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Categoria: Resenhas Page 36 of 40

The War Hound and the World’s Pain – Michael Moorcock

War Hound Primeiro livro que li no meu Kindle. Simplesmente não dá para ficar sem a função de dicionário integrado. Bom, mas vamos lá!

Neste romance acompanhamos o Capitão Ulrich von Bek, um mercenário alemão que lutou em várias batalhas da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) uma série de conflitos de ordem religiosa envolvendo católicos e protestantes. Porém, não se trata de um romance de ficção histórica, mas sim de fantasia (algo a esperar de Michael Moorcock). De modo geral curti o livro pelas reviravoltas imprevisíveis e personagens e lugares exóticos. Mas não gostei tanto do vilão, Klosterheim. Como outros livros do autor sua maior virtude é apresentar personagens e lugares estranhos e tramas igualmente incomuns. É muito difícil falar desse romance sem algum nível de spoilers, mas vou tentar ao máximo. Mas se quiser ler o livro livre de spoilers, pare aqui.

O argumento central do livro é a busca de von Bek pelo Cálice Sagrado, uma missão encomendada pelo regente do inferno o anjo caído Lúcifer. Ao aceitar tal missão, von Bek parte numa jornada pela europa histórica com suas cidades reais como Madgeburgo, mas principalmente viajando através de terras fantásticas (Mittelmarch) que são fronteiras do nosso mundo com outros. Em nosso mundo ele se encontra com Grigory Petrovich Sedenko, um mercenário muscovita que passa a acompanhá-lo. Acompanhamos muitas viagens e algumas batalhas da dupla na busca do cálice. Ulrich e Sedenko estão longe de ser heróis virtuosos, antes disso, são soldados e pecadores. Ulrich teve uma criação com estudos e pensamentos filosóficos e teológicos sobre o bem e o mal, Céu e Inferno são temas recorrentes nos diálogos e indagações que ele próprio passa a ter após vender sua alma ao demônio. Mas o cálice pode lhe trazer redenção, assim como ao mundo e ao próprio Lúcifer.

Um aspecto divertido no livro, para quem já leu outros livros de Michael Moorcock e encontrar nas entrelinhas os temas mais desenvolvidos na série Eternal Champion. Neste livro, por exemplo, o patrôno de Elric, o demônio Arioch é um dos duques do inferno que contrapõe Lúcifer e apoia o antagonista de von Bek, Klosterheim. Os temas da Lei, Caos e Equilíbrio também aparecem, sendo que o Cálice representa o Equilíbrio, tratado neste livro como Harmonia. Outra figura que aparece é a rainha Xiombarg (em outros romances uma Lorde do Caos), mas aqui a rainha de um reino estranhamente tomado pela Lei e harmonia. É possível fazer conexões com a série de Dorian Hawkmoon e sua busca pelo Runestaff (que seria uma outra representação física do Cálice Sagrado).

Acho que é o melhor que consigo sem mais spoilers…

Mais da família von Bek aparce diversos contos e nos romances: The Brothel in Rosenstrasse (1982), The City in the Autumn Stars (1986), The Dragon in the Sword (1987), The Dreamthief’s Daughter (2001), The Skrayling Tree (2003) e The White Wolf’s Son (2005)

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As Vidas de Christopher Chant – Diana Wynne Jones

christopher_chant No segundo livro da série Os Mundos de Crestomanci conhecemos a infância de Christopher Chant que vem a se tornar o Crestomanci – mago responsável por regular o mau uso da magia no(s) mundo(s) – em Vida Encantada (e outros livros da série).

Christopher nasceu com nove vidas e é candidato natural ao cargo de Crestomanci. Porém, ele ainda não sabe disto, tão pouco sabe que é um mago. Com grande facilidade consegue viajar entre mundos em viagens espirituais que faz através de seus sonhos. O garoto tem uma relação difícil com os pais (que por sua vez tem uma relação difícil entre si) que desejam coisas diferentes para o seu futuro. Quando o tio de Christopher, Ralph entra em cena, a vida do jovem toma um novo rumo. Através do tio, Christopher fica conhecendo Tacroy e inicia sua jornada de aprendizados sobre as séries de mundos vinculados até topar o a Deusa viva e outros tantos interessantes personagens. A trama evolui de forma surpreendente com algumas boas reviravoltas introuduzindo aos poucos os estranhos conceitos dos mundos vinculados e suas implicações.

Uma das coisas boas sobre esta série é que os livros não sõa fortemente ligados. É possível ler quase em qualquer ordem, mas é interessante ler primeiro Vida Encantada.

Suponho que não dá para falar muito mais sobre o livro sem spoilers… Mas reforço: a trama do livro é muito boa e prende o leitor. Diana, como sempre, é capaz de encantar os leitores e transportá-los para mundos de fantasia cheios de vida e cheios de personagens memoráveis. Tem sido uma de minhas escritoras favoritas.

Acabei de comprar A Casa dos Muitos Caminhos o terceiro livro da série que começa com O Castelo Animado e continua em O Castelo no Ar. Em breve falo dele aqui.

Se interessou? Compre aqui.

Orcs, Guardiões do Relâmpago – Stan Nicholls

Está aí mais um livro de fantasia “clássica”. Em Orcs, Stan Nicholls nos leva ao mundo fantástico de Maras-Dantia, um daqueles lugares habitados por humanos, elfos, trolls, dragões, anões e é claro: orcs.

Mudando a perspectiva usual dos protagonistas em épicos de fantasia, seguimos os Lobos Cinzentos, um bando de orcs comandado pelo Capitão Stryke. Este grupo recebe uma missão da maléfica rainha Jennesta, uma meio-orc bastante mal humorada. Mas durante a missão, uma série de situações carrega os orcs para um destino diferente do planejado. O autor dá algumas pinceladas interessantes sobre o mundo. O conflito de duas religiões, uma politeísta e outra monoteísta é outro tema importante abordado na obra. O mundo em declínio destruído pelo avanço da civilização é outro tem abordado.

A ideia de narrar sob o atípico ponto de vista dos orcs é uma boa premissa, no entanto, ao menos em relação à minha expectativa, a forma de retratá-los acabou não os distanciando muito dos humanos. A mesma trama e situações funcionariam bem se os Lobos Cinzentos fossem um grupo de mercenários humanos numa missão para um governante autoritário.

O fato é que este é o primeiro livro de duas trilogias. Para quem está acostumado e não se importa com ter a história sem uma conclusão, pode ser uma leitura casual interessante. Outro aspecto negativo é que ainda não há previsão para o lançamento dos demais livros da série em português. O autor é bom para descrever cenas de ação e situações peculiares, mas seus personagens ficam devendo um pouco em profundidade e o enredo não é bem amarrado. Mesmo com alguns problemas o livro é capaz de entreter e transportar o leitor para um mundo de fantasia que contém os clichês usuais, distorcendo apenas alguns pequenos elementos a fim de conferir um sabor ligeiramente diferente do esperado.

Um aspecto de que gostei foi a forma particular que o autor usou para retratar de um novo jeito as raças já vistas, tais como anões, trolls e kobolds. Enfim, é uma adição interessante ao espectro de obras de fantasia “clássica”. Para os que gostam do gênero, vale um conferida.

A Fúria dos Reis – George R. R. Martin

Fúria dos ReisFiquei devendo essa resenha também (terminei de ler o livro uns meses atrás). Considerando os aspectos gerais da obra, acho que vale tudo o que dissemos sobre o primeiro livro das Crônicas de Gelo e Fogo, A Guerra dos Tronos, e não vamos repetir.

O autor segue com a mesma estrutura do primeiro livro, cada capítulo revela parte da trama sob o ponto de vista de um personagem. Temos dois novos “portadores de capítulo”, Theon Greyjoy (que já vimos no primeiro livro) e Davos, um cavaleiro de origem popular que serve Stannis Baratheon, a um dos reis que disputam o trono dos Sete Reinos. Os Stark ainda tem a maioria da participação. Para se ter uma noção da ênfase dada a cada personagem, contamos, três com Davos, Cinco com Daenerys, 7 capítulos para Catelyn e para Bran, Jon e Sansa empatados com oito, Dez para Arya, e o grande “vencedor” com quinze capítulos: Tyrion.

Sob este ponto de vista notamos que o autor parece ter crescido seu gosto por Tyron, que continua sendo o personagem mais interessante da série até então. A linha de estória de Arya também é muito interessante, coincidentemente é a minha segunda personagem favorita.

O segundo livro também é muito bom, mas um pouco menos encantador que o primeiro. É um livro de meio de série dá aquela sensação de saindo do meio de algo e de chegar a lugar algum. As múltiplas tramas e personagens “redondos”, com seus vícios e virtudes, continuam o ponto forte a obra. Um retrato um pouco amargo e violento da natureza humana. A magia (e religião) que apareciam timidamente no primeiro volume, revelam-se mais presentes na continuação e causando consequencias fortes no curso da estória.

A trama principal gira em torno da disputa pelo trono dos Sete Reinos (ou sua divisão em feudos) entre Joffrey Baratheon, Stannis o irmão mais velho (vivo) do rei Robert, do caçula Renly, Robb Stark (o rei do Norte) e Balon Greyjoy (das Ilhas de Ferro).

Em termos de expansão gradual do universo criado, o leitor irá conhecer mais da história pregressa à cronologia presente enquanto visita uma nova locação nos Sete Reinos, as Ilhas de Ferro sob o olhar de Theon Greyjoy que finalmente regressa a seu lar após longo exílio. Já a jornada de Daenerys mostra mais do mundo ao leste, em especial a cidade Qarth, um lugar cheio de facções de poder. Os dragões da herdeira dos Targaryen chamam a atenção de muitos por aquelas bandas e podem trazer vantagens ou problemas à líder do pequeno bando de Dothrakis remanescentes do grande grupo liderado pelo seu falecido esposo, Khal Drogo.

Bom, o objetivo não é ficar contado detalhes da estória e constituir “spoilers”… Neste sentido o resumo é que: é ligeiramente menos empolgante que o primeiro, as características da obra se mantém e novos horizontes são abertos. Nos deixa um bocado curiosos o que ainda vem por aí… Sete livros de “mil páginas” (versões em inglês) cada… De certo, quando completa as Crônicas de Gelo e Fogo serão uma das mais longas sagas de fantasia já produzidas.

Neste meio tempo, fiquei conhecendo esse site muito bacana com notícias e resumos completos dos livros da série, vale dar uma conferida: http://towerofthehand.com/

 

Veja o livro no site Próxima Leitura.

O Trílio de Sangue – Julian May

O livro faz parte da série do Trílio composto pelos livros: O Trílio Negro, O Trílio de Sangue, O Trílio Dourado, O Trílio Celeste e A Senhora do Trílio. A série começou com o Trílio Negro que é uma co-autoria das escritoras Marion Zimmer Bradley, Julian May e Andre Norton.

Esta continuação está situada 12 anos após os eventos narrados em O Trílio Negro. As três protagonistas retornam e há uma nova ameaça ao mundo. Não penso que requer a leitura do livro anterior para conhecer a ambientação, as personagens e curtir a estória. O cenário fantástico descrito no livro mescla de forma homogênea a presença de magia que evoluiu à partir de uma civilização desaparecida bastante avançada tecnologicamente. Neste aspecto, lembra livros da Série Darkover. Muita coisa no livro remete ao número três: três luas, três princesas, três artefatos, três pétalas do trílio, Deus Trino e Uno, etc.

O que encontrei de bom: Julian May é uma escritora competente. Consegue definir personagens, cenas e
situações. O Mundo das Três Luas é interessante e estimula a imaginação. A obra de fantasia escapa aos principais clichês do gênero. O vilão da estória é uma figura interessante e há alguns personagens secundários igualmente interessantes. Gostei também das raças não humanas que habitam o mundo.

O que não gostei muito: um tom sentimental, ou mesmo piegas, dentro das reflexões e ações das protagonistas.
Outra coisa que incomodou um pouco foi a opção de tradução de alguns nomes. Por exemplo: Príncipe Tolo,
filho do rei Antar e da Rainha Anigel? (nome de remédio…)

Enfim, vale a pena a leitura para entrar em contato com um mundo de fantasia um pouco diferente. Estou com os
outros livros da séria aqui. Mais adiante falarei deles. Para ter uma boa idéia sobre a série, vale conferir este post com sinopse de todos os livros e uma resenha de quatro deles: http://www.leitoraviciada.com/2011/03/serie-de-fantasia-marion-zimmer-bradley.html

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