Recentemente resenhei o primeiro livro da série, Alerta Vermelho, destacando a maneira singular com que Martha Wells apresentou ao leitor um protagonista artificialmente inteligente que, ao fugir do roteiro típico de IAs assassinas, conquista empatia com seu humor seco, suas contradições e um inesperado senso de propósito.
Na ocasião, também mencionei a adaptação da obra para a televisão pela Apple TV. Tive a oportunidade de assistir e recomendo, a apartação ficou muito boa! Acompanhou o tom e o espírito do livro — algo que me agradou bastante, pois conseguiu capturar a voz ímpar e o ritmo envolvente da narrativa original.
Em Condição Artificial, essa jornada continua, expandindo o universo da série sem perder o que fez Alerta Vermelho funcionar tão bem.
Investigando o passado, encontrando conexões
O robô-assassino, agora por conta própria, parte em busca de respostas sobre o evento que foi parcialmente apagado de sua memória e enteder se tem culpa pelo massacre de mineradores. Essa investigação pessoal dá à narrativa uma estrutura de busca existencial.
No caminho, a história toma uma direção ainda mais instigante: o protagonista cruza com outra inteligência artificial — o computador central de uma nave de exploração científica — e, mesmo partindo de concepções muito diferentes de “consciência” e “objetivos”, desenvolve com ele uma amizade que é um dos pontos mais interessantes do livro.
O que Martha Wells consegue fazer, de forma bastante convincente, é gerar empatia entre duas entidades artificiais de maneiras que parecem naturais ao leitor, sem humanizá-las demais. Cada IA mantém seus modos próprios de perceber o mundo, suas lógicas e limitações, e ainda assim é possível acompanhar o crescimento de uma relação que transcende simples cooperação funcional. Isso confere ao livro uma profundidade rara: não se trata apenas de aventura ou ação — trata-se do desenvolvimento de uma relação entre formas de consciência distintas.
Além dessa linha relacional entre as IAs, Condição Artificial continua a narrativa do protagonista investigando seu passado e, simultaneamente, se envolvendo com um grupo de humanos em uma missão de risco. Nesse novo relacionamento com um grupo de três humanas, vemos mais da personalidade do protagonista se desenvolver, tanto do lado do seu comportamento anti-social, como na dimensão em que desenvolve um pouco de seus sentimentos e humanidade. A mistura de ação, humor sutil e reflexão sobre identidade de seres artificiais mantém o ritmo ágil que tornou o primeiro livro tão cativante.
Sobre a série e a adaptação
A série literária Diários de um Robô-Assassino conta atualmente com sete volumes publicados, a maioria em formato de novelas curtas ou médios romances, começando por Alerta Vermelho (All Systems Red) e incluindo Condição Artificial, Rogue Protocol, Exit Strategy, Network Effect, Fugitive Telemetry e System Collapse.
A adaptação para TV, lançada globalmente na Apple TV em maio de 2025, estreou com a primeira temporada baseada no Alerta Vermelho e foi renovada para uma segunda temporada, o que indica a intenção de continuar adaptando os volumes subsequentes da saga para as telas.
Conclusão — Recomendo a leitura
Condição Artificial é uma sequência que honra e expande as qualidades do primeiro livro: é uma leitura envolvente, fluida e cheia de nuances. A autora consolida suas habilidades em criar não apenas cenas de ação, mas relações e perguntas que ficam com o leitor depois da última página.
Se você gosta de ficção científica que combina humor discreto, personagens não convencionais e reflexões sobre identidade e consciência — ou se, como eu, também gostou da adaptação televisiva — essa série é uma excelente pedida: rápida de ler, prazerosa e peculiar.
2025 foi um ano de muito trabalho, mas de produção literária pequena se comparada a de outros anos. Vamos falar das atividades aqui no blog, dos projetos literários e no final conto um pouco sobre algumas questões pessoais que me deixaram mais apertado este ano.
O Blog
Na atividade de resenhas do Selo Multiversos, tivemos certa quantidade e depois uma parada total.
Em primeiro de janeiro, começamos com a resenha de:
Novas do Purgatório, um romance de ficção científica do grande escritor Gerson Lodi-Ribeiro. A temática muito intrigante: inteligências artificiais fazendo o papel de divindades.
Como em 2024, não tive energia para resenhar vários livros que li, como o divertido Red Shirts, de John Scalzi. Mas recomendo a leitura, de qualquer modo.
Infelizmente, também, caiu o ritmo que vinha ganhando para criar artigos e movimentar as redes sociais do Selo-Multiversos e da Techno-Fantasy. O ritmo foi caindo até uma parada total no segundo semestre.
Em junho, participei da CDQCON levando como lançamento a HQ, Masmorra do Infinito, vol. 2 e a reimpressão de Tempestade de Ficção 1 (entre outros).
Participação da CDQCON – Junho 2025
Fiquei sem outros lançamentos até agora no final do ano, quando lancei O Mapa Estilhaçado, parte dois da série Espadas & Horrores.
Trabalhei no terceiro manuscrito de O Bruxo e a Foice Sombria, que tem boas chances de lançamento em 2026, tanto em português como em inglês.
Vários títulos com lançamento previsto para 2025 não aconteceram. Eu pretendia lançar a versão reescrita de Olhos Negros e Tempestade de Ficção 5, porém só concluí a escrita da quinta tempestade nos últimos dias de 2025. Não encontrei tempo para nova revisão e diagramação de “Olhos Negros 2.o”. Também não consegui lançar Keel #2 (em inglês) por problemas com a produção da versão remasterizada. Seguem com previsão para 2026.
“Tempestade 5” está escrito, mas precisa de revisão e produção de textos de apoio. Aqui vai uma preview da capa:
Terminei a reescrita de Maré Vermelha. Também trabalhei nas partes 3 e 4 de espadas & horrores.
2025, um ano desafiador
Imagino que todos saibam que o sustento da minha família vem de meu trabalho não ligado à literatura e quadrinhos. Meu ano de trabalho foi bem intenso, o que levou à redução dos meus projetos literários.
Quando escrevi o artigo, O Novo Selo Multiversos, em dezembro de 2024, ainda não fazia ideia do convite que receberia no início de janeiro e que transformou totalmente 2025. Naquele momento, estava projetando um ano animado para meus projetos literários, incluindo a produção de Masmorra do Infinito vol. 3. Mas a vida é assim, muitas vezes nossos planos mudam por condições inesperadas. Algo como o que aconteceu ao meu personagem Ilya Gregorvich, quando encontrou os tais “óculos indesejados”, causando uma reviravolta sua vida.
Recebi o convite nos primeiros dias de janeiro. Oportunidade de nova colocação profissional na posição de gestor de um setor novinho em folha. Por um lado foi estimulante, mas por outro consumiu grande parte da minha energia pessoal. Somado a isso, também tive uma importante alteração na rotina doméstica que também impactou no meu tempo livre. Outra coisa é que a dor crônica não me abandonou e nos momentos mais difíceis, cheguei a pensar numa “aposentadoria” e encerramento dos meus projetos literários.
Perspectivas para 2026
A tempestade passou. Estou um pouco melhor… Ano que vem continua com perspectiva desafiadora. Espero encontrar um maior equilíbrio em 2026 e sendo realista, reservar ao menos uma hora diária para os projetos literários. Pretendo retomar publicações na Techno-Fantasy, publicar Tempestade de Ficção 5, o Bruxo e a foice sombria e a terceira e quarta partes de Espadas & Horrores. Um mega projeto de escrita vai ser a reescrita do colossal, Oráculo Esquecido. Pretendo trabalhar no Tempestade de Ficção 6 e retomar a webcomic, Masmorra do Infinito. E qualquer outra coisa que as ondas do caos trouxerem… Muitas vezes não planejo, vem a inspiração e surge alguma obra nova, vamos ver.
Com consistência e persistência, acredito que conseguirei uma produção melhor e também trazer alguns lançamentos. Agradeço a você, que acompanha a nossa jornada!
É bom voltar a este mundo de ruínas antigas, conflito entre guildas, horrores ancestrais e pesadelos que insistem em despertar.
Com o lançamento de O Mapa Estilhaçado, a série Espadas & Horrores avança para sua segunda parte, dando continuidade aos eventos iniciados em A Tumba Grandiosa.
Nesta nova parte da série, voltamos a acompanhar Drhaff, a ladina estudiosa marcada pelo contato com forças antigas, e Rose Um’Yarg, a guerreira estrangeira cuja presença parece sempre atrair o extraordinário.
Mantendo o equilíbrio entre aventura, tensão, atmosfera sombria e uma pitada de humor, O Mapa Estilhaçado amplia o cenário apresentado no conto anterior. O veterano Raav e o mago nômade Zjian se juntam a Rose e Dhraff numa perigosa missão. Enquanto as barreiras entre as dimensões estão abaladas, cada descoberta carrega um preço.
Quando comecei esse projeto, minha intenção era prestar uma homenagem direta à tradição da espada e feitiçaria — em especial ao escritor Fritz Leiber e à sua clássica dupla, Fafhrd e o Gray Mouser. Histórias de aventura, perigo e exploração, onde o heroísmo é imperfeito e o mundo reage às escolhas dos personagens.
Outra fonte de inspiração veio de uma antiga campanha de RPG que girava em torno da exploração da Tumba Grandiosa, a maior e mais famosa catacumba daquele mundo.
Minha ideia inicial era escrever alguns contos ambientados nesse cenário, sem a obrigação de seguir os mesmos personagens ou uma linha narrativa contínua. No entanto, ao apresentar Rose Um’Yarg e Drhaff, algo mudou.
Gostei tanto da dinâmica entre Rose e Drhaff que, ao escrever as partes seguintes, percebi que estava criando não apenas contos independentes, mas um romance seriado. Com três partes já escritas e a quarta em desenvolvimento, ficou claro que essa história pede fôlego maior. Ainda assim, cada parte é pensada para funcionar num pequeno arco narrativo com espaço para continuidade e expansão.
Não sei ainda quantas partes essa série terá. Pode terminar em oito, quinze ou seguir por ainda mais caminhos. Esse é um projeto que cresce conforme é escrito, guiado pela curiosidade, pelo risco e pelo prazer de explorar mundos imaginários sem rotas seguras.
Confesso: viciei na série Dungeon Crawler Carl, escrita pelo autor norte-americano Matt Dinniman. Já publiquei aqui resenhas dos livros 1, 2 e do 3 ao 5, e acabei de concluir a leitura do sexto volume, The Eye of the Bedlam Bride. A leitura foi ótima — divertida, surpreendente e, mais uma vez, impressionante pela forma como o autor consegue inserir novos conceitos, mecânicas e reviravoltas no universo da série, mesmo nesta altura da história. Adorei a participação de orixás como Ogum e Yemanjá, e também figuras absurdas como o Uzi Jesus, demônios do tamanho de kaijus, caranguejos e focas mestres em artes marciais e menções à “raça” curupira (um dos personagens, o brasileiro, Osvaldo, é um Curupira Ranger, rs).
Curioso para saber mais sobre o autor, fui atrás de algumas entrevistas. Li uma publicada na Grimdark Magazine, outra no blog Before We Go, e por fim, a mais recente — que traduzi a seguir — feita pelo blogueiro Paul Semel.
Antes de ir para a entrevista, um pouco mais sobre o autor. Além de ser escritor, Matt Dinniman, também é artista gráfico e músico (toca baixo em duas bandas). Natural de Gig Harbor, Washington, EUA, começou a publicar a série DCC de forma independente em 2019, mas hoje já tem livros em editoras tracionais e em audiobooks (que venderam mais que o formato físico).
Foto por: Toby Dinniman
Em agosto de 2024, os direitos da série foram comprados pela Universal e Seth MacFarlane. Está sendo adaptada uma série para TV com roteiro de Christopher Yost.
Dinniman se descreve como “pantser” — ou seja, escreve sem um roteiro rígido, improvisando conforme avança. Ele mantém meticulosos registros da trama, utilizando planilhas que levaram à criação de um banco de dados em Notion por conta da complexidade.
Inspirado por jogos como RuneScape, Diablo e StarCraft, Dinniman introduz mecânicas de RPG e jogos dentro da narrativa, como sistemas de níveis, experiência e cartas que refletem essas influências dentro da história fictícia.
Ele costuma permitir que apoiadores do Patreon votem em aspectos da história — como a escolha de Cuba como cenário do oitavo andar em The Eye of the Bedlam Bride.
Desde 2023, foi anunciada uma webcomic oficial de Dungeon Crawler Carl, em desenvolvimento com a Laurel Pursuit Art Studio.
O plano atual do autor é completar a saga Dungeon Crawler Carl em cerca de dez livros, embora ele afirme que “nada é definitivo”.
Também é autor da série Dominion of Blades, dos livros The Shivered Sky e de romances como Kaiju: Battlefield Surgeon e Operation Bounce House (com publicação prevista para 2026).
Entrevista publicada originalmente no por Paul Semel, em 15 de maio de 2025.
Cinco anos atrás, o autor Matt Dinniman lançou sua série de ficção científica / fantasia / LitRPG Dungeon Crawler Carl quando publicou de forma independente o primeiro romance da série… e rapidamente chamou a atenção dos fãs de histórias LitRPG. Isso, por sua vez, chamou a atenção da Ace Books, que começou a relançar os romances em 2024.
Com o sexto livro, The Eye Of The Bedlam Bride (O Olho da Noiva do Caos), recém-lançado pela Ace em capa dura (nos EUA) — poucas semanas após o relançamento do quarto (The Gate Of The Feral Gods / O Portal dos Deuses Selvagens) e do quinto (The Butcher’s Masquerade / O Baile do Açougueiro) — conversei com Dinniman por e-mail sobre a série e sobre Bedlam Bride.
Para quem nunca leu os romances de Dungeon Crawler Carl, quem é Carl, o que ele faz, sobre o que é essa série, e quando e onde essas histórias se passam?
Dungeon Crawler Carl é um livro sobre um eletricista naval de 27 anos, ex-guarda-costeira, que, junto com a gata de exposição premiada de sua ex-namorada, é forçado a competir em um reality show alienígena chamado Dungeon Crawler World.
E tem um motivo específico para a gata da ex-namorada de Carl se chamar Princess Donut? É porque quando ela se deita pra tirar um cochilo, ela se enrola como uma rosquinha? Porque no livro The Last Gifts Of The Universe de Riley August, o gato se chama Pumpkin exatamente por esse motivo.
Princess Donut é uma gata de exposição, e seu nome completo é GC, BWR, NW Princess Donut The Queen Anne Chonk. Como na maioria dos gatis, há um tema nos nomes de todos os gatos. No caso dela, todos os parentes têm nomes inspirados em doces. Ela tem um irmão chamado Skittles, por exemplo.
Legal. E então, para quem já leu os livros anteriores, sobre o que é The Eye Of The Bedlam Bride, e em que momento ele se passa em relação ao livro anterior, The Butcher’s Masquerade?
O programa em que eles estão presos consiste em uma masmorra de 18 andares. The Butcher’s Masquerade é o clímax dos andares seis e sete.
A ação de The Eye Of The Bedlam Bride começa imediatamente após o fim de Masquerade, e detalha os acontecimentos do oitavo andar. Cada andar apresenta desafios diferentes, e no oitavo, eles se encontram numa cópia da superfície da Terra nas semanas que antecedem a invasão alienígena. Eles precisam encontrar e capturar monstros, que são transformados em cartas, e então precisam lutar usando essas cartas.
De onde veio a ideia original para The Eye Of The Bedlam Bride, e como, se é que mudou, ela evoluiu conforme você escrevia?
A localização desse andar, Cuba, foi escolhida por votação no meu Patreon. A ideia das cartas é algo que eu já tinha em mente há bastante tempo.
Os romances Dungeon Crawler Carl misturam ficção científica e fantasia, mas também são o que se chama de LitRPGs. Para quem não conhece o termo, o que é um romance LitRPG, e como a série usa esses elementos?
Um romance LitRPG é um livro onde algum aspecto do mundo em que os personagens vivem é controlado por mecânicas semelhantes às de videogames. Por exemplo, em Dungeon Crawler Carl, eles estão jogando um jogo. Os personagens e os leitores estão cientes disso. Todos começam no nível 1, e quando matam inimigos, ganham pontos de experiência e sobem de nível. Ao subir de nível, podem alocar “pontos” para aumentar força, destreza, etc. Os personagens têm consciência dessas regras do mundo. Eles podem aprender magias. É como estar preso em um videogame na vida real.
Você publicou originalmente os seis primeiros romances de Dungeon Crawler Carl de forma independente, incluindo The Eye Of The Bedlam Bride. Ele foi influenciado por algum autor ou história que não tinha sido influência — ou não tanto — nos livros anteriores?
Não particularmente, não. Mas o aspecto das cartas desse andar foi fortemente influenciado por Pokémon e Yu-Gi-Oh.
Agora, o motivo desta entrevista é que The Eye Of The Bedlam Bride está sendo relançado pela Ace Books. E, pelo que entendi, essa nova edição impressa tem conteúdo extra. O que foi adicionado à edição de Bedlam Bride, e por que você quis incluir isso?
A versão publicada pela Ace é quase idêntica em todos os aspectos, com exceção de um zilhão de vírgulas a mais [risos]. Já os livros em capa dura incluem uma história paralela extra chamada Backstage At The Pineapple Cabaret (Nos Bastidores do Cabaré do Abacaxi). É uma narrativa contínua sobre NPCs dentro do jogo.
Mas The Eye Of The Bedlam Bride não é o único Dungeon Crawler Carl sendo relançado. Uma nova versão do quinto livro, The Butcher’s Masquerade (2023), saiu há um mês, enquanto a do quarto, The Gate Of The Feral Gods (2021), foi relançada algumas semanas antes. Sobre o que são esses livros, e como se conectam aos anteriores?
The Gate Of The Feral Gods conta a história do quinto andar da masmorra, enquanto The Dungeon Anarchist’s Cookbook é sobre o quarto andar. Todos esses livros começam imediatamente após o final do anterior.
E as novas versões de The Butcher’s Masquerade e The Gate Of The Feral Gods também têm extras, como The Eye Of The Bedlam Bride?
Sim. Cada um deles tem um novo capítulo de Backstage At The Pineapple Cabaret.
Por fim, se alguém gostou de The Eye Of The Bedlam Bride e dos outros livros de Dungeon Crawler Carl, que romance ou novela LitRPG de outro autor você recomendaria, para ler enquanto espera o próximo livro do Carl?
Eu adoro a série The Wandering Inn da pirate aba, He Who Fights With Monsters do Shirtaloon, The Good Guys de Eric Ugland, e a série Cradle de Will Wight.
Agora, após ler os livros 3, 4 e 5, posso afirmar: a série só melhora e se expande em criatividade e emoção, mantendo tudo aquilo que conquistou nos primeiros volumes e adicionando novas camadas de complexidade. Já querendo ler os livros 6 e 7 da série…
A seguir, compartilho impressões sem spoilers críticos para você decidir se vale continuar — e, sinceramente, vale muito.
Livro 3 – The Dungeon Anarchist’s Cookbook
Neste volume, Carl, Donut e Mongo descem para um nível caótico em forma de túneis e estações de trem, quase como um metrô alienígena assassino, enquanto enfrentam os mantaurs, criaturas como centauros, só que com parte de baixo de humana e quadrúpede, e parte de cima com torso e cabeça humanos, que adicionam tensão e humor às batalhas.
Este livro marca também a primeira aparição de um deus dentro da dungeon, um evento que muda a escala da história e sinaliza que forças muito maiores estão em jogo.
Outro ponto interessante é como os conflitos políticos e corporativos fora da dungeon começam a afetar diretamente os eventos dentro dela. Patrocinadores, corporações e interesses galácticos começam a manipular o nível, transformando o reality show mortal em um palco de intrigas e disputas de poder.
Apesar de continuar com as mecânicas de loot, habilidades e evolução, Dinniman consegue incluir reflexões inesperadas sobre identidade e resistência sem perder o tom divertido e acelerado que define a série.
Livro 4 – The Gate of the Feral Gods
Se você gosta da estrutura de “fases” de RPG, este volume vai te conquistar. A missão de Carl e sua equipe parece simples: quatro castelos em quinze dias para liberar a escada de acesso ao próximo nível. Mas, como sempre, nada é simples em Dungeon Crawler Carl.
Os quatro locais são:
Uma fortaleza flutuante controlada por gnomos guerreiros.
Um castelo de areia com segredos inesperados.
Um submarino abandonado, protegido por máquinas defeituosas e perigos constantes.
Uma cripta assombrada, repleta de armadilhas letais.
Pela primeira vez, Carl e Donut percebem que não podem fazer tudo sozinhos. Eles precisam unir forças com outros “rastejadores” de nível mais baixo — aqueles personagens que você mal acredita que ainda estejam vivos — em alianças frágeis e temporárias, levantando questões sobre confiança e sobrevivência coletiva.
O humor de Donut, o caos de Mongo e o sarcasmo de Carl continuam presentes, mas o volume também traz tensões sobre o que significa confiar em aliados e os custos de cada decisão em um mundo onde todos querem sobreviver.
Livro 5 – The Butcher’s Masquerade
Se a série já era boa, The Butcher’s Masquerade eleva tudo para outro patamar, entregando o volume mais emocionante e equilibrado até agora.
Neste livro, Carl e sua equipe chegam aos Hunting Grounds, onde os jogadores passam a ser alvo de caçadores, que são pessoas vindas de todos os locais da galáxia e que entram na masmorra encarnando personagens muito fortes e cheios de equipamentos especiais.
Os caçadores e guildas tornam-se peças centrais neste nível, trazendo uma nova camada de estratégia e política interna. Conquistar cidades, gerenciar alianças e lidar com traições se tornam parte do jogo, enquanto o nível se transforma em um verdadeiro tabuleiro de guerra.
Um dos arcos mais impactantes é o da NPC “elite” Signet, a princesa meio-elfa, meio-naiad, que busca vingança contra sua irmã em uma trama iniciada no livro 2. Aqui, a história se aprofunda, trazendo batalhas emocionantes e reviravoltas morais, enquanto Signet se firma como uma personagem marcante no universo da série.
Mesmo em meio a toda a ação, o humor continua afiado, com Donut atingindo novos níveis de protagonismo (e estrelismo) e Mongo causando caos como sempre. Ao mesmo tempo, os eventos fora da dungeon continuam a influenciar os acontecimentos, lembrando que os verdadeiros monstros podem estar entre os que assistem ao show do lado de fora.
O volume entrega momentos hilários ao lado de cenas de carga emocional inesperada, explorando temas como trauma, lealdade, sacrifício e resistência com profundidade surpreendente para uma série LitRPG.
Vale a pena continuar?
Sim, e muito.
Os livros 3, 4 e 5 de Dungeon Crawler Carl:
Expandem o universo com cenários criativos e desafios épicos.
Introduzem personagens marcantes e desenvolvem os que já conhecemos.
Misturam humor, crítica social e ação frenética como poucos livros conseguem.
Mantêm o ritmo de leitura viciante, com surpresas a cada fase.
Matt Dinniman continua a entregar volumes que fazem você rir, prender a respiração e virar páginas até tarde da noite. Dungeon Crawler Carl é mais do que um LitRPG: é uma série sobre resistência, humanidade e humor em meio ao caos, construída com uma criatividade que a torna única.
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