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Categoria: Dicas de Escrita Page 9 of 10

Criação de personagens – parte 5

People with speech bubbles - freepik.com

People with speech bubbles – freepik.com

Os diálogos são cruciais para dar vida a personagens. Bem, muitos buscam criar diálogos realistas, mas criam personagens que falam da mesma forma que nós falamos. “Olá”, “bom dia, bom dia”, “como vai você?”, “Tô bem, obrigado”, um diálogo de preenchimento que não leva à nada.

Entretanto para criar algo realista é preciso refinar o que esse personagem diz. Tornar as falas específicas para  a voz desse personagem.

Evite infodumps, especialmente em diálogos

Fuja do diálogo vomitado com infodumps, ou seja, um despejo de informações sobre o leitor, coisas que não seriam naturais de uma pessoa dizer. Algo assim (falando com a mãe):  ‘você lembra quando você e o papai e eu estávamos passeando na praia de Ipanema e estava muito ensolarado, um céu lindo e o papai estacionou o fusquinha 1968 e comemos sanduíches de atum lá dentro? Como ele gostava daquele fusquinha. Ele usava um bigode que cobria a boca e uma camisa xadrez de golas altas’. Neste diálogo, o autor tenta passar ao leitor informações que poderiam ser dadas de outra forma.

Funções do diálogo

É preciso ter certeza de que cada linha do diálogo em cada página alcance os seguintes três pontos:

1) Destacar a essência do personagem, para que não pudesse ser mais ninguém falando aquilo. Isso ajuda o leitor a construir o personagem em sua mente.

2) Evocar algum tipo de confronto, conflito, divergência de ideias. Ou então apresentar fatos relevantes para fazer avançar a trama.

3) Procurar pela essência do que queremos passar de modo que soe natural, usando o mínimo de palavras possível.

O jeito individual de falar

Reforçando, evite que todos seus personagens soem da mesma maneira. Todas as pessoas tem seus modos particulares de falar.

Para cada personagem é bom pensar em frases habituais que usam (sem exagerar no uso).  Palavras que eles não usam, por exemplo, nunca falar palavrões, ou evitar uso de palavras complicadas. Se o personagem é eloquente, ou não. Consegue falar “bonito” ou não? Quão educado ele é? Ou é mal educado? Isso tudo deve refletir no diálogo de modo a construir a voz única do personagem. Uma boa ideia é fazer uma lista de adjetivos que cada personagem costuma usar. Tente fazer com que eles sejam de uso exclusivo de cada um deles.

Criação de personagens – parte 4

Created by Naulicreative – Freepik.com

É preciso escrever o livro

Continuamos falando sobre a criação de personagens, é claro que não dá para criar tudo sobre o personagem antes de escrever o livro. Você pode definir muitas coisas: visualizar o personagem, procurar ouvir sua voz, pensar sobre vários aspectos de sua vida e relações, etc. Mas a criação de personagem, de verdade, toma forma na medida em que escrevemos nossas histórias.

E há ocasiões que podemos começar a criação à partir de uma ideia geral (contrariando o que vimos antes). Imaginar alguém, numa determinada situação, e a partir daí, expandir aos poucos a visão sobre quem é essa pessoa. Talvez alguém que está em casa, um momento antes de tomar uma importante decisão para sua vida. O peso de seu passado recai todo sobre aquele momento, o momento que ela decide tomar uma atitude diferente, mudar sua vida.

A importância da intuição

Nesse caminho vamos nos levando pela intuição. O personagem confronta uma nova situação e sentimos que ele não faria tal coisa, não diria aquilo. Um senso de existência e coerência começa a se formar. Não estou dizendo que neste caso você vai criando tudo do nada. O mesmo vale, se você já gastou algumas semanas rascunhando o personagem, como vimos nos capítulos anteriores. O ponto é que agora, estamos em ação, escrevendo uma cena, construindo um capítulo. E muitas vezes, apenas nesse momento, aspectos importantes do personagem começam a surgir. Ou seja, o que quero dizer é que não dá para ficar parado para sempre fazendo exercícios de visualização, é preciso sentar e escrever. Ver o que acontece. Realmente, este é o momento de entrar na pele do personagem.

Também, há momentos que vamos sentir que não dá para ir adiante. Que travamos em nossa história. Um bom artifício é ter um outro personagem na manga. Ao colocar esse segundo personagem em cena, de preferência em conflito ou numa situação desconfortável, fará vir à tona a manifestação de caráter do seu personagem principal.

A importância dos erros

Lembre-se de permitir que seu personagem cometa erros. Que faça coisas ruins, mesmo que não seja alguém mau. Seja capaz de escrever sobre eles fazendo coisas ruins e antipáticas, sem transformá-los em algo caricato demais.

Acessando a profundidade dos personagens

É importante fazer os personagens se destacarem para nossos leitores. Mostrar que possuem profundidade, suas complexidades e almas. Muito se fala sobre uma boa história ser composta de uma sequência frenética de ações. Mas às vezes, para penetrar na alma do personagem, é preciso desacelerar um pouco. É um caminho para  entrar na sua vida interior. Na cultura oriental existe um conceito de lugar vazio, momentos em que nada acontece. Mas ao mesmo tempo acontece algo nesses momentos de nada. Vemos isso na obra do diretor de cinema (animação) Hayao Myazaki (Meu Vizinho Totoro, A Viagem de Chihiro, Ponyo, Serviço de Entregas da Kiki, Castelo Animado, etc). Em todos seus filmes, há momentos de pausa, momentos em que os personagens param para apreciar o ar noturno, observar a natureza, ou fazer coisas comuns como ir à cozinha comer um biscoito (ou seria bolacha?). É o que chamamos de slice of life. Por que todas as sequências de ações são uma plataforma para o que acontece por dentro.

E o mundo interno de seu personagem, suas decisões e ações, são os instrumentos que temos para fazer o leitor se importar com seu personagem.

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Criação de personagens – parte 3

Formas de expressão do personagem e seu mundo interno

Benjamin’s Portrait
Lady Orlando – https://www.flickr.com/photos/ladyorlando/

Continuando a falar sobre a criação de personagens, vamos focalizar agora nas formas de expressão de seu personagem e seu mundo interno.

O leitor irá se interessar por um personagem que pareça real. Para isso é necessário dedicar tempo refletindo sobre quem ele é. Aqui vão mais algumas dicas que vão ajudar nisso.

Faça os seguintes questionamentos para ajudar na construção do personagem:

Que tal começar pensando nas peculiaridades, tiques ou maus hábitos de seu personagem?

Essas coisas são o que os outros observam nele. Seu mundo exterior. Agora, entrando na mente de seu personagem… Será mais fácil escolher tais atributos depois de investigar, mais a fundo, seus pensamentos.

Quais são as as preocupações dele?
As pessoas pensam o tempo todo, é muito difícil parar de pensar. O que seu personagem geralmente tem em mente? O que ele valoriza? O que odeia? Quais são seus sonhos e esperanças? Quais são seus medos?

Desejos

O que um personagem deseja, em especial, é algo muito importante na sua criação. Isso poderá ajudar a constituir o motor de sua história, o combustível para a trama. O que seu personagem quer?

O mundo interno de seu personagem molda a forma que ele cuida de sua aparência. Que tipo de roupas gosta de vestir? Usa maquiagem? Tem o hábito de se olhar no espelho?

Como ele se comporta quando está alegre, ou nervoso? Aparece algum tipo de tique ou mania? Passa as mãos no cabelo? Gesticula enquanto discute? Balança o pé quando está sentado? Fecha os olhos quando dá gargalhadas? Coloca um cigarro na orelha?

Pense nessas particularidades, mas não use demais. Uma pitada aqui, outra ali, para não ficar cansativo. Escolher e usar muitas peculiaridades podem até deixá-lo artificial ou ridículo.

Faça o mesmo exercício para os personagens secundários. 

O que irrita seu personagem? Tem alguma comida ou bebida que não conseguem resistir? Um vício ou obsessão? Ele ama acarajé, ou milk shake?

Há algo de sua infância que permaneceu para a vida adulta? Algum hobby? O que ele guarda na geladeira, ou numa despensa e que não pode faltar? Cerveja? Chocolate? Pimenta?

Onde ele dorme? Numa cama? Rede? Onde der? O que guarda debaixo da cama? Ou no seu criado mudo? Gosta de ler? Tem algum livro, ou autor favorito?

Imagine coisas sobre seu personagem dia e noite. (mas descanse)

Qual sua piada favorita? Ou história favorita? Possui algum animal? Qual sua relação com este?

Qual foi a pior coisa que seu personagem já fez? Ele sente remorso?

Tem alguma mania ao falar? Alguma frase que costuma repetir, ou expressão? Todos tem, observe e verá.

Qual sua peça de roupa favorita? Um boné? Um determinado par de meias? Luvas? Uma gravata? Uma camiseta estampada? Qual é a estampa?

Qual foi o último filme ou livro que leu? Alguma história que adorou? Alguma que odiou? Ou ele não gosta de ler? Gosta de fazer o que para passar o tempo?

Invista no seu personagem

Quanto mais você se conectar a todos detalhes que puder imaginar de seu personagem, mais perto estará de criar um personagem que os leitores tenham chance de gostar. Essas informações vão ajudá-lo a tomar decisões a respeito de seu personagem e refinar sua criação ainda mais.

Cada pedacinho que criar e que estiver em suas anotações a respeito do personagem ajudará a construir um ser humano. Essa é a sua meta. Não listar ideias sobre pessoas, mas trazer uma pessoa de verdade à vida no papel.

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