Universo Fantástico, entrevista com o escritor goiano Itamar Pires Ribeiro, que – sete anos após o lançamento de “Histórias da Terra Vazia” – estreia no romance com “Lygia entre os Dragões”

No blog, WORLDS WITHOUT END, Scott Lazerus, resenha o romance Titus Groan de Mervyn Peake. Nunca tinha ouvido falar no autor, mas a resenha despertou meu interesse.

07/01/2010 –

No Sobre Livros uma nota sobre o livro “Os Gêmeos” da série Crônicas de Salicanda. Desperta interesse.

Saiu no Mundos de Fantas, por Celly Borges, a dica de leitura de um livro que parece ser interessante: Noite Sem Fim – O Além-mar – livro um – Roberto Campos Pellanda. (Nos comentários Celly diz que o livro é muito bom e promete resenha)

09/10/2012 – 

O Universo Fantástico referenciou resenha que saiu em dezembro no Nem Um Pouco Épico de Sagas, vol 2 – Velho Oeste da Argonautas (que está na minha lista de desejados). e também Sagas, vol 3 – O Martelo das Bruxas.

 

10/10/2012 –

No Viagem Literária saiu a resenha do volume 2 da série As Crônicas do Matador do Rei, O temor do sábio (Wise Man’s Fear) de Patrick Rothfuss. Parece ser bem interessante.

E isso aí pessoal, esses foram os posts que pincei por aí neste período. Putz, e no meio de centenas e centenas de postagens. Espero que gostem das dicas.

2012 começando – Ano do Dragão

Chinese Dragon Tattoo Style Por Anarchpeace

Então pessoal, 2012 promete! Muita coisa aconteceu recentemente, uma delas é que passei num concurso público e agora trabalho em jornada de 6 horas, ou seja, isto é ótimo para dar um fôlego extra para minhas atividades literárias. E como o pessoal da Editora Draco está falando, 2012 é #AnoDoDragão. Duas coisas aí… O símbolo da Multiversos é um dragão e isso não é por acaso, meu signo no zoodíaco chinês também é o Dragão.

Estou me organizando para publicar aqui, além das resenhas, edições do Zoom com maior frequência, traduções de entrevistas e entrevistas com autores brasileiros, uma série de artigos sobre escritores de fantasia, mais da série artistas e fantasia e algumas coisas teóricas sobre o gênero. Com fé também, sai em 2012 a versão para leitores “beta” do romance Memorial de Quill (a.k.a. Keel, the demonslayer) e do romance As Lentes da Perdição.

Fiz um balanço de 2011, e apesar da correria consegui:

  • publicar 14 resenhas;
  • terminar a segunda versão do romance As Lentes da Perdição;
  • fazer a tradução preliminar do Memorial de Quill (vol 1 do Pentateuco dos Cinco Herois) para inglês;
  • progredir um pouco na escrita do romance O Oráculo Esquecido (vol 3 da Trilogia do Novo Elo);
  • Iniciar o terceiro romance da série Pentateuco dos Cinco Heróis (3 capítulos);
  • Iniciei uma nova série que se passa na Terra das Nove Luas (ainda sem título) (3 capítulos);
  • Inciei um romance de fantasia pós-apocalíptica (que está progredindo muito bem) (7 capítulos);
  • Lançar novas versões em eBook do romance Maré Vermelha;
  • E por fim, uma ilustração do personagem Quill para acompanhar a versão “beta” a ser lançada
O desejo é ampliar, mas se ao menos o ritmo de 2011 for mantido, haverá progresso e novidades. Até lá!

Direitos Iguais Rituais Iguais – Terry Pratchett

Direitos Iguais Rituais IguaisOlá pessoal! Aí a última resenha de 2011. Que 2012 seja bom para todos vocês!

Direitos Iguais Rituais Iguais é o terceiro livro da série Discworld. Quanto mais leio, mais gosto. Nem deu para ficar com saudades do Rincewind na companhia da jovem Eskarina e da vó dela. Tá aí um aspecto legal deste livro, pode ser lido e apreciado sem a leitura dos livros anteriores, pois é uma estória independente e fechada.

O escritor é muito habilidoso e a leitura prende, não dá para discutir isso. A tradução do título não chega a ser ruim, visto que é um pouco difícil traduzir o trocadilho do título original, Equal Rites.

Eskarina é uma menina, oitava filha com sete irmãos homens, filha de um ferreiro. Quando bebê ela herda um cajado mágico que determina seu caminho para tornar-se uma maga. Acontece que no Discworld, (algumas questões de tradução aqui) tradicionalmente homens são magos (wizards) e mulhes bruxas (witches) e Eskarina tem que vencer muitas tradições e preconceitos, começando de sua avó que é uma bruxa, para conseguir ser aceita e tornar-se maga.

Depois de dobra a avó, partem numa jornada para a capital,  Ankh Morpork para tentar inscrever-se na  Universidade Invisível (só para homens/magos). Bem, daí acontecem muitas coisas divertidas, mas meu objetivo não é ficar falando destes pormenores, até por que senão correria o risco de começar com spoilers.

Pratchett é muito bom na criação de personagens e situações e sua técnica de metáforas (e outras figuras de linguagem) é algo sem igual. Ele é capaz de em simples sentenças (sobre coisas mundanas) descrever de uma forma tão viva e divertida de forma que não me lembro de um outro escritor com o mesmo nível de habilidade. É um show a parte que vale conferir.

Enfim, não deixe de ler essa excelente série! É coisa genial!

A Casa dos Muitos Caminhos – Diana Wynne Jones

Casa dos Muitos Caminhos

2008 – Editora Galera Record – 302 páginas.

Que satisfação ler um livro como este! É o terceiro livro da série que começou com o O Castelo Animado (que foi adaptado para o cinema pelo mestre Hayao Miyazaki) seguido de O Castelo no Ar.

Neste livro conhecemos Chairman Baker, uma jovem geniosa, que adora livros e foi superprotegida pelos pais. Ela recebe a tarefa de cuidar da casa de seu tio-avô, William Norland, um mago idoso que por conta de
uma doença busca tratamento fora da cidade junto aos elfos.

A casa contém muita bagunça, sujeira e muitos segredos também. Além da casa, Chairman também recebe a seus cuidados uma cadelinha capaz de enfrentar muita confusão. No decorrer da trama, Chairman explora a casa e acaba conhecendo a família real de seu país, a Alta Norlanda. O rei e sua filha enfrentam dificuldades e Sophie, o Mago Howl e o demônio do fogo, Calcifer, são chamados pela princesa para auxiliá-los.

Na investigação Chairman conta com a ajuda do futuro aprendiz do mago Norland, o jovem Peter, que ainda não consegue fazer uma magia se quer dar certo.

O perigo chega bem perto quando Chairman tem um encontro acidental com um Luboque, uma criatura perversa que pretende tomar para si todo o reino da Alta Norlanda.

É uma trama muito envolvente, leve e bem escrita, cheia de magia, mistérios, criaturas fantásticas e situações peculiares. Os personagens são muito bem construídos e carismáticos e apesar de ser uma história de fantasia a autora é tão competente que imprime um forte senso de realismo tornando as situações e ambientação muito coerentes. O desfecho, como na maioria dos livros da autora é bastante bom revelando os pontos misteriosos apresentados ao leitor durante o livro.

Se não leu os primeiros livros da série é recomendável lê-los em ordem, mas de algum modo, os três livros funcionam com histórias independentes entre si, não sendo necessário a leitura dos anteriores para a compreensão e bom proveito desta que certamente é uma boa leitura.

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