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Paradigmas – Volume 4

Paradigmas 4 da Tarja Editorial reúne em 120 páginas contos dos autores:  Georgette Silen, Ronaldo Luiz Souza, Leonardo Pezzella Vieira, Ana Lúcia Merege, Marcelo Jacinto Ribeiro, Roberta Nunes, Adriana Rodrigues,   Carlos Abreu, M. D. Amado, Rober Pinheiro, Sandro Côdax, Richard Diegues e Fábio Fernandes.
Estes apresentam boa variação em sua natureza e temas. Uma boa seleção de textos e autores. Curti bastante estes aqui:
O Diamante Laranja – Adriana Rodrigues
Muito divertido este conto que se passa num mundo no qual a magia é bastante comum. Neste contexto justamente a falta de magia torna-se um tema de  interesse.
A Biblioteca do Fim do Mundo – Fábio Fernandes.
Um conto de ficção científica que faz o leitor viajar para uma futuro distante de nossa terra  já desprovida de homens na qual inteligências artificiais interagem levantando questões instigantes.
Barquinhos de Papel e Outros Origamis – Sandro Codax.
Um conto curto, mas que deixou uma forte impressão. Vale mais ler do que contar algo sobre ele.
12 Vidas – Leonardo Pezzella Vieira
Doze mini-contos, uma para cada mês do ano. Temos rápida e marcante impressão sobre a vida numa misteriosa cidade mítica em algum lugar do Brasil para onde muita gente é atraída e que apesar das estranhezas pode também cativar aqueles que ali chegam.
O Jantar – M.D. Amado
O jantar oferecido pela Sra. Peacock é um evento para o qual ninguém gostaria de ser convidado…
Você Vai Seguir meu Caminho? – Marcelo Jacinto Ribeiro
Conto de ficção científica sobre uma vivência difícil de um personagem que ficou paraplégico com desfecho um tanto sombrio.
O Caçador de Deus – Georgette Silen.
Um conto envolvente e que vale ser lido.
Foi o primeiro livro desta série que pude ler. A edição é muito boa e vale a pena seguir esta série para onde ela for com sua missão de quebrar paradigmas.

Zoom Multiversos – Março 2011

Estamos vivendo na era da produção desenfreada de conteúdo. Muito é publicado, usamos ferramentas para lidar com isso, rss, google reader, seguir blogs, etc. Mas acaba que alguma coisa sempre passa batido. A idéia do Radar Multiversos é dar uma segunda chance de ver alguma coisa que rolou, principalmente nos blogs de literatura, filtrando resenhas e estrevistas relacionadas à literatura fantástica. Vamos começar com revisões mensais, mas conforme o ritmo podemos mudar isto para quinzenal ou semanal.

Bem, vamos lá… O que rolou que chamou nossa atenção em março:

No Blog da Flávia Côrtes foi divulgada a antologia digital “O Mal Bate à sua Porta”, contendo o conto da autora, “Quiromancia”. – http://bit.ly/h2ki0r

Algumas coisas que chamaram a atenção nas publicações de Roberto de Sousa Causo no Terra Magazine:
Resenha de A Situação (The Situation), Jeff VanderMeer. (Tarja Editorial)

Os responsáveis pela Tarja Editorial escolherem este livro do americano Jeff VanderMeer para iniciar sua transição de um catálogo composto exclusivamente de autores brasileiros, para o de uma editora que também traduz obras significativas do exterior. Leia mais: http://bit.ly/e3eg8h
Entrevista com Marcello Simão Branco, co-criador do Anuário Brasileiro de Ficção Científica – http://bit.ly/g5EGHk

A última edição do Drops, de 26 de Março com muitas dicas relevantes – http://bit.ly/g1pU3b Destacamos: O Lançamento da antologia Assembléia Estelar: Histórias de Ficção Científica Política e da  a antologia Sobrenatural, de Ademir Pascale, os Indicados para o Prêmio Nebula 2010, o site renovado do ilustrador Vagner Vargas, entre outros.

Do blog, Minha Estante, selecionamos a resenha do livro, Fuga de Rigel de  Diogo de Souza – http://bit.ly/fjvnLA

Do blog, Literatura de Cabeça, selecionamos as resenhas::
O Elemental, Vanessa Bosso – http://bit.ly/gnCO6Q
Dragões de Éter – Caçadores de Bruxa, Raphael Draccon – http://bit.ly/ftk1YR
Dragões de Éter – Corações de Neve, Raphael Draccon – http://bit.ly/eWdmll
Anacrônicas – Pequenos Contos Mágicos, Ana Cristina Rodrigues – http://bit.ly/hpKwyD
Para Ler Romances com um Especilista, Thomas C. Foster –  http://bit.ly/e0neG4
Entrevista com, Simone Marques – http://bit.ly/fDj3Ju

No Blablabla alteatório:
O Segredo da Guerra, Estus Daheri – http://bit.ly/fwi3Si

Lendo e comendo:
Draco-Saga, o despertar, Fábio Guolo – http://bit.ly/g2HW5F

Conversando com Dragões:
Neerack – O Segredo de Kalina, Allysson de Matos – http://bit.ly/g2iURD

Artigo bacana na Arena Fantástica: Fontes de Inspiração na LitFan Brasileira – http://bit.ly/gqdvuF e a Resenha de Extraneus 1, da Estronho – http://bit.ly/fbU40k
(logo mais resenha aqui na Multiversos também)

Outra resenha de Draco-Saga, o despertar – na Rkbooks – http://bit.ly/fb0ByW

Na Taberna dos Vikings, uma entrevista super legal com a Cris Lasaitis –  http://bit.ly/eqfxJG

Na livros em série:
Crônicas de Senhores de Castelo, G. Brasman & G. Norris – http://bit.ly/dH3nRb
Como Quebrar a Maldição de um Dragão, Cressida Cowell – http://bit.ly/hA7ZQE
O Princípio do Fim, Manuel Loureiro – http://bit.ly/hwGiFu

No Leitura Escrita, Duplo Fantasia Heróica: O Encontro Fortuito de Gerard van Oost e Oludara/A Travessia – Christopher Kastensmidt/ Roberto de Sousa Causo – http://bit.ly/eGlo9R

Bem, começamos a exploração dos multiversos em multiblogs… Nos vemos no próximo Zoom!

A Sombra dos Homens – Roberto de Sousa Causo

Sombra HomensA Saga de Tajarê: Livro 1

Editora: Devir
Páginas: 120
Ano: 2004

O livro narra a jornada do índio Tajarê, da Aldeia do Coração da Terra, que é convocado pelas forças mágicas da Terra como seu campeão para cumprir seus desígnios. A Tajarê não agrada cumprir o destino que lhe é apontado, lhe desagradam as mortes e o combate, mesmo assim, o chamado é forte e quase irresistível. O livro reune quatro partes narrativas, algumas das quais foram publicadas separadamente como contos na revista Dragão Brasil. Em A Sombra dos Homens, Tajarê e os seres da Amazônia mítica do século XI encontram-se com uma expedição de vikings vindos da Islândia chefiada pela sacerdotisa Sjala.

Nesta terra fantástica estão presentes criaturas do folclore brasileiro tais como os Uauiaras, botos que assumem forma de gente, antigos Guaranguás (peixes-boi) entre outros. Também se fazem presentes as Icamiabas, mulheres-sem-homem, as amazonas que se instalaram na região após o cataclisma que varreu do mapa a Atlântida. É do confronto de forças antagônicas e fusão de distintas mitologias que a narrativa se forma.

A idéia de resgatar e trabalhar possibilidades contidas num contexto de mitos brasileiros e não cair na “mesmice” de recorrer a referências estrangeiras tais como elfos, dragões, lobisomens e vampiros é louvável. Há muito potencial de desenvolvimento narrativas de literatura fantástica elementos do folclore brasileiro, ou mesmo da proto-nação brasileira.  A obra leva o leitor a um ambiente que recria uma espécie de mitologia brasileira, na realidade, dos povos indígenas que viviam no Brasil antes de seu descobrimento (e da formação da identidade da nação brasileira). Nesta linha o autor buscou incutir na linguagem utilizada trejeitos próprios de uma comunicação aproximada de linguagem indígena. Confesso que me falta conhecimento para atestar se é apropriada a forma pela qual o autor distorce o uso do português para aproximar de uma forma narrativa indígena. O efeito é curioso, mas trouxe consigo uma desvantagem que foi dificultar o entendimento da narrativa e, em alguns casos, torná-la um pouco enfadonha devido à repetição excessiva dos nomes dos personagens como forma universal de referência e tratamento. Outro aspecto negativo é a concatenação dos segmentos da história. Parece que como foram constituídos como contos separados, a junção das partes não cria um todo com continuidade fluida.

O livro tem também um interessante artigo por Bráulio Tavares intitulado: O herói e a sombra dos homens. Este procura situar a obra do autor e no contexto da literatura fantástica. Talvez, numa próxima edição, o artigo estivesse mais bem situado após a narrativa, na forma de apêndice (spoilers).

O balanço final é que é um livro um pouco difícil de digerir, apesar de ser curto. É corajoso no sentido de explorar uma temática pouco explorada por nossos autores de literatura fantástica. É um apontador de caminhos para que mais autores se desafiem a criar histórias fantásticas que escapem dos moldes de mitologias estrangeiras que muitas vezes tem pouca ou nenhuma relação com nossa identidade. Ainda há muito que explorar no fantástico e folclore brasileiro, em especial, neste subgênero de “capa e espada” (sword and sorcery) ou como o próprio autor chamou em seu fanzine, Borduna e Feitiçaria.

O Talismã do Poder – Crônicas do Mundo Emerso

Enfim a conclusão de mais uma trilogia: Crônicas do Mundo Emerso. O que me fez pensar: de veio esse gosto por trilogias? Um pequeno desvio e encontramos no verbete trilogia, da wikipedia em inglês, um pouco do histórico deste tipo de obra e um curioso caso explicando que “O Senhor dos Anéis” não é uma trilogia, como muitos pensam. Lá encontramos também (vale conferir) links para trilogias literárias e trilogias de fantasia.
Na conclusão da série, a semi-elfo, Nihal, o mago, Senar e o escudeiro, Laio, partem numa jornada para reunir as oito pedras que irão compor o talismã. Este artefato constitui o único poder capaz de fazer frente ao Tirano. As pedras são guardadas por oito espíritos localizados em templos, um em cada uma das terras do Mundo Emerso. Ael, água; Glael, luz; Sareph, mar; Thoolan, tempo; Tareph, terra, Goriar, escuridão; Mawas, ar; Flar, fogo.
Em paralelo a esta busca é evidenciada a jornada do gnomo, Ido, como Cavaleiro de Dragão e sua busca por redenção. O destino de Ido passa ser o confronto com um dos principais servos do Tirano, o Cavaleiro de Dragão Negro, Deinóforo.
Durante a aventura, completa-se o ciclo de apresentação de cada uma das terras do Mundo Emerso. Aos poucos, conhecemos sobre a história do Tirano, suas conquistas e da verdade sobre o extermínio dos semi-elfos, o povo de Nihal.
No terceiro livro o tom dos anteriores é mantido, porém um pouco mais sombrio e repleto de justificação filosófica. O tema da violência que esteve presente desde o primeiro livro torna-se mais evidente e no final a discussão gira em torno da civilização do mundo emerso, seus povos, terras e indivíduos que são capazes de amar, mas também de odiar. O que seria mais forte? O que prevalece, ódio ou amor? São todos seres vítimas do ódio? Os que tiveram vivências violentas e carregam sangue e morte nas mãos, podem ser perdoados? Podem se recuperar? Podem encontrar redenção e paz?

Estas não são questões respondidas, mas algo em que a autora nos convida a pensar, e, neste ponto, surge algo positivo desta saga. Poderia ser apenas
uma aventura em terras fantásticas, cheia de confrontos envolvendo criaturas fantásticas e estranhas raças, mas não. São histórias de personagens que vivem sob conflito e de alguma forma procuram por sentido em suas vidas, agarrando-se a ele ou sacrificando-se para conquistá-lo.

Enfim, a conclusão da série não traz muitas surpresas. É possível imaginar o desfecho da série desde o primeiro livro; e por falar em desfecho, o epílogo é construído de maneira interessante e dá notícia do destino dos principais personagens vistos durante a série. Abre-se também a perspectiva de continuidade de histórias no Mundo Emerso. Vale lembrar que a segunda trilogia (ah, trilogias) chamada Guerras do Mundo Emerso que se passa quarenta anos depois desta série já tem os dois primeiros livros editados pela Rocco: livro 1 – A seita dos assassinos e livro 2 – As duas guerreiras.
É isso! Balanço final: gosta de fantasia? Vale conhecer esta série e o estilo desta autora. Não se sobressai como outros autores de fantasia como
Tolkien, George R. R. Martin e Michael Moorcock, mas certamente ajuda a compor o gênero com seus personagens interessantes, alguns irritantes e outros memoráveis.

A Semana dos Bruxos – Os Mundos de Crestomanci

Semana dos Bruxos

A Semana dos Bruxos

Não é o primeiro, nem último livro que leio da excelente escritora britânica Diana Wynne Jones. Autora de mais de 40 livros, em sua maioria, literatura infanto juvenil, Diana é mestre do gênero e suas obras cheias de personagens, mundos e circunstâncias interessantes. Entre seus romances, temos editados no Brasil: O Castelo Animado (Howl’s Moving Castle) que inspirou o filme de Hayao Miyazaki. Também editado pela Galera (Record) sua sequência: O Castelo no Ar. Títulos instigantes como The Dark Lord of Derkholm e a série, Mundos de Crestomanci estão entre meus livros favoritos.

Aliás cabe um parêntese, como é rico o coletivo de escritores de fantasia Britânicos: Tolkien, Michael Moorcock, C.S. Lewis, Neil Gaiman, Brian Talbot, Lewis Carroll, J. K. Rowling, entre outros.

Os livros da série Crestomanci, são mais ou menos independentes entre si. Trazem em comum a figura do Mago Crestomanci, que é o feiticeiro mais poderoso de um conjunto de mundos infinitos e responsável por governar a magia, ao menos, até onde lhe é possível.

A Semana dos Bruxos (original de 1982) conta a história de uma dúzia de crianças, a maioria órfãs, que estudam num colégio interno chamado Larwood. Neste mundo, a magia é proibida e qualquer um que seja identificado como bruxo é condenado à morte e vai para a fogueira. O problema é que os alunos do Internato de Larwood, em sua maioria, são filhos de bruxos, e assim, há grandes chances também de se tornarem bruxos.

O livro começa quando um dos professores da turma recebe um bilhete anônimo com a seguinte acusação: Um dos alunos da turma 2Y é bruxo. Depois disso, evidências de que bruxaria se manifesta no internato começam a aparecer e o clima entre alunos e professores fica tenso. Diversas situações pitorescas e divertidas em que a magia está envolvida se desenrolam com os alunos e professores.

A situação fica cada vez mais complicada, com o envolvimento de policiais a ameaça dos inquisidores e intrigas entre os alunos até que Cretomanci entra em cena. É um livro muito divertido, com confusões típicas de uma escola, mas também com elementos de magia e fantasia. Um dos pontos positivos do livro é justamente o desfecho, muito interessante e criativo.

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